Webinar Educação, Género e Interculturalidade, 26 setembro 14h30

Participe no webinar sobre Educação, Género e Interculturalidade. Dia 26/09/2022 às 14:30: https://lnkd.in/duYnx76D

No âmbito do projeto “Género e Interculturalidade”, a Rede Portuguesa de Cidades Interculturais dá continuidade à série de webinars sobre o tópico.
A primeira edição focou-se nas questões da saúde, o segundo webinar virou-se para a comunicação, e este último vai centrar-se na educação. Estas são três áreas chave que identificámos como críticas nas questões da interculturalidade.

É já na próxima 2a feira, dia 26 de setembro, que nos juntamos em torno da mesa de novo, sempre com convidados e convidadas que têm muito para dizer.

Como está o nosso país no que diz respeito à interculturalidade e diversidade na educação? As nossas escolas são inclusivas? Como educar para a aceitação e inclusão?

É o que nos leva a mais um debate, que promete ser inspirador!

PROGRAMA:
14:30 – Apresentação RPCI
14:45 – Introdução ao tema com Maria José Casa-Nova (CIED – Universidade do Minho)
15:00 – Mesa redonda

-Lúcia Vicente (autora, atriz, contadora de histórias)

-Margarida Pacheco (ART´THEMIS+ /UMAR)

-Olga Mariano (Letras Nómadas)

-Rosa Moniz (Life & Leader Coach)
16:00 – Debate
16:30 – Encerramento

Este evento é gratuito e aberto a todas as pessoas.
As inscrições podem ser feitas através deste formulário: https://lnkd.in/duYnx76D

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#cidadesinterculturais

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Webinar: «Comunicação, Género e Interculturalidade» 27 junho

No dia 27 de junho do presente ano, foi realizado mais um webinar no âmbito do Projeto Género e Interculturalidade. O evento foi iniciado com uma breve apresentação da Rede Portuguesa das Cidades Interculturais, da Cooperativa RPCI e do projeto Género e Interculturalidade. Neste webinar, focado na Comunicação, Género e Interculturalidade, tivemos a presença de quatro oradoras: Alice Marcelino (artista visual), Yolanda Tati (locutora de rádio e influencer),  Sónia Matos  (AMUCIP) e  Ana Paula Costa da Casa do Brasil Lisboa (Projeto MigraMyths).

Após a apresentação inicial, a jornalista Catarina Marques Rodrigues, especialista em questões de género e desigualdades e fundadora da plataforma Gender Calling, introduziu o tema. Salientou sobre a falta de representação de mulheres e de pessoas representantes da diversidade sociocultural nos media, tanto nas notícias, como nos cargos de liderança e gestão das organizações mediáticas. 

A jornalista referiu dados que revelam que os temas da igualdade de género são considerados muito importantes para o público em geral e, em especial, para a geração Z. A maioria das pessoas inquiridas considera que os media têm progredido nestes temas, mas que ainda há muito trabalho a realizar. A geração Z considera que os media têm um papel importante a desempenhar neste âmbito.

Sublinhou que os medias transmitem às pessoas imagens, podendo favorecer enviesamentos inconscientes, nomeadamente em relação à aparência, à idade, ao género, entre outros. Referiu ainda que, de acordo com o último inquérito European Social Survey, 62% das pessoas em Portugal manifestam alguma forma de racismo.

Catarina Marques Rodrigues sugere ainda que quando escrevemos um texto e queremos garantir que a nossa comunicação está a ser feita de forma correta e inclusiva, devemos responder às seguintes questões: Posso estar a ofender alguém?; Estou a deixar alguém de parte?; Estou a propagar um estigma ou uma ideia pré-concebida? E que para uma pessoa tornar-se antirracista tem de passar por um processo, que passa por três zonas: zona do medo, zona da aprendizagem e zona do crescimento.

Após a sua apresentação, Catarina Marques Rodrigues questionou as convidadas para participar na mesa-redonda, acerca das suas experiências pessoais e do trabalho que têm desenvolvido.

A cientista social e  membro da direção da Associação Casa do Brasil, responsável pelo Projeto Migra Myths, Ana Paula Costa, destacou que o processo de imigração é um processo de crise, nunca é confortável. Num primeiro momento há sempre um processo de ajustamento, que se sente de uma forma mais premente no caso das mulheres migrantes, pois a desigualdade pré-estabelecida que existe entre homens e mulheres também se coloca na migração. Em alguns casos foram os homens que chegaram primeiro e encontraram empregos e as mulheres vêm numa situação de dependência financeira. 

Nos relatórios do projeto Migra Myths é possível encontrar relatos de discriminação nos serviços públicos. A discriminação, em particular sofrida pelas mulheres migrantes, é sentida em diversas áreas. A saúde é onde aparecem mais relatos de discriminação, de situações de assédio e de dificuldades devido à barreira linguística. Em relação ao atendimento recebido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, há relatos de xenofobia, racismo e denúncias de bloqueios ao processo. Há relatos que na Segurança Social e nos Serviços de Finanças muitas vezes as pessoas que atendem as pessoas migrantes desconhecem os procedimentos. Até uma pessoa obter uma autorização de residência encontra-se muitas vezes num limbo, situação que aumenta a sua vulnerabilidade. 

A pessoa migrante acaba por não denunciar porque tem medo, receio de ser enviada de volta por estar numa situação por vezes irregular e vulnerável. 

É importante trabalhar a comunicação para combater os preconceitos, inclusive a partir das redes sociais. Nesse sentido a convidada salientou que há associações de pessoas migrantes que estão na vanguarda em Portugal e que funcionam de uma forma coordenada.

A artista visual, portuguesa de origem angolana, Alice Marcelino referiu que o corpo negro é muito policiado pela sociedade, pela forma como se veste, como se expressa e por exemplo através do cabelo. Uma mulher negra que usa o cabelo de uma forma natural é alvo de vários julgamentos e estereótipos. 

Como uma mulher negra que já viveu em diversos países (Portugal, França, Reino Unido, Grécia), Alice também abordou as circunstâncias da integração. Expôs que os desafios à integração para uma pessoa negra começam logo no momento da viagem. Antes de migrar para outro país, uma pessoa negra precisa de realizar uma pesquisa para averiguar se é um país em que poderá ser alvo de racismo flagrante, se há cabeleireiros habilitados a tratar do seu tipo de cabelo, se há produtos para o seu tipo de pele, por exemplo.

No campo profissional, o primeiro desafio é a indústria da publicidade, por ser ainda uma área dominada por homens brancos, estando o sistema desenhado para as necessidades dos homens desde as oportunidades de trabalho até quem toma as  decisões. Referiu igualmente que existe uma expectativa de que, por ser uma mulher negra, terá apenas uma narrativa: a da opressão, que embora faça parte da experiência de muitos indivíduos negros, não é única questão e isso acaba por fechar muitas portas. 

Diante deste cenário, encontra-se ainda outra questão em relação às mulheres. Nota-se que ainda existem pouquíssimas oportunidades para artistas que são também mães, quando comparadas com homens artistas que também são pais, mas, continuam a desenvolver as suas carreiras, sem que o facto de terem filhos seja um obstáculo.

A locutora e influenciadora, Yolanda Tati, partilhou a sua experiência de início de carreira e de maternidade. No  início de carreira no campo dos media, enfrentou algumas barreiras, pois havia uma ideia generalizada, entre agentes de media, de que o seu perfil de mulher negra não seria uma voz que as pessoas queriam ouvir.  Gradualmente esta situação foi sendo modificada, foi-se percebendo que esse espaço existia, mas não estava a ser explorado adequadamente.

Yolanda detém uma presença muito significativa nas redes sociais e, quando se tornou mãe de uma criança filha do seu parceiro, que é um homem branco, houve muita especulação sobre a cor de pele do bebé. A influencer referiu que muitas vezes a sua cor de pele e género criam de imediato uma expectativa de que será uma pessoa agressiva, uma trabalhadora doméstica ou com uma personalidade promíscua, dado estes serem estereótipos e preconceitos sofridos por mulheres negras, como se o seu lugar fosse apenas aquele e não pudessem ocupar outros lugares, inclusive um lugar de sucesso. 

O movimento black lives matter veio alterar o panorama global. A partir do debate iniciado por este movimento, as marcas mudaram o seu posicionamento e Yolanda aumentou muito a sua carteira de clientes. Outra situação curiosa, foi quando da sua participação numa campanha publicitária na qual usava o cabelo liso, tendo sido criticada por isso. A conclusão a que chega é a de que  as mulheres negras são tão pouco representadas que a partir do momento que surge uma mulher negra, ela tem que usar usar o cabelo de forma natural para que possa representar outras mulheres. Ainda não se chegou ao ponto em que uma mulher negra pode ser o que quiser e usar o cabelo como quiser. Nos media portugueses ainda há uma longa luta pela frente para se conseguir uma maior representatividade, em particular na televisão. 

Sónia Matos, presidente da Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas (AMUCIP), debruçou-se sobre a questão da educação e da importância do acesso pleno à mesma para as mulheres ciganas, para que se quebre o ciclo de exclusão social a que muitas vezes estão votadas, estando muitas vezes dependentes dos homens para gerir as suas vidas. 

Nas suas palavras, a cultura cigana é a cultura portuguesa de há 50 anos, no qual o papel da mulher era ser dona de casa e mãe. 

Para a mulher cigana só agora, no presente século, é que se começa a dar os primeiros passos para conquistar espaço e independência e, na sua opinião, o pontapé para isso acontecer começa pela integração escolar.

A AMUPIC trabalha com mulheres e homens da comunidade cigana para que o acesso à educação seja uma realidade, mesmo para as mulheres já casadas e que saíram da escola há muito tempo. Hoje existem mais de 40 pessoas ciganas licenciadas em Portugal,  a realidade já começa a mudar, mas é necessária muita perseverança e dedicação. Sensibilizar profissionais de educação é de extrema importância, principalmente porque algumas crianças ciganas ingressam no primeiro ciclo sem ter tido nenhuma experiência escolar e por isso têm mais dificuldades, e para que transmitam expectativas positivas às meninas ciganas na escola e as ajudem a acreditar em si mesmas, aumentando a auto estima das mesmas e evitando perpetuar estereótipos e crenças negativas sobre a comunidade cigana. 

Outra questão importante relativamente às pessoas ciganas é o bairro social, que por si só já carregam muitos estigmas e estereótipos. É necessário ouvir a comunidade, trabalhar com os mediadores sócio-culturais das escolas, é necessário ter representatividade nas escolas, é necessário as crianças ciganas sentirem aquele espaço também como seu.

Outras questões afetam profundamente a comunidade, como por exemplo a linguagem e os estereótipos existentes, o fato de os projetos sociais acontecerem com tempo limitado e muitas vezes curto.

Algo de positivo para as pessoas ciganas foi o rendimento social de inserção (RSI) que alterou o cenário e permitiu às pessoas sonharem e dar saltos para o futuro. As redes sociais também geraram importantes mudanças na comunidade cigana. As jovens da comunidade utilizam muito os telemóveis e as redes sociais. Isso possibilita-lhes falar com os rapazes com quem vão casar antes do casamento, o que não acontecia antes. Mas, é visível que falta ainda boa vontade da sociedade em possibilitar que haja representatividade de pessoas ciganas.

Com pena porque não conseguiram participar? Então não percam o próximo, já no dia 26 de setembro pelas 14h30, onde iremos falar de educação!

RPCI no encontro da Rede Cidades Educadoras em Viseu

No passado dia 3 de junho a RPCI esteve presente no encontro da rede de Cidades Educadoras, em Viseu, a convite do município. Neste encontro a RPCI teve oportunidade de aprender sobre esta rede e sobre os diversos projetos a decorrer em Viseu neste âmbito, bem como de falar cobre o conceito de interculturalidade e de como tal se liga com o conceito de cidade educadora. Por fim, foi possível apresentar o funcionamento da RPCI e da cooperativa recém-criada para apoiar a mesma, tendo tal sido recebida com muito entusiasmo pela audiência, composta por diversos municípios e freguesias de norte a sul do país.

Esta rede, que congrega centenas de cidades um pouco por todo o Mundo, tem por mote “não deixar ninguém para trás”, o que se ajusta nos valores da Rede Portuguesa de Cidades Interculturais. Parabenizamos Viseu e as restantes cidades por esta importante iniciativa!

Créditos: Viseu Now

Próximo webinar: Comunicação, Género e Interculturalidade

Save the date: 27/6/2022 | 14:30-16:30

No âmbito do projeto “Género e Interculturalidade”, a Rede Portuguesa de Cidades Interculturais dá continuidade à série de webinars sobre o tópico.  Enquanto a primeira edição focava-se nas questões da saúde, vamos agora olhar para a comunicação.

Assim, é no dia 27 de junho que nos juntamos em torno da mesa de novo, desta vez para explorar os meandros da comunicação no que diz respeito às questões de género e interculturalidade. 

A comunicação faz parte da essência humana, não podemos não comunicar. Comunicamos por palavras, por gestos, por expressões, por imagens, por sons. Comunicamos de forma direta e indireta o que sentimos, o que precisamos e o que pensamos. Pela comunicação educamos e sensibilizamos, alertamos e sonhamos, mas também por vezes, só desabafamos desalentos dentro de nós. O que diz a nossa comunicação sobre as mulheres? E sobre as mulheres que sintam pertença a diferentes religiões, etnias ou geografias? Como pode ser usada para provocar novas mentalidades? Sabemos distinguir opiniões de factos?

É o que nos leva a este debate, que promete ser inspirador!

Contaremos com a moderação de Catarina Marques Rodrigues, Jornalista, e as seguintes convidadas:

Alice Marcelino, Artista Visual

Yolanda Tati, locutora de rádio e influenciadora

Sónia Matos – Ass. para o desenvolvimento das Mulheres Ciganas em Portugal (AMUCIP)

Ana Paula Costa – Projeto MigraMyths, Casa do Brasil de Lisboa

Este evento é gratuito e aberto a todas as pessoas. As inscrições podem ser feitas por meio deste formulário. 

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Ciclo de Webinars “Género e Interculturalidade” já começou!

No dia 30 de maio de 2022, ocorreu o webinar “Saúde, Género e Interculturalidade”, evento realizado a partir do projeto “Género e Interculturalidade”, desenvolvido pela Cooperativa Rede Portuguesa das Cidades Interculturais em parceria com as cidades de Lisboa, Oeiras e Vila Verde e financiamento do Conselho da Europa. 

O objetivo do encontro foi ampliar e aprofundar o debate a respeito da construção de políticas públicas para a saúde que levem em consideração as questões de género e a sua interseccionalidade com a interculturalidade. O evento foi iniciado com a apresentação da RPCI e do Projeto “Género e Interculturalidade”, após o que foi realizada uma mesa redonda com a presença das seguintes participantes:

Aprendizagens e reflexões

Para abertura dos trabalhos foi feita uma breve introdução sobre o tema, abordando pontos importantes sobre saúde, género e interculturalidade, que foram aprofundados posteriormente. 

Um ponto de destaque sobre o tema abordado é a importância de se respeitar, aceitar e valorizar as diferenças culturais que envolvem aspectos como, migração, questões étnico-raciais e género, além da importância de uma abordagem empoderadora da interculturalidade e diversidade, que não faça uso de práticas que possam ser sentidas como paternalistas, condescendentes, preconceituosas ou etnocêntricas. 

Relativamente à saúde, foi falado sobre a importância do olhar intercultural, de maneira integrada, que seja capaz de avaliar os desafios e necessidades práticas em relação ao acesso e acessibilidade das pessoas nos sistemas públicos, sobretudo no que diz respeito à recepção das pessoas migrantes quando procuram por serviços médicos, a começar pela falta de acolhimento por parte das pessoas que fazem o contato inicial. Verificou-se que para este acesso, o idioma também pode ser um dificultador. Além disso, a própria linguagem médica, pode criar um entrave para a comunicação com pessoas que têm baixo grau de instrução e torna-se ainda necessário ter conhecimento sobre as diferentes práticas culturais e refletir sobre preconceitos e práticas existentes, que podem levar, por exemplo, a violências obstétricas contra mulheres. 

A importância de um trabalho multidisciplinar

É importante ter em atenção a evolução do entendimento sobre diversidade e a importância da compreensão do processo. Normalmente o ponto de partida é um olhar enviesado pela abordagem étnica/racial/cultural, em que a pessoa migrante é entendida como “estranha” ou o “outro”, não pertencente àquela sociedade em que estão inseridas e que apresentam riscos em casos e momentos de crise. 

Entretanto, devemos adotar um olhar holístico/integrado, em que a pessoa migrante é compreendida nas suas múltiplas dimensões e, portanto, parte integrante de um todo. Assim sendo, os serviços integrados devem  promover uma maior sensibilização dos sistemas de saúde, incluindo os profissionais e toda a sociedade civil, para como resultado haver uma melhoria para todas as pessoas, incluindo as que se encontram em vulnerabilidade socioeconômica. 

Relativamente às práticas existentes, as convidadas falaram um pouco sobre cada projeto em curso. 

Unidades móveis de saúde: a unidade móvel de saúde do SNS que se localizava na Venda Nova, Amadora, realizava um serviço importante para a população. Implicava a prestação de serviços de proximidade em relação à saúde materno-infantil e reprodutiva, bem como apoio à marcação de consultas e procurava preencher as dificuldades de acesso ao Sistema Nacional de Saúde. No entanto, em decorrência da evolução natural do SNS esta unidade móvel transformou-se em unidade de saúde familiar que, por definição, não atendem pessoas migrantes indocumentadas, pondo fim à existência desta boa prática.

Projeto Informa em Ação: a Casa do Brasil, divulgou o projeto “Informa em Ação” desenvolvido por meio de um processo participativo que contou com o envolvimento de profissionais de diversas áreas e pessoas migrantes. O resultado foi a elaboração de guias informativos disponibilizados em 6 línguas: bengali, francês, inglês, mandarim, nepali e português, sendo a tradução realizada por pessoas da própria comunidade.

Programa Mujer, Salud y Violencia: o projeto desenvolvido pela cidade de Bilbao, Espanha, com foco no empoderamento de mulheres imigrantes, mediante a prevenção da violência de género e promoção de saúde sexual e reprodutiva. Utilizam o efeito multiplicador que consiste no estabelecimento de canais de transmissão nas comunidades das participantes, sensibilizando e informando as mulheres em seu entorno,  em cinco linhas de intervenção: Formação e consolidação de agentes de empoderamento; Consolidação da rede de stakeholders; Prevenção integral da mutilação genital feminina; Guia mulheres; Guia para diálogos entre mulheres. 

A menarca vai a escola“  A menarca vai à escola” é um projeto desenvolvido pela equipa do movimento #TodasMerecemos e da Corações com Coroa, com o objetivo de ampliar o debate sobre menstruação, pobreza menstrual e sustentabilidade, dirigido a estudantes do 8º ano. Foram desenvolvidas ações para desconstruir os tabus que ainda persistem sobre o tema da saúde ligada à menstruação. Foi reforçada a importância do projeto ter sido desenvolvido desde o  início em ambiente escolar.

Grupo de mulheres sobreviventes à violência: Trata-se de um espaço comunitário em que mulheres pertencentes a grupos excluídos socialmente possam confraternizar e fazer reuniões de apoio mútuo, que acontece semanalmente no espaço da Sirigaita, uma associação cultural no bairro do Intendente. Todas as decisões são realizadas em assembleia horizontal e levando em consideração que abrangem cerca de 10 nacionalidades, a comunicação intercultural é um princípio norteador de todas as atividades. Um dos objetivos do grupo também é atuação em rede, para que haja diálogo com outros coletivos feministas da cidade, de modo a contribuírem na construção de políticas públicas.

Trabalho voltado para os homens: Tertúlia realizada em comemoração do dia da mulher cabo-verdiana em 2022,  sobre as dificuldades da mulher cabo-verdiana na diáspora, entre outros assuntos, contando inclusive com expressiva participação masculina, em que foi possível dialogar acerca das diferenças de género de maneira saudável e respeitosa. O sucesso nesta abordagem pode ser verificado no fato de os próprios homens terem pedido outro encontro deste tipo, mostrando uma abertura na construção de novas perspectivas culturais. 

Dificuldades encontradas na promoção de uma saúde mais intercultural

Algo importante a ser observado diante deste debate é que, independentemente do recorte feito, as dificuldades encontradas são muito similares, principalmente no que se refere a  financiamentos para realização de atividades com a população. Além disso, foram levantadas reflexões sobre a sustentabilidade e importância de pensar em projetos que tenham continuidade temporal, mesmo quando as fontes de recursos se esgotam. 

Reforçou-se ainda que é necessária uma maior atenção para o  trabalho com as comunidades ciganas, já que por questões geracionais, leva-se mais tempo para realizar projetos de sensibilização e apoio.

Outro ponto praticamente unânime, refere-se à melhoria na formação administrativa das pessoas que trabalham nos centros de saúde, bem como a necessidade de se investir em conhecimento sobre os diferentes grupos que habitam em Portugal, a fim de promover a construção de equipes médicas mais empáticas, respeitosas e capazes de lidar com a interculturalidade. 

Próximos encontros

Se tem interesse pelo tema e não pôde estar presente, não se preocupe! No âmbito do projeto “género e interculturalidade” ainda realizaremos os seguintes encontros:

27 de junho, 14:30-16:30 – Comunicação, Género e Interculturalidade (programa a confirmar)

Próximo Webinar, não perca!

26 de setembro, 14:30-16:30 – Educação, Género e Interculturalidade (programa a confirmar)

Os eventos são gratuitos e abertos a todas as pessoas e as inscrições podem ser feitas por meio deste formulário.  

Quer ficar por dentro de toda a programação da Cooperativa RPCI? Aproveite para nos seguir no LinkedIn, Facebook e Instagram. E para acompanhar mais discussões relevantes, conheça o nosso Podcast Portugal Plural. 

Webinar “Saúde, género e interculturalidade” 30 maio 14h30

A cooperativa Rede Portuguesa das Cidades Interculturais encontra-se a desenvolver um projeto intitulado “Género e Interculturalidade”, apoiado pelo Conselho da Europa e pelas cidades de Lisboa, Oeiras e Vila Verde.

Iniciámos este projeto porque temos interesse em aprender mais sobre a interseccionalidade entre género e as diferentes origens e pertenças étnicas, culturais e religiosas e pretendemos dar mais visibilidade a estas questões e ajudar a desconstruir mitos e preconceitos.

No âmbito deste projeto estão previstos 3 webinars, onde contaremos com a presença de várias mulheres que nos irão falar de diferentes iniciativas de âmbito profissional e das suas experiências pessoais a este nível:

30 de maio, 14:30-16:30 – Saúde, Género e Interculturalidade (com: Beatriz Padilla, investigadora, Goizane Mota Gago da cidade de Bilbao, Espanha, Cátia Ramos, influencer de bem estar, Cyntia de Paula da Casa do Brasil de Lisboa, Joana Canedo do GAT, Helena Viegas, da Associação Corações com Coroa e Teresa Vieira, mediadora do Núcleo de Apoio às Comunidades Ciganas do ACM)

A imagem refere o programa do evento, descrevendo o nome das convidadas e a data/hora

27 de junho, 14:30-16:30 – Comunicação, Género e Interculturalidade (programa a confirmar)
26 de setembro, 14:30-16:30 – Educação, Género e Interculturalidade (programa a confirmar)

Os eventos são gratuitos e abertos a todas as pessoas. No seguinte formulário pode inscrever-se para todos estes eventos:

Inscrições Webinars “Género e Interculturalidade”

Contratação de pessoas migrantes – Novo episódio Podcast “Portugal Plural”

A Cooperativa Rede Portuguesa de Cidades Interculturais lançou em janeiro deste ano o podcast “Portugal Plural”. Nele, pretendemos trazer informações diversificadas acerca da interculturalidade. O nosso segundo episódio nasceu do projeto “Recrutamento Inclusivo”. Trata-se da entrevista com Rute Carvalho, jurista da ACM e conta com uma explicação jurídica sobre os precedimentos de contratação de pessoas migrantes em Portugal, com e sem documentação.

Ouçam e deixem o vosso feedback, bem como ideias para novos episódios! Esperamos que seja util!

A Rede Portuguesa de Cidades Interculturais dá as boas vindas a Vila Verde e Famalicão!

Durante o mês de março a Rede Portuguesa de Cidades Interculturais (RPCI) recebeu de braços abertos duas novas cidade-membro! É com muito orgulho que acolhemos Vila Verde e Famalicão na nossa família!

Poderão saber mais sobre as cidades e as suas práticas na área da interculturalidade, visitem aqui no nosso site as respetivas páginas: https://cidadesinterculturais.pt/cidades-aderentes/

Aproveitem para saber mais sobre a RPCI nesta página e na página respetiva do Programa Cidades Interculturais: https://www.coe.int/en/web/interculturalcities/portugal

Também no site da rede internacional existem páginas dedicadas às novas cidades:

Será certamente o início de um trabalho inspirador!

Inscrições abertas: Webinar abordagem intercultural às comunidades Roma e viajantes

Povo cigano dançando. | Foto: Reprodução.

O Programa Cidades Interculturais do Conselho da Europa organiza um webinar sobre “Abordagem Intercultural à Inclusão das pessoas Ciganas e Viajantes ao nível local” que terá lugar no dia 27 de abril, das 9h às 11h30 (inscrições aqui)

Este webinar, preparado em coordenação com a equipa do Conselho das pessoas Ciganas e Viajantes do Conselho da Europa que, juntamente com representantes municipais e ativistas Roma e viajantes, apresentarão a sua experiência na utilização de algumas das melhores práticas do Conselho da Europa, incluindo: o papel de mediadores na criação de pontes entre comunidades; a participação comunitária; e o orçamento participativo.

O objetivo do webinar é clarificar alguns dos principais desafios para a inclusão intercultural das pessoas Roma, incluindo:

  1. Aumentar a confiança nas instituições públicas;
  2. Aumentar o conhecimento das instituições sobre a comunidade, a sua diversidade, necessidades e barreiras;
  3. Melhorar a acessibilidade ao ensino formal precoce e melhorar a integração na escola em geral;
  4. Aumentar a confiança e a capacidade na comunidade para participar na tomada de decisões;
  5. Mudar os estereótipos, o preconceito e as narrativas negativas sobre o povo Roma e Viajante;
  6. Abordar as desigualdades de saúde severas;
  7. Incluir as comunidades Roma e viajantes em atividades e eventos interculturais.

O webinar fornecerá aos membros das Cidades Interculturais e outras entidades participantes informações sobre as ferramentas existentes para a inclusão das pessoas Roma e viajantes e iniciará uma discussão sobre como usá-las através de uma lente intercultural.

Durante o evento, autarquias que são membros do programa Cidades Interculturais também partilharão a sua experiência sobre a forma como abordaram algumas das barreiras à inclusão intercultural dos povos Roma e viajantes.

Mais informações aqui

A interculturalidade e a luta das mulheres: como se relacionam?

Photo by Marcela Santos on Pexels.com

8 de março ficou conhecido internacionalmente como o dia da mulher e, portanto, mês costuma ser marcado por diversas atividades a respeito da igualdade de gênero. Entre discussões sobre a importância da data, a falta de representatividade feminina em espaços de poder ou os avanços dos direitos das mulheres nos últimos anos, a interseccionalidade tem ocupado espaço nos debates públicos. 

Porém, muitas pessoas ainda não sabem do que trata este conceito, qual a importância dele na atualidade, muito menos como relacioná-lo com a interculturalidade. Pensando nisso, a RPCI preparou este post (e em breve teremos episódios de podcast sobre o tema), a fim de esclarecer pontos importantes para a construção de ambientes mais diversos e interculturais. Vamos lá?

Qual é a história do dia internacional das mulheres?

A versão mais popular do “surgimento” deste dia, diz respeito ao incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911. De fato, o episódio ocorrido em 25 de março, que resultou em  130 operárias carbonizadas, pode ser considerado um marco para a luta feminista ao longo do século 20, mas os eventos que originaram a criação da data, aconteceram ainda no século XIX, marcado pelo cenário da Revolução Industrial e as mudanças ocorridas nas relações de trabalho. 

Os registros contam que as jornadas exaustivas, os salários medíocres, a falta de direitos e o trabalho infantil, levaram as mulheres a protagonizarem greves contra a exploração, reivindicando melhores condições de trabalho. Assim, o primeiro dia nacional da mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, após 1500 mulheres aderirem a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data em 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

A Luta das mulheres é algo que transpassa barreiras, incluindo as geográficas. Logo, enquanto as estadunidenses se organizavam e iam para as ruas, o movimento nas fábricas europeias também crescia.  Em  agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, a criação de uma jornada anual de manifestações pela igualdade de direitos sem precisar de uma data. A sua resolução foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países.  

Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a guerra, o que também é considerado como o pontapé da Revolução Russa. De acordo com o calendário juliano (o antigo calendário russo), a data era 23 de fevereiro, porém, 8 de março no calendário gregoriano, adotado pelos soviéticos em 1918 e utilizado pela maior parte dos países atualmente. Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da “mulher heróica e trabalhadora”.

Globo, foto Getty Images

Na Rússia, em 1917, milhares de mulheres foram às ruas contra a fome e a guerra; a greve delas foi o pontapé inicial para a revolução russa e também deu origem ao Dia Internacional da Mulher.

Portanto, o dia 08 de março ficou definido como o oficial da luta feminista em 1921, durante a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, tendo sido reconhecido pela Organização das Nações Unidas em 1975, que também definiu o período compreendido entre 1976 a 1985 como a “década da mulher”.

Como a interculturalidade se relaciona com a luta das mulheres?

Os movimentos feministas representam a luta das mulheres em prol de liberdade e condições igualitárias de vida. No entanto, durante muito tempo, esse movimento foi visto a partir de um ponto de vista universalizante, que tinha dificuldade em incluir outras categorias na categoria gênero.  

A ideia de interseccionalidade foi criada a partir do movimento feminista negro em que estudiosas e militantes buscaram  entender e combater os contornos colonialistas nas opressões vividas pelas mulheres. Sojourner Truth, nascida nos Estados Unidos, acorrentada ao esclavagismo, vendida em leilão com nove anos de idade, junto de gados, tornou-se uma das pioneiras do feminismo negro, tendo marcado a história com o seu discurso improvisado “Não sou eu uma mulher?” realizado na Convenção das Mulheres de 1851, nos Estados Unidos. “Ain’t I a Woman” se tornou um das principais frases de ordem do movimento. bell hooks publicou um livro com este título em que retrata o impacto tanto do machismo dos homens negros quanto do racismo das feministas brancas para com as mulheres negras.

Angela Davis, importante pensadora de nossa época, aborda em seu livro “Mulheres, raça e classe” a interseccionalidade relatando os abusos sexuais sofridos pelas mulheres negras mesmo após o fim da escravidão, tendo em vista que esta era a forma que homens brancos encontraram de resistir a escravidão e desmoralizar os companheiros negros. E como não poderia deixar de ser, também dedica uma parte de sua obra para resgatar Sojourner. 

Grada Kilomba, artista interdisciplinar portuguesa, afirma que a experiência de racismo e discriminação de gênero estão interligadas, tendo em vista que as construções racistas envolvem os papéis de gênero e causam um impacto maior nas mulheres. A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie traz em seu livro “O perigo de uma história única”, que também pode ser encontrado na forma de Ted Talk, narrativas que retratam como os estereótipos são incompletos e superficializam histórias de pessoas de nacionalidades distintas, principalmente as das pessoas africanas e racializadas. O seu livro “Todos devemos ser feministas” aborda a temática do direito das mulheres de uma forma brilhante, dirigidas a pessoas de todas as identidades de gênero, existindo uma versão para crianças e um Ted Talk com o mesmo título.

A interseccionalidade para a luta das mulheres é, portanto, uma resposta para a abordagem de um problema geral “violência de gênero” a partir de perspectivas diferentes, levando em consideração que  múltiplas realidades e categorias sociais e políticas distintas (pessoas racializadas, com diferentes identidades de gênero, classes sociais, orientações sexuais, nacionalidades, idades, habilidades, etc.) vivem os direitos das mulheres de forma diferente, necessitando portanto as políticas de gênero de serem compreendidas e implementadas com uma abordagem intercultural. 

De acordo com o Conselho da Europa, a interculturalidade pode ser definida como um modelo político que visa assegurar a igualdade e a coesão em sociedades culturalmente diversas. Encoraja a mistura e a interação entre pessoas de origens, culturas e meios diferentes com vista a construir uma identidade coletiva que se baseie no pluralismo cultural, nos direitos humanos, na democracia, na igualdade entre homens e mulheres e na não discriminação. O interculturalismo baseia-se na aplicação simultânea de princípios de igualdade de direitos e oportunidades, na diversidade como uma vantagem, e na interação positiva como forma de promover a contribuição de todas as pessoas no desenvolvimento de uma sociedade. 

A interculturalidade não visa desvalorizar ou ignorar as diferenças, mas a sua valorização e a segurança de que os direitos serão assegurados de maneira  isonômica. Trabalhar em prol de uma sociedade intercultural é acreditar em um mundo horizontal, sem as opressões que conhecemos. Sem guerras, lutas ou injustiças. 

Danielle Menezes, RPCI