A Comissão Europeia designou o mês de maio como o mês da diversidade. Neste mês, empresas, organizações públicas e da sociedade civil dos estados-membro são convidadas a celebrar a Diversidade através de eventos e atividades.

Fazendo jus ao mote da União Europeia, United in Diversity (Unida na Diversidade, em Português), milhares de organizações têm vindo a contribuir para esta celebração. As atividades podem ser inscritas num calendário comum, divulgado no site dedicado. Um guia com ideias práticas e um kit de media estão ainda à disposição das entidades que desejem promover ações no âmbito deste mês.
Do ponto de vista da Comissão, de forma a dar corpo às políticas públicas implementadas, várias iniciativas e medidas têm estado a ser promovidas.
A Comissão desenvolveu um questionário de autodiagnóstico pode ser usado pelas diversas organizações para melhor perceber as áreas onde a sua intervenção pode ser reforçada de forma a ser ainda mais inclusiva.
A plataforma das Cartas Europeias para a Diversidade, existente há mais de 12 anos, suporta organizações em cada estado-membro no desenvolvimento de Cartas nacionais no seu trabalho, que atinge já cerca de 17000 entidades empregadoras na Europa, atingindo cerca de 17 milhões de pessoas. As Cartas Nacionais pretendem potenciar a políticas e práticas inclusivas nas organizações através de aprendizagem entre pares, produtos, formações e recursos e eventos. A Carta Portuguesa para a Diversidade, de adesão gratuita, existe desde 2016 e tem já mais de 400 entidades signatárias e é correntemente gerida pela Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão. Qualquer entidade pode assinar a carta e passará a fazer parte deste movimento, beneficiando de eventos e recursos exclusivos, podendo inclusive candidatar-se ao Selo da Diversidade a cada 2 anos. Todos os anos, durante este mês, a Carta promove um conjunto de workshops e atividades nas quais as entidades signatárias são convidadas a participar.
O prémio “Capitais da Diversidade e Inclusão” é promovido pela Comissão desde 2022, reconhecendo regiões, cidades e freguesias que promovem ativamente ambientes mais inclusivos para todas as pessoas. As cidades podem concorrer em duas categorias: Menos de 50 mil habitantes ou Mais de 50mil habitantes e cada ano é ainda lançada uma categoria especial. As candidaturas decorrem durante o mês de fevereiro e em final de abril os prémios são entregues, durante o evento de lançamento do Mês da Diversidade, em Bruxelas. O Programa Cidades Interculturais, do Conselho da Europa é parceiro desta iniciativa. Desde o seu arranque, várias cidades portuguesas submeteram as suas candidaturas, tendo o Fundão sido distinguido em 2023 com o troféu de Bronze na categoria “autoridades locais com menos de 50 mil habitantes”.
De acordo com o registado no site da Comissão Europeia “O Fundão tem em curso algumas iniciativas muito importantes para os migrantes, contando com um centro de migração e mediadores interculturais. Outras iniciativas abordam questões de género com especial incidência na resposta à violência com base no género, juntamente com um leque de serviços sociais prestados a pessoas idosas.”

Foto: Comissão Europeia, em https://portugal.representation.ec.europa.eu/news/fundao-ganha-premio-de-bronze-nas-capitais-europeias-da-inclusao-e-da-diversidade-2023-2023-04-27_pt
A perspetiva interseccional com que a Comissão Europeia aborda o tema da Diversidade permite-nos um olhar transversal para as experiências e vivências de exclusão de cada pessoa, assumindo que nenhum membro de um grupo representa todo o grupo, e cada pessoa tem um caminho único e impossível de compreender para outra pessoa. Recorda-nos que a verdadeira Empatia não é tratar outra pessoa como eu gostaria de ser tratada, mas tratar a outra pessoa como ela quer e precisa de ser tratada para que possa prosperar e desenvolver todo o seu potencial. A este nível, uma comunicação autêntica (ou não violenta como a definia Marshall Rosenberg), pode ser uma ferramenta poderosa para uma abordagem mais inclusiva.
As evidências das mais-valias de uma força de trabalho diversa, motivada e empenhada são amplamente conhecidas, e, por isso, apostar na melhoria dos ambientes e das condições de quem connosco trabalha deve ser uma prioridade. Não só porque é bom para o negócio, mas porque ajuda a garantir uma sociedade mais preparada para o futuro. E isso traz vantagens para todas as pessoas.
Trabalhar para a Diversidade, Equidade e Inclusão trata-se de criar ambientes e culturas organizacionais favoráveis à diversidade, que acolham, promovam e reforcem positivamente todas as pessoas por quem são: pelas suas diferentes características, culturas, saberes, origens, escolhas e experiências de vida.
Não são necessários muitos recursos financeiros nem humanos para começar, mas vai exigir tempo e investimento para dar frutos. Tenha em atenção que é preciso conhecer bem a realidade de cada organização, pois as medidas não serão iguais em todas as circunstâncias, e que se trata de criar uma cultura inclusiva, sentida e vivida por todas as pessoas, onde as políticas e práticas internas estão ancoradas nas estruturas aos vários níveis da organização.
Para ter uma organização inclusiva, não basta ter uma grande variedade de pessoas de diversas nacionalidades, origens socioeconómicas, habilidades físicas e cognitivas, idades, orientações sexuais e identidades de género e outras caraterísticas. Não podemos tirar verdadeiro partido da Diversidade para a sociedade e para a organização sem um ambiente Inclusivo, e isso implica envolver e responsabilizar todas as pessoas.
Para conseguir resultados ao nível da mudança organizacional, é necessário que cada pessoa tenha a oportunidade para desconstruir os seus preconceitos e estereótipos e tal pode ser conseguido através de ações de formação e sensibilização. Estas ações, idealmente, inscrevem-se em planos e estratégias de médio e longo prazo, onde a formação representa uma das fases iniciais, a par com um diagnóstico aprofundado e participativo que permite a escuta de todas as pessoas.
Ideias para o Mês da Diversidade:
– Realizar um diagnóstico interno com foco da Diversidade, Equidade e Inclusão
– Realizar ações de sensibilização com o staff mas também clientes e entidades parceiras, como debates, sessões de cinema com discussão, worskhops e webinars, vídeos de testemunhos, experiências imersivas, palestras com associações, etc.
– Apoiar uma associação que pugne pelos direitos de diversos grupos que ainda enfrentam experiências de exclusão na sociedade
– Começar um debate interno e a criação de uma estratégia e um Plano de Diversidade, Equidade e Inclusão, que inclua formação a todo o staff, começando pelas chefias
Por exemplo, a Rede Portuguesa das Cidades Interculturais tem disponível uma formação de Competências Interculturais com duração de 12 horas que permite desenvolver capacidades de gestão de relações entre grupos diversos, tomando consciência de relações e assimetrias de poder presentes nessas relações e assumindo intencionalmente uma postura que permite diminuir as experiências de exclusão. Pode ser uma excelente iniciativa para continuar a celebrar o mês da Diversidade!
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