As palavras criam e derrubam fronteiras

Para melhor compreender e prevenir o discurso de ódio

Por: Inês Granja

O discurso de ódio começa muito antes da palavra dita ou escrita. Alimenta-se de estereótipos, de preconceitos e de processos de alterização que são responsáveis por criar condições favoráveis à discriminação. A linguagem deixa de ser apenas uma forma de expressão e pode transformar-se num instrumento de exclusão.

O antissemitismo ou a islamofobia são apenas dois exemplos que mostram como a hostilidade em relação às comunidades religiosas vai muito além da crítica à religião. Não se trata de questionar uma crença, uma doutrina de fé, uma instituição ou determinada prática, mas de inferiorizar ou estigmatizar pessoas em razão da sua religião. 

Mecanismos semelhantes operam noutras formas de discriminação, como o racismo, o anticiganismo, a xenofobia ou a misoginia. Apesar das suas especificidades, têm em comum o risco de levar a definir alguém apenas por uma dimensão da sua identidade.

Os rumores emergem neste “campo minado” e são particularmente nocivos pelo reforço dos preconceitos e estereótipos existentes. Uma experiência particular, uma ideia falsa ou dados descontextualizados passam a ser apresentados como características de todo um grupo e, por consequência, atribuídos a cada pessoa que o compõe.  Mais grave se torna se pensarmos que, muito frequentemente, nem estas pessoas se reconhecem inteiramente nessa representação. 

As estratégias antirrumores procuram interromper este processo, questionando a origem da informação, as evidências que a sustentam e os preconceitos que podem reproduzir. O Programa Cidades Interculturais do Conselho da Europa — Estratégias Antirrumores disponibiliza metodologias e ferramentas para desenvolver este trabalho em contextos locais, educativos e comunitários.

Quando estas mensagens de potencial tóxico entram nos grandes circuitos de informação, os media assumem uma responsabilidade particular. Os media têm o poder e a responsabilidade de contextualizar acontecimentos, desmontar rumores e dar voz às pessoas afetadas pelo discurso de ódio. Quando não o fazem, podem, pelo contrário, contribuir involuntariamente para a sua amplificação. Basta pensar como uma imagem pode reforçar estereótipos ou como um título pode transformar um acontecimento singular num problema atribuído a toda uma comunidade.

A cobertura de grupos em situação de vulnerabiliade levanta desafios específicos. A competição para atrair cliques nas redes, a necessidade de comunicar o essencial em poucas palavras e a reduzida diversidade cultural e religiosa de algumas redações são apenas alguns fatores que tendem a aumentar o risco de representações simplistas e distorcidas. Importa, por isso, questionar a relevância de referências à origem, religião, etnia ou nacionalidade, ampliar e diversificar as fontes, dar voz às próprias comunidades, contextualizar os dados e ter particular cuidado com os títulos e as imagens selecionados. 

Adicionalmente, todas as pessoas podem contribuir para travar o discurso de ódio, desde logo nas mesmas redes sociais onde os media também devem intervir com responsabilidade. Esta responsabilidade universal começa com gestos simples: verificar antes de partilhar, sugerir correções ou denunciar conteúdos. As palavras podem criar fronteiras, mas também podem ajudar a derrubá-las.

Mas onde termina uma expressão ofensiva e começa o discurso de ódio? A definição desta fronteira tem ocupado os tribunais e exige uma ponderação entre direitos fundamentais. A jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos sobre discurso de ódio permite aprofundar precisamente a relação entre liberdade de expressão e proteção dos direitos das pessoas visadas. Desde o acórdão Handyside v. Reino Unido (1976), o Tribunal afirma que a liberdade de expressão, protegida pelo artigo 10.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, constitui um dos fundamentos essenciais de uma sociedade democrática e protege não apenas ideias geralmente recebidas favoravelmente ou consideradas inofensivas ou indiferentes, mas também àquelas que ofendem, chocam ou perturbam o estado ou algum segmento da população. Combater o discurso de ódio não significa eliminar o conflito, a divergência ou a crítica. A jurisprudência do TEDH admite, em determinadas circunstâncias, restrições proporcionais a formas de expressão que difundam, incitem, promovam ou justifiquem o ódio baseado na intolerância. 

A Recomendação CM/Rec(2022)16 do Conselho da Europa constitui hoje uma referência fundamental, propondo uma abordagem abrangente e graduada do discurso de ódio e respostas proporcionais à sua gravidade. A Recomendação não se limita à resposta jurídica: valoriza também a educação, a formação, a sensibilização, o contradiscurso e as narrativas alternativas.

O Conselho da Europa disponibiliza recursos e boas práticas de combate ao discurso de ódio, incluindo instrumentos de prevenção, estratégias antirrumores, contranarrativas e narrativas alternativas.

São muitos os caminhos para continuar a pensar, desde logo, em que momento deixamos de ver uma pessoa para vermos apenas o grupo ao qual a associamos. No âmbito do Programa das Cidades Interculturais, estão identificadas práticas de prevenção e combate ao discurso de ódio, que vale a pena explorar. Trazemos, a título de exemplo, três experiências que apontam para a importância de institucionalizar a interculturalidade nas políticas municipais; envolver diretamente comunidades e associações na conceção das medidas; combinar prevenção, sensibilização, formação, participação e apoio às vítimas; recolher dados para orientar as políticas; capacitar funcionários públicos e forças de segurança; trabalhar desde cedo com escolas e pessoas jovens; considerar as desigualdades de género e outras vulnerabilidades de forma interseccional; combater rumores e discursos de ódio através de narrativas positivas; e criar redes permanentes de cooperação entre município, serviços públicos, sociedade civil e comunidades locais

  • Plano de combate à islamofobia de Barcelona

Destacam-se a prevenção e sensibilização, apoio jurídico e institucional às vítimas, recolha sistemática de dados, formação de funcionários municipais e polícia, atualização de procedimentos policiais e articulação entre município, comunidades muçulmanas, escolas, locais de culto e organizações da sociedade civil. O plano foi construído de forma participativa e dá particular atenção às mulheres enquanto grupo especialmente vulnerável.

  • Narrativas interculturais de Santa Coloma de Gramenet

Aposta na transformação de perceções, combate a rumores e criação de narrativas positivas sobre a diversidade. A interculturalidade é integrada transversalmente nas políticas municipais através de formação de profissionais e associações, critérios interculturais na atribuição de subsídios, redes comunitárias, projetos específicos com mulheres e pessoas jovens e intervenção nas escolas. Destaca-se ainda a utilização de ferramentas de comunicação adaptadas às pessoas jovens, incluindo conteúdos digitais, memes e instrumentos de pensamento crítico.

  • Estruturas locais dedicadas à interculturalidade em Lisboa

Criação de uma estrutura municipal permanente para participação, acolhimento e integração das comunidades migrantes. O modelo combina o Conselho Municipal para a Interculturalidade e Cidadania, enquanto espaço consultivo e de participação das associações; o Fórum Municipal da Interculturalidade, dedicado ao debate e sensibilização; iniciativas públicas como o Festival da Diversidade; e centros locais que apoiam migrantes em questões práticas como nacionalidade, habitação, emprego, saúde e educação.

A prevenção do discurso de ódio é uma responsabilidade partilhada entre instituições e todas as pessoas. É, por isso, imperioso gerar condições para que a diversidade possa ser vivida e reconhecida, sem que a identidade de alguém se transforme numa razão para a inferiorizar, discriminar ou excluir. 

Muito em breve serão divulgados três episódios do podcast Portugal Plural desenvolvidos dentro do projeto e focados em dar conhecer, respetivamente: um projeto viselense de divulgação de trajetórias de pessoas migrantes em Portugal; um projeto portuense de disseminação de histórias de pessoas ciganas e uma investigação focada no mapeamento de comunidades religiosas em todo o país.

No próximo dia 14 de outubro o projeto Words Matter realiza o seu webinar nacional, dedicado a por em debate diferentes perspetivas sobre o papel dos media e das redes sociais no combate ao discurso de ódio, a discutir a representação mediática de diferentes grupos minoritários e a partilhar práticas no âmbito da prevenção e combate ao discurso de ódio. Inscrevam-se aqui e participem!

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Words Matter promove partilha de práticas para combater o discurso de ódio

Cidades portuguesas e organizações da sociedade civil reuniram-se num evento online para partilhar experiências de promoção da interculturalidade, prevenção da discriminação e combate ao discurso de ódio.

A Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (RPCI) promoveu, no dia 1 de junho de 2026, uma sessão online de Partilha de Práticas, via Teams, integrada no projeto Words Matter. Ao longo de três horas, staff municipal e representantes de organizações da sociedade civil apresentaram projetos e recursos próprios destinados a prevenir o preconceito e a discriminação, valorizar a diversidade e combater o discurso de ódio.

A sessão foi facilitada e acompanhada pela equipa da RPCI (Daniela Sebastião, Eva Calado e Inês Granja) e contou com intervenções dos municípios de Barcelos, Viseu, Portimão e Porto, bem como da Amnistia Internacional, da EAPN Portugal – Rede Europeia Anti-Pobreza e do Polmedia_EU.UBI.

Inês Granja abriu o encontro com a apresentação do enquadramento da RPCI e dos objetivos do Words Matter, destacando a importância da troca de experiências, desafios e aprendizagens entre cidades.

Tânia Carvalho apresentou depois o trabalho desenvolvido em Barcelos, nomeadamente práticas de antirracismo nas escolas, o projeto STAND e a exposição itinerante “A Viagem Cigana”, concebida para valorizar a história, a cultura e o contributo das comunidades ciganas.

Por Viseu, Maria Fernanda Oliveira apresentou o projeto “Escola de Liberdade Cultural” e o trabalho desenvolvido com comunidades ciganas para combater o abandono e o absentismo escolar, melhorar o sucesso académico e aproximar as famílias da escola. A experiência permitiu reduzir o abandono escolar e os conflitos e reforçar a relação entre a comunidade cigana e a comunidade maioritária.

Paula Pereira deu a conhecer as práticas de Portimão, entre as quais “Portimão, eu vim de longe”, que reuniu num livro testemunhos de dez pessoas migrantes, e “Portimão, a diversidade que nos une”, iniciativa que inclui ações de sensibilização nas escolas. Ambas procuram promover narrativas positivas sobre as migrações e prevenir a discriminação e o discurso de ódio.

Paula Ferreira apresentou experiências do Porto, como o “Mapa Delas”, dedicado às histórias de mulheres migrantes, o jogo V.O.Z., o audiolivro “Preconceber não é conhecer” e uma formação piloto de facilitadores interculturais na área da saúde.

A Amnistia Internacional apresentou o programa “Escolas Amigas dos Direitos Humanos” e recursos educativos para trabalhar direitos humanos, autoritarismo, populismo e discurso de ódio. Foi também partilhada a experiência de um workshop sobre redes sociais, informação e discurso de ódio, realizado com jovens e orientado para a desconstrução de estereótipos e o desenvolvimento do pensamento crítico.

Tiago Caio apresentou o trabalho da EAPN Portugal, incluindo documentários, exposições, campanhas e iniciativas de educação não formal utilizadas para desconstruir preconceitos sobre pessoas migrantes, refugiadas, comunidades ciganas e outros grupos mais expostos à exclusão e ao discurso de ódio.

Por fim, a equipa do projeto Polmedia_EU.UBI apresentou o workshop “Redes Sociais e os Jovens: Informação e Discurso de Ódio”, implementado no Agrupamento de Escolas do Fundão, o qual visa contribuir para uma participação cívica informada das novas gerações.

O encontro terminou com a apresentação dos próximos passos do Words Matter, que incluem formação para agentes de prevenção, ações de sensibilização nos territórios, publicação de materiais e dois webinars. O projeto encerra em novembro de 2026.

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𝗣𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗙𝗔𝗠𝗜𝟮𝟬𝟯𝟬 – 𝗝𝗮́ 𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗮𝘀 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝘃𝗲𝗻𝗰𝗲𝗱𝗼𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 “𝗖𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗲 𝗠𝗲𝘀𝗺𝗼 𝗩𝗶𝗹𝗮 𝗩𝗲𝗿𝗱𝗲?”!

Fonte: Facebook – Município de Vila Verde

No seguimento da campanha de sensibilização que a RPCI está a desenvolver com o Município de Vila Verde, no âmbito do projeto FAMI2030-FAMI-01429500, vimos anunciar as pessoas vencedoras do concurso “Conheces mesmo Vila Verde?”.

O nosso agradecimento a todas as pessoas que participaram.

Cada resposta contribuiu para promover uma maior reflexão sobre a diversidade, a interculturalidade e a realidade do concelho.

Parabéns às pessoas vencedoras que ganharam vales FNAC:

Isabel Pereira Santos

Mariana Martins Magalhães

Patrícia Silva Pereira

Ao longo do concurso promovido no âmbito do Projeto FAMI2030-FAMI-01429500, foram partilhados dados e curiosidades que desafiam alguns dos mitos mais comuns sobre as migrações.

Sabia que, em Portugal, as pessoas migrantes contribuem mais para a Segurança Social do que recebem em prestações sociais? Este dado demonstra a importância do seu contributo para a sociedade e contraria a ideia de que vêm para Portugal para viver de subsídios.

Consulte todas as respostas corretas em:

https://cidadesinterculturais.pt/sera-que-conhece-mesmo…

Imagem da Praça do Município, em Vila Verde. Autoria da Câmara Municipal de Vila Verde.

As melhores frases apresentadas no concurso deram origem à exposição “Conhece Mesmo Vila Verde?”, que está patente ao público de 29 de julho e até 16 de agosto, na Avenida da República, em Vila Verde, integrada na programação do Festival InterNações.

Convidamos toda a comunidade a visitar a exposição e a descobrir as palavras que nos desafiam a olhar para a diversidade, a inclusão e a interculturalidade de uma forma diferente.

Marque já na sua agenda e venha descobrir as frases que inspiraram esta exposição.

A iniciativa realiza-se no âmbito do projeto FAMI2030-FAMI-01429500, e integra a estratégia contínua do município para promover a inclusão e reforçar o trabalho desenvolvido junto das comunidades de diversas origens, contribuindo para uma sociedade mais coesa, informada e intercultural.

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Vila Verde continua a dar cartas na promoção da coesão social e interculturalidade

Por: Eva Calado

No final do ano de 2025, o Município de Vila Verde convidou a Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (RPCI) para trabalhar numa campanha de sensibilização contra a discriminação que visa envolver toda a comunidade através de uma abordagem dinâmica e participativa. Entre os principais objetivos estão o combate ao discurso de ódio, a desconstrução de estereótipos e preconceitos, a promoção da igualdade de oportunidades e a divulgação de informação sobre as vias legais da migração e os mecanismos de denúncia de discriminação.

Esta iniciativa realiza-se no âmbito do projeto FAMI2030-FAMI-01429500, e integra a estratégia contínua do município e da RPCI para promover a inclusão e reforçar o trabalho desenvolvido junto das comunidades de diversas origens, contribuindo para uma sociedade mais coesa, informada e intercultural.

A equipa (RPCI e Município de Vila Verde) começou os trabalhos no início de 2026 e o fim da campanha está previsto para dezembro de 2026. Ficou decidido que esta campanha iria envolver toda a comunidade através de uma abordagem dinâmica e participativa; e também que iria-se aproveitar para assinalar o Mês da Diversidade (promovido pela Comissão Europeia) e, por isso, foi planeado lançar a campanha entre os meses de maio e junho.

A campanha foi implementada em várias fases. Numa primeira fase, foram auscultadas as comunidades locais (em finais de abril, aproveitando sinergias com o projeto STAND a decorrer no mesmo período e com objetivos semelhantes) para obter, em primeira mão, informações sobre situações de discriminação e preconceito na Vila e co-criar mensagens relevantes de sensibilização sobre estes temas.

Numa segunda fase, em maio, foi lançado o questionário com perguntas sobre o tecido sócio-cultural de Vila Verde; para isso, foram criados e divulgados cartazes e publicações enigmáticas nas redes sociais com a pergunta “Conhece mesmo Vila Verde?” e um QR code, para estimular a curiosidade e o envolvimento do público. Estes elementos de comunicação, em formato impresso e digital, foram distribuídos pela cidade em locais estratégicos.

O questionário sobre a realidade das comunidades de diversas origens no concelho destinou-se a todas as pessoas residentes/trabalhadoras (ou estudantes) em Vila Verde e foi lançado em Português e em Inglês. Esteve disponível entre 11/05/2026 e 11/06/2026 e tornou-se também num concurso com direito a prémio para quem tivesse mais respostas certas e criasse uma frase inspiradora e cativante sobre a promoção da inclusão intercultural no município.

Numa terceira fase, a campanha deu destaque a factos e histórias reais, promovendo narrativas positivas e informadas sobre a diversidade local, sob o mote “Sabias que…” e “Eu sou Vila Verde”.

Paralelamente, vão ser disseminados materiais informativos sobre o que constitui discriminação e quais os canais disponíveis para denúncia, com especial enfoque na capacitação das comunidades migrantes para o exercício dos seus direitos.

Para a divulgação da campanha utilizaram-se múltiplos canais de comunicação — incluindo redes sociais, imprensa, transportes públicos e espaços institucionais, garantindo uma ampla cobertura junto de todos os públicos de diversas idades e origens. Estão ainda para vir anúncios de rádio, nas rádios escolares e na rádio local.

Além disso, está prevista uma ação de sensibilização em parceria com as escolas locais onde o público mais jovem vai ter a oportunidade de co-criar os spots de rádio que vão ser lançados até final do ano, reforçando o caráter participativo da iniciativa.

Com um investimento global de cerca de 10 mil euros, financiado pelo FAMI 2030, esta campanha reforça o compromisso da Câmara Municipal de Vila Verde e da RPCI com os valores da interculturalidade, dos direitos humanos e da igualdade.

Não percam mais notícias sobre esta campanha!

Sobre o projeto
O projeto FAMI2030 visa apoiar iniciativas que promovam a integração de nacionais de países terceiros e a sensibilização para as vias legais de migração na União Europeia, contribuindo para sociedades mais inclusivas e informadas.

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STAND – Vila Verde dá voz às histórias de migração através da exposição “Somos Todos/as Migrantes”

No passado dia 29 de julho de 2026, foi inaugurada, na Praça do Município de Vila Verde, a exposição fotográfica “Somos Todos/as Migrantes”, desenvolvida no âmbito do projeto europeu STAND. 

A iniciativa reúne fotografias e testemunhos de pessoas imigrantes que escolheram Vila Verde para viver e de pessoas emigrantes naturais do concelho que construíram os seus percursos de vida noutros países. Através destas narrativas, a exposição dá visibilidade a experiências marcadas por desafios, oportunidades, memórias e sentimentos de pertença, evidenciando a diversidade de trajetórias que fazem parte da história da comunidade local.

Ao colocar as histórias das próprias pessoas no centro da narrativa, a iniciativa contribui para aproximar diferentes realidades e combater estereótipos, promovendo o reconhecimento do contributo das pessoas migrantes para a vida do concelho.

A exposição está patente ao público no centro de Vila Verde, seguindo posteriormente para outros locais do concelho, permitindo que mais pessoas tenham contacto com estas narrativas e perspetivas.

À semelhança das restantes ações do projeto STAND, esta iniciativa procura promover narrativas alternativas que valorizem a diversidade e reforcem o diálogo intercultural.

Vila Verde, 29/07/2026

Vila Verde, 29/07/2026

STAND – Pessoas jovens dão voz aos bairros de Loures

Durante o mês de julho, os bairros da Apelação, Zambujal e Santo António dos Cavaleiros acolheram ações de disseminação de narrativas alternativas desenvolvidas no âmbito do projeto europeu STAND.

Pessoas jovens dos três bairros criaram vídeos onde partilham as suas perspetivas sobre os locais onde vivem, refletindo sobre o que valorizam nas suas comunidades e sobre a identidade de cada território. O objetivo foi dar visibilidade às experiências, ao sentimento de pertença e aos aspetos positivos dos bairros, através de narrativas construídas pelas próprias pessoas jovens.

As ações de disseminação tiveram início a 8 de julho, na Apelação, prosseguiram a 11 de julho, no Zambujal, e concluíram-se a 22 de julho, em Santo António dos Cavaleiros. Em cada bairro, as pessoas jovens apresentaram os vídeos produzidos no âmbito do projeto, participando também em momentos de convívio e em passeios pelos territórios, que permitiram dar a conhecer as comunidades através do olhar de quem nelas vive.

Nesta iniciativa, as pessoas jovens assumiram um papel ativo na construção de novas narrativas sobre os seus territórios, contribuindo para reforçar o diálogo intercultural, a participação comunitária e a valorização da diversidade que caracteriza o concelho.

Através dos vídeos produzidos, as pessoas jovens deram a conhecer o seu bairro, destacando experiências, memórias e sentimentos de pertença. Uma iniciativa que reforça a mensagem “Loures: Uma Cidade de Bairros” e valoriza a diversidade que caracteriza o concelho.

Apelação, 8/07/2026

Zambujal, 11/07/2026

Santo António dos Cavaleiros, 22/07/2026

Words Matter: três dias para combater o discurso de ódio com formação, diálogo e ação local

Por: Daniela Sebastião

O projeto Words Matter parte de uma premissa simples e poderosa: as palavras importam. O seu objetivo central é capacitar agentes locais, pessoal técnico e profissionais de intervenção social e comunitária, para identificar, compreender e combater o discurso de ódio nos seus territórios, promovendo ao mesmo tempo formas de comunicação mais conscientes, inclusivas e alinhadas com os princípios dos direitos humanos.

Entre os dias 15 e 17 de junho de 2026, decorreu uma formação de três dias, promovida pela Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (RPCI), com um total de 24 horas distribuídas por sessões de manhã e tarde. A formação teve como principal objetivo dotar as pessoas participantes de competências interculturais, ferramentas de leitura crítica do discurso de ódio e instrumentos práticos para desenvolver narrativas alternativas e planos de ação local. Cada dia correspondeu a um bloco temático progressivo, da sensibilização à ação.

No primeiro dia, o enfoque recaiu sobre as competências interculturais, a identidade, a pertença e a comunicação inclusiva. A sessão permitiu uma reflexão partilhada sobre experiências pessoais e profissionais, criando um ambiente de abertura e participação. Na parte da tarde, aprofundou-se o tema do discurso de ódio, os seus mecanismos de disseminação e os seus impactos, bem como as lógicas de polarização, os limites entre liberdade de expressão e incitamento ao ódio, e o papel de microagressões e do humor na perpetuação de preconceitos. 

O segundo dia centrou-se nos ecossistemas digitais de comunicação, nos algoritmos, nas bolhas informativas e na economia da atenção, evidenciando como estes fatores influenciam a circulação de desinformação e de mensagens discriminatórias, a formação sublinhou a importância da literacia mediática como competência cívica indispensável. Na parte da tarde, foram trabalhadas estratégias de resposta ao discurso de ódio, distinguindo entre contra-narrativa e narrativa alternativa, com exercícios práticos orientados para a promoção da diversidade, da inclusão e dos direitos humanos. 

O terceiro dia foi dedicado à intervenção local e à aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. As pessoas participantes identificaram desafios concretos nos seus contextos e refletiram sobre o papel dos agentes locais enquanto facilitadores de inclusão e mediadores comunitários. Um dos momentos mais marcantes foi o Laboratório de Ação Local, onde, em grupo, foram desenhadas propostas concretas, como narrativas alternativas, iniciativas de educação para os direitos humanos e estratégias de sensibilização comunitária, que servirão de base aos planos de ação local na próxima fase do projeto. 

A formação encerrou com um balanço positivo, marcado pelo envolvimento das pessoas participantes e pela convicção de que o trabalho está apenas a começar.

A coordenação deste projeto está a cargo da RPCI Cooperativa

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Save the date! Webinar sobre os desafios no combate ao discurso de ódio

O projeto Words Matter, organizado pela RPCI em consórcio com os municípios de Barcelos, Portimão, Porto e Viseu, pretende contribuir para a prevenção e o combate ao discurso de ódio, através da promoção da educação para os direitos humanos, da cidadania democrática e da literacia mediática. Até novembro de 2026, o projeto desenvolverá diversas iniciativas dirigidas a crianças, pessoas jovens e adultas, estudantes e profissionais, das cidades parceiras mencionadas, promovendo a capacitação de agentes locais e a aprendizagem em rede.

Neste âmbito, realizaremos, no próximo dia 14 de outubro, entre as 15:00 e as 18:00 (hora de Portugal Continental), o Webinar entitulado “Desafios no combate ao discurso de ódio: média e redes sociais”, dirigido a profissionais dos municípios da RPCI e de outras entidades parceiras. A iniciativa será igualmente acreditada como Ação de Curta Duração (3 horas) para profissionais da educação.

Estamos a organizar um painel que procurará articular diferentes perspetivas sobre o papel dos media e das redes sociais na prevenção e no combate ao discurso de ódio. A sessão terá início com um enquadramento institucional sobre os desafios regulatórios e o equilíbrio entre liberdade de expressão e proteção dos direitos fundamentais, seguindo-se intervenções dedicadas à representação mediática de diferentes grupos minoritários e aos desafios específicos que enfrentam. O painel culminará num momento de diálogo entre os oradores e de interação com os participantes. A composição do painel encontra-se ainda em fase de confirmação.

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FAIR – RPCI promove formação «Interculturalidade, Inclusão e Comunidades Ciganas» em quatro municípios portugueses

A Rede Portuguesa de Cidades Interculturais (RPCI) promoveu, entre os dias 16 de junho e 1 de julho de 2026, o ciclo de formações «Interculturalidade, Inclusão e Comunidades Ciganas» nos municípios de Oeiras, Barcelos, Cascais e Viseu, no âmbito do projeto europeu FAIR EUROPE – Fostering Awareness and Interculturalism with Roma Communities in European Cities.

As formações envolveram 82 participantes, entre staff municipal, pessoas profissionais da educação, de organizações da sociedade civil, da mediação, das forças de segurança e de comunidades ciganas. A equipa formativa contou com Bruno Gonçalves (Letras Nómadas) contribuindo para integrar perspetivas e experiências ciganas nos conteúdos abordados.

O programa foi desenvolvido com base nos resultados do diagnóstico realizado na fase inicial do projeto e procurou reforçar conhecimentos e competências em três áreas fundamentais: História e Cultura Cigana, Competências Interculturais e Discriminação e Inclusão.

Ao longo das sessões foram abordados temas como a história cigana e diversidade presente nas comunidades, os mecanismos que sustentam estereótipos e preconceitos, o anticiganismo, a discriminação sistémica e as metodologias participativas de promoção da inclusão. As formações privilegiaram uma abordagem prática e participativa, promovendo o diálogo e a troca de experiências entre participantes de diferentes áreas de intervenção.

As ações decorreram em Oeiras (16, 17 e 18 de junho), Barcelos (23, 24 e 25 de junho), Cascais (24 e 25 de junho) e Viseu (29 e 30 de junho e 1 de julho). 

Esta atividade constitui mais uma etapa do projeto FAIR EUROPE, que continuará nos próximos meses com a elaboração de planos de ação local e atividades-piloto para a promoção da inclusão de comunidades ciganas nos territórios participantes.

Formação Oeiras

Formação Cascais

Formação Barcelos

Formação Viseu

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STAND – Barcelos inaugura exposição itinerante “Viagem Cigana”

Foi inaugurada, no dia 24 de junho de 2026, Dia Nacional das Pessoas Ciganas, na freguesia de Barqueiros, em Barcelos, a exposição itinerante “Viagem Cigana”, no âmbito do projeto europeu STAND – Strengthening Towns’ Activation for new Narratives on Diversity.

A iniciativa reuniu pessoas de comunidades ciganas do concelho, representantes de autoridades locais, staff de organizações da sociedade civil e pessoas com funções de decisão política do Município de Barcelos, promovendo um espaço de encontro, partilha e diálogo intercultural.

A exposição tem como principal objetivo promover o conhecimento sobre a história e a cultura ciganas, contribuindo para a desconstrução de estereótipos através da valorização de narrativas alternativas, construídas a partir das experiências e perspetivas de pessoas e comunidades ciganas.

Composta por 20 painéis informativos e artísticos, “Viagem Cigana” apresenta diferentes dimensões das tradições, expressões culturais e experiências de vida. Integra ainda fotografias de trabalhos desenvolvidos por crianças do concelho de Barcelos, que expressam, através dos seus desenhos, sonhos, expectativas e visões sobre o futuro.

A iniciativa assume também uma vertente pedagógica, sendo dirigida a alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico do município, promovendo a aprendizagem coletiva e a sensibilização para a diversidade cultural e o respeito mútuo desde a infância. Inclui igualmente uma componente participativa, convidando as pessoas visitantes a deixarem testemunhos num livro de honra, ou através de um questionário digital acessível por QR Code.

Após a inauguração em Barqueiros, a exposição seguirá um percurso itinerante por várias freguesias do concelho — Fornelos, Carapeços, Martim, Gamil e Viatodos — terminando no centro da cidade de Barcelos em outubro de 2026.

À semelhança das restantes ações do projeto STAND, a iniciativa insere-se na promoção de narrativas que valorizem a convivência na diversidade e o contributo de comunidades ciganas para o desenvolvimento social e cultural, reforçando o diálogo intercultural e a construção de uma sociedade mais inclusiva.

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