Novas ferramentas para trabalhar a interculturalidade junto de crianças e jovens

Por: Eva Calado

O Projeto ”Inclusion Influencers”, financiado pelo Conselho da Europa e levado a cabo pela RPCI e 3 cidades-membro,  teve início a meio deste ano e termina agora em dezembro com o lançamento de novas ferramentas e um kit de atividades para trabalhar a interculturalidade e a não-discriminação junto de crianças e jovens. As ferramentas serão divulgadas essencialmente através das redes sociais, nomeadamente, com a ajuda de influencers. 

Vídeo de culinária com o Chef Fábio Bernardino e os jovens Tini, da Guiné, e Hélder, da Argentina

O problema

Este projeto surgiu por parte das cidades-membro da Rede Portuguesa das Cidades Interculturais – RPCI, e resulta da vontade de abordar e trabalhar alguns dos problemas de discriminação identificados nas mesmas.

Nos últimos anos, as cidades têm vindo a identificar o aumento dos movimentos de extrema direita no país e os riscos que os jovens correm de incorporar crenças errôneas sobre minorias e migrantes que estão a ser disseminadas nas redes sociais.

É notório que a força dessas comunicações nas redes sociais não está a ser correspondida por narrativas alternativas e a maioria dos jovens e crianças não têm o mesmo acesso fácil a outras perspectivas e informações confiáveis.

Tudo isto indica que o futuro das políticas de inclusão e do ambiente de inclusão social que vivemos em Portugal pode estar em risco.

O projeto tem como público-alvo a camada mais jovem da população Portuguesa (10-20 anos).

Os objetivos

Com este projeto, pretende-se criar ferramentas que desmistifiquem e desconstruam mitos relacionados com os migrantes no nosso país, para ajudar no desenvolvimento de espírito crítico, tomada de consciência e aumentar a sensibilidade e empatia para estes temas:

– tornar os jovens “agentes antirrumores”, “agentes da mudança”;

– promover uma forte mensagem de que as cidades Portuguesas estão preparadas para receber e valorizar todos os cidadãos.

– capacitar professores para que possam utilizar esses conteúdos e ferramentas nas suas aulas e, assim, atingindo mais crianças e jovens;

– capacitar técnicos das cidades para utilizar os produtos e metodologias anti-rumores resultantes deste projeto, a fim de manter produção de materiais e campanhas relevantes localmente.

Os objetivos específicos foram definidos em conjunto com o Conselho da Europa e o programa Intercultural Cities, assim que foi decidido avançar com o projeto. A ideia foi sempre, desde o início, a de criar ferramentas digitais, como vídeos, podcasts, memes, etc. que ressoem com o público mais jovem no sentido de identificação com determinadas situações de rumores/ preconceitos e que cheguem aos canais que eles utilizam mais (redes sociais, principalmente), nomeadamente através de influencers.

O processo

A Rede RPCI recorreu à Cooperativa com o mesmo nome para que, com a sua equipa de especialistas, pudesse dar forma ao projeto e cumprir os objetivos definidos.

Foram três as cidades que se disponibilizaram para desenvolver este projeto juntamente com a equipa da RPCI: a Câmara Municipal de Albufeira, a Câmara Municipal de Cascais, e a Câmara Municipal de Viseu.

Este foi o processo levado a cabo para o desenvolvimento do projeto:

  1. selecionar os 3 rumores a trabalhar, a partir dos principais mitos/rumores que existem nas cidades Portuguesas;
  2. pesquisar e compilar os respetivos antirrumores;
  3. realizar Focus Groups com uma amostra do público-alvo, para obter insights e ideias;
  4. pesquisar e compilar uma lista das celebridades/ influenciadores que estão mais presentes nestas faixas etárias;
  5. trabalhar com os jovens, as cidades, as escolas e as celebridades/influencers na criação e divulgação dos conteúdos para a campanha.

O primeiro passo foi obter por parte dos técnicos das cidades as informações sobre os mitos mais difundidos entre as gerações mais jovens. De seguida, selecionaram-se os 3 mitos mais comuns entre as cidades participantes na pesquisa (5) e a compilaram-se os respetivos antirrumores – os factos que desconstroem essas crenças. 

Estes foram os 3 mitos/ rumores escolhidos para trabalhar, com base em testemunhos de cidadãos Portugueses não-migrantes:

  • “as pessoas migrantes vêm para Portugal para nos roubar trabalho”
  • “as pessoas migrantes vêm para viver às custas do estado Português”
  • “as pessoas migrantes estão ligadas à criminalidade”

Para finalizar o trabalho de preparação, a equipa de projeto quis ouvir diretamente, por parte dos jovens das várias cidades, o que já sabiam sobre este tema e quais seriam as melhores abordagens para criar produtos que ressoem com o público-alvo. Com esse objetivo, foram contactadas várias associações infantis e juvenis que convidaram jovens disponíveis para realizar Focus Groups com a equipa. Foram realizados 3 Focus Groups com crianças e jovens de várias idades (dos 11 aos 21, divididas por escalões etários) de onde se obtiveram insights e ideias importantes para o rumo dos produtos a criar. Para além disso, todos os jovens (acima dos 14 anos) se disponibilizaram para ajudar a desenvolver os produtos em conjunto com a equipa.

De seguida, procedeu-se ao contacto com os influencers previamente selecionados e iniciou-se o trabalho criativo conjunto.

Foi decidido criar duas mini-entrevistas com pessoas migrantes que testemunhem o processo de integração na sociedade e no mercado de trabalho em Portugal, para desmistificar os mitos relacionados com o trabalho e os subsídios; 2 mini bandas desenhadas sobre a criação de um rumor, para desmistificar os mitos relacionados com a criminalidade; e 1 vídeo de culinária com jovens migrantes, para normalizar e harmonizar a riqueza intercultural da nossa gastronomia.

Os resultados

Desde o início do projeto, em julho deste ano, foram atingidos os seguintes resultados:

– foram realizados 3 Focus Groups com jovens de todo o país;

– foram contactados 13 influencers (de uma lista de 54), dos quais 5 responderam positivamente;

– foram definidos os 3 produtos a criar: vídeo culinária com jovens migrantes; vídeo entrevistas com pessoas migrantes; duas tiras de banda desenhada. Estes conteúdos vão disponibilizar de legendas em Inglês, para facilitar o acesso a um público mais alargado;

– foi produzido um vídeo de culinária com o Chef Fábio Bernardino e dois jovens migrantes (o Tini, da Guiné e o Helder, da Venezuela);

– foi apresentado o projeto no programa da Carla Rocha (“Manhãs, Manhãs”, na Rádio Renascença;

– realizaram-se 2 sessões online de formação antirrumores: uma para técnicos das cidades (12 participantes) e outra para professores (25 participantes);

– está a ser criado um kit de atividades que compila as principais ferramentas para trabalhar a interculturalidade com crianças e jovens nas salas de aula e não só;

– no dia 18 de novembro, das 14:30h às 16:30h, ocorrerá o Webinar “Recursos para Trabalhar a Inclusão com Crianças e Jovens”, com a presença de vários municípios, escolas, associações e empresas, para além do testemunho de alguns dos jovens e influencers que participaram no projeto;

– convite para participação na Sessão “Comunicar Imigração: Desafios e Estratégias” do Observatório das Migrações, no dia 17 de dezembro.

A campanha foi lançada oficialmente a 8 de novembro com o convite para o evento de lançamento do projeto nas redes sociais, apesar de vários teasers terem sido publicados desde finais de setembro deste ano. Os hashtags da campanha são: #nãovásnaconversa #diznãoaosrumores

Onde pode encontrar as novas ferramentas?

As notícias e outros conteúdos criados no âmbito deste projeto, serão publicados no website da RPCI e também nas respetivas contas do Facebook, LinkedIn e Instagram.

As cidades e parceiros deste projeto têm também garantido a cobertura da comunicação nas suas redes sociais e nos meios de comunicação locais e nacionais.

Além disso, irão ser distribuídos kits de atividades com base nos produtos criados (e uma compilação de outros que já existiam) a todos os municípios, professores e escolas que o solicitem.

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