No âmbito do Plano Municipal para a Integração de Migrantes (PMIM) de Loures, a Cooperativa RPCI realizou, nos dias 19, 24, 26 e 31 de março, em Loures, uma formação dedicada às Competências Interculturais, dirigida a profissionais que atuam diretamente com a população migrante, com o objetivo de reforçar práticas mais inclusivas e culturalmente conscientes.
Com uma carga horária total de 21 horas, a formação contou com a participação de 26 pessoas (24 mulheres e 2 homens), maioritariamente profissionais da Câmara Municipal de Loures, provenientes de áreas como a saúde, a habitação e a educação, bem como um representante de uma associação de pessoas migrantes.
Ao longo dos quatro dias, foram abordados temas fundamentais como diversidade, inclusão, estereótipos e preconceitos, interseccionalidade, interculturalidade, relativismo cultural e etnocentrismo, direitos humanos, discriminação, equidade, justiça social e ação afirmativa. A formação integrou ainda conteúdos sobre comunicação intercultural, comunicação não violenta, empatia e comunicação empática, culminando com práticas de integração intercultural.
A iniciativa caracterizou-se por um ambiente dinâmico e participativo, marcado por debates enriquecedores, momentos de reflexão crítica sobre enviesamentos individuais e uma significativa partilha de experiências entre participantes.
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No dia 22 de março de 2026, o Parque Desportivo da Urbanização Terraços da Ponte (Ex Quinta do Mocho) foi palco de uma iniciativa que uniu desporto e interculturalidade: o torneio de futebol “À Bola com a Cultura”, promovido no âmbito do PMIM Loures (Plano Municipal para a Integração de Migrantes), do qual a RPCI é entidade co-implementadora.
O evento teve como principal objetivo fomentar o encontro e a convivência entre pessoas de diferentes territórios e origens culturais, ao todo 86 pessoas, utilizando o futebol como linguagem universal de aproximação. Ao longo do dia, várias equipas entraram em campo num ambiente marcado pelo fair play, respeito mútuo e espírito de equipa. Através do desporto criou-se um espaço seguro de partilha e cooperação e onde a música e a entrega de prémios não faltaram.
Mais do que a competição em si, o torneio destacou-se pela celebração da diversidade, reunindo participantes e público em torno de valores como inclusão, partilha e cidadania ativa. Entre jogos animados e momentos de convívio, foi possível assistir a trocas culturais espontâneas, reforçando laços entre Associações e comunidades distintas.
Sandra Carvalho (Município de Loures), Nelito Monteiro (mediador intercultural) e Sofia Brito (RPCI) marcam presença no evento
A iniciativa “À Bola com a Cultura” integra um conjunto mais amplo de ações do PMIM, e esta em particular visa promover a integração social, e o diálogo intercultural e desportivo no concelho. A forte adesão ao torneio demonstra a importância deste tipo de eventos na construção de uma sociedade mais inclusiva.
Para além da componente competitiva, o torneio foi marcado por momentos de convívio e celebração, onde o desporto serviu de pretexto para a construção de relações e o fortalecimento do sentido de pertença. Independentemente dos resultados, o verdadeiro destaque foi o ambiente vivido ao longo da manhã, deixando uma mensagem clara: a diversidade é uma riqueza que se constrói em conjunto.
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Do lado da RPCI participaram duas pessoas das comunidades ciganas que ofereceram um importante contributo para os trabalhos.
Graças à valiosa contribuição das pessoas especialistas Mevalana Sahiti, Antonella Gandolfi e Florin Botonogu, explorámos temas cruciais como: • Raízes do anti-ciganismo: análise histórica e cultural e estratégias de combate. • Perceção e direitos: comparação entre os diferentes contextos europeus para remover os obstáculos ao reconhecimento dos direitos fundamentais. • Boas práticas: partilha de modelos locais bem-sucedidos para promover a inclusão. • Sinergia institucional: identificação de questões críticas e oportunidades na colaboração entre as autoridades locais e a sociedade civil. O objetivo é traçar um caminho comum que conduza a uma verdadeira mudança cultural nas cidades europeias.
O FAIR Europe é um projeto financiado pelo Programa CERV da Comissão Europeia, implementado por um consórcio de organizações liderado pelo ICEI (Itália) em colaboração com a RPCI – Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (Portugal), a Ajuntament de Castelló de la Plana (Espanha), a Câmara Municipal de Ioannina (Grécia), a Besançon, Ville et Communauté Urbaine (França), com a participação de autoridades locais, organizações de juventude e instituições internacionais, incluindo o Conselho da Europa.
Associados: Primaria Municipiului Bucuresti, cidade de Vinnytsia, cidade de Botevgrad Participam ainda: Comune di Casalecchio di Reno, Comune di Milano, Comune Di Montesilvano, Câmara Municipal de Barcelos, Câmara Municipal de Cascais, Câmara Municipal de Oeiras, Câmara Municipal de Viseu.
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Portimão recebeu, nos dias 11 e 12 de fevereiro, a Reunião Anual das Cidades RPCI. Obrigada pela excelente hospitalidade, Portimão!
Reunimos anualmente para nos conhecermos melhor, convivermos, mas acima de tudo, para partilharmos experiências e aprendizagens que o ano anterior nos trouxe e planear o novo ano de trabalho, em particular, o projeto intercidades.
Este ano reunimos representantes das cidades de Albufeira, Barcelos, Cascais, Lisboa, Loures, Portimão, Odemira e Oeiras, num total de 27 participantes nos dois dias.
Dia 11
A sessão de boas-vindas foi conduzida pelo vereador José Pedro Cardoso, da Câmara Municipal de Portimão, e por Carla Calado, Coordenadora da RPCI e Presidente da Cooperativa RPCI, que destacaram o compromisso com a interculturalidade.
Durante a manhã do primeiro dia, os participantes envolveram-se na sessão de trabalho sobre o projeto anual “Words Matter: Cities Against Hate Speech”, focado no combate ao discurso de ódio e foi apresentado um balanço dos projetos que estão a decorrer.
À tarde, foi a realizada a II Comunidade de Práticas Nacional do Projeto STAND, onde Barcelos, Loures, Vila Verde e Viseu partilharam o ponto de situação naa construção de narrativas alternativas com impacto nas suas comunidades.
Seguiu-se um Workshop sobre combate ao discurso de ódio, dinamizado por Cristina Ribeiro, da Câmara Municipal de Oeiras.
O dia terminou com uma visita guiada ao Museu de Portimão, e com uma visita guiada ao Museu de Portimão.
DIA 12
O segundo dia do nosso encontro, começámos com uma visita guiada ao território, destacando-se o Centro de Interpretação de Alcalar, onde os participantes tiveram oportunidade de conhecer as estruturas fúnebres megalíticas e a relevância arqueológica do local
Após a visita, tivemos o prazer de ficar a conhecer os projetos e iniciativas desenvolvidos em Portimão. Num primeiro momento, a Câmara Municipal de Portimão partilhou os projetos e iniciativas da Divisão de Habitação, Desenvolvimento Social e Saúde, destacando os da área da interculturalidade e intervenção social. De seguida, os participantes ficaram a conhecer o trabalho realizado e os desafios enfrentados pelas associações locais — CAPELA, Grupo Mulheres do Brasil (Algarve) e ESOSA
A reunião encerrou com um almoço na Mexilhoeira Grande e o regresso de todas as pessoas participantes às suas respetivas cidades. Foram dois dias de trabalho muito produtivos com partilha de práticas e reflexão conjunta sobre estratégias de promoção da interculturalidade, de cooperação entre cidades e combate ao discurso de ódio.
O trabalho continua…
Boas-vindas por parte do Vereador do Município de PortimãoO Município de Loures apresenta as suas iniciativas no âmbito do projeto STANDVisita aos monumentos megalíticos de AlcalarA preparação do regresso a casa
Nos dias 22 e 23 de janeiro celebrámos em Bilbao o evento de lançamento do SPIRIT – Sports for Participation, Inclusion, Respect, Interculturality & Tolerance, um projeto europeu que parte de uma ideia clara: o desporto não é neutro. Pode ser um espaço de convivência e coesão, mas também reproduzir desigualdades e violências se não for acompanhado de políticas, valores e ação pública consciente.
O projeto envolve 5 países europeus (Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e Suécia) e 11 cidades (Bilbao, Cartagena e Castellon de la Plana (ES), Cascais, Loures e Oeiras (PT) Capannori, Forli e Zagarolo (IT), Linkoping (SWE) e Erlangen (GER)). O grande objetivo é apoiar cidades europeias no desenvolvimento de estratégias que promovam a coesão social e a convivência intercultural através do desporto, em colaboração com clubes, federações, organizações da sociedade civil (OSCs) e setor privado. Pretende-se também reforçar a participação democrática na definição de políticas desportivas, capacitando os diferentes atores locais para contribuírem ativamente para estratégias inclusivas. Paralelamente, promove o aumento da participação no desporto local e o intercâmbio entre cidades europeias neste domínio.
Durante o encontro, as várias cidades europeias envolvidas no projeto partilharam estratégias, programas e experiências que demonstram que a promoção da atividade física desportiva só é verdadeiramente transformadora quando anda de mãos dadas com a equidade, a igualdade de género, a luta contra o racismo e a participação cidadã. Desde a abordagem “EquitActive” até iniciativas locais e comunitárias, o SPIRIT deu os seus primeiros passos, colocando o foco nos ingredientes que fazem do desporto uma ferramenta de inclusão real.
E foi apenas o começo… Nos próximos meses, o SPIRIT continuará a impulsionar espaços de aprendizagem, diálogo e co-criação entre cidades, organizações desportivas e a sociedade civil para avançar em direção a políticas desportivas mais justas, inclusivas e coesas.
Senão vejamos; o projeto tem a duração de 24 meses e vai ser desenvolvido em 7 fases em que, cada uma, se baseia na fase anterior, alimenta a fase seguinte e produz resultados concretos:
Diagnóstico Participativo (fev-maio 2026) onde iremos levar a cabo, junto de atores sociais e institucionais, uma análise comparativa de necessidades e desafios no campo do desporto, ao nível local, numa ótica intercultural. Através de entrevistas, questionários e focus groups nas 12 cidades envolvidas.
Hubs para Participação e Diálogo (maio-jun 2026 – out2027) onde iremos criar 1 Hub local por cidade. Esses Hubs são espaços multifuncionais para cocriar, testar e fortalecer políticas locais relacionadas com o desporto a partir de uma perspetiva intercultural e de coesão social intercultural. Iremos envolver: pessoas em cargos políticos e pessoal dos municípios, organizações da sociedade civil e outras associações/clubes.
Formação de Autoridades Locais e OSCs (julho-oct 2026) que consistem em programas de formação abrangentes a nível nacional/local, concebidos para reforçar as capacidades nas áreas do desporto, inclusão e interculturalidade. As formações baseiam-se nos resultados do diagnóstico e estão ligadas ao trabalho dos Núcleos Locais (Hubs). Quem participará na formação: representantes políticos e técnicos dos municípios, organizações da sociedade civil e outras associações/clubes.
Planos de Ação Locais (oct-nov 2026) serão pensados e estruturados num evento de intercâmbio transnacional em Itália. Este será focado na formulação de políticas desportivas a partir de uma perspectiva intercultural, reunindo parceiros para refletir sobre a implementação e aprendizagens do projeto.
Ações Piloto (jan-junho 2027). Nesta fase, vamos criar e implementar ações-piloto locais utilizando o desporto como ferramenta para promover a coesão social, a inclusão e a interação nas cidades. Cada Núcleo Local (Hub) selecionará e implementará uma ou mais ações incluídas em seu Plano de Ação Local. Quem estará envolvido: Núcleos Locais, grupos-alvo selecionados localmente e uma cooperação entre municípios, OSCs e outras organizações e clubes.
Campanha de Sensibilização (verão 2027) sob o tema “Coesão social, diversidade e desporto no contexto local”. Esta campanha será da responsabilidade da agência espanhola Cidália, parceira deste projeto.
Disseminação e Sustentabilidade (Q3 e Q4 2027) Divulgação dos resultados do SPIRIT a nível nacional por meio de um evento presencial, reunindo cidades, partes interessadas e especialistas. Neste evento serão apresentados: os Planos de Ação Locais; as Ações piloto implementadas a nível local; o conteúdo, materiais e mensagens da campanha. E, finalmente, um evento transnacional presencial de dois dias, em Estrasburgo, que vai reunir as 11 cidades europeias para trocar experiências, consolidar aprendizagens e fortalecer a sustentabilidade dos resultados do SPIRIT.
Estamos a preparar-nos para encerrar este ano, olhando para as nossas conquistas, enquanto pensamos no que está por vir…
Como temos tido a oportunidade de partilhar, 2025 certamente foi um ano fundamental para o projeto EPIC. Começámos com pesquisas comunitárias e análises “bottom-up” acerca das perspectivas das pessoas jovens sobre o futuro da UE… Em seguida, pessoas jovens ativistas de Itália, Espanha, Portugal e Hungria reuniram-se no “Youth Summit” em Budapeste, trazendo energia, insights e propostas das suas comunidades.
Antes de nos reunirmos lá, no entanto, algo igualmente impactante estava a acontecer nas comunidades locais em toda a Europa… os “Youth Camps” EPIC_IDEA – foram a base onde várias pessoas jovens se reuniram em cada país para aprender, trocar e co-criar o futuro. Em portugal aconteceu em Cascais (setembro).
Estes “Youth Camps” tornaram-se o coração do projeto…
Pessoas jovens de diferentes cidades partilharam as suas experiências e histórias;
Fornecemos formação aprofundada sobre ativismo, processos participativos e comunicação inclusiva;
As pessoas participantes projetaram ações concretas contra rumores para trabalhar com as suas comunidades locais;
As propostas lideradas pelas pessoas jovens para o futuro da Europa tomaram forma;
Aconteceram conversas reais sobre os impactos da mudança.
Da ação local ao impacto transnacional — foi assim que tudo se conectou.
Vejam as imagens para conferir o que tornou estes “Youth Camps” transformacionais e continuem a acompanhar o progresso do projeto através de #EPICYOUTH e #EPIC_Idea
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O Projeto EPIC_IDEA (Empowering Youth Participation for Inclusive and plural Communities) é promovido por uma parceria transnacional de organizações da sociedade civil trabalhando juntas para criar as condições para uma abordagem efetiva de baixo para cima na promoção da participação cidadã – em particular, de pessoas jovens – na vida democrática e cívica nos 4 países alvo: Itália, Hungria, Espanha e Portugal. A iniciativa surgiu das relações criadas no âmbito da Rede Internacional das Cidades Interculturais, um programa do Conselho da Europa, e inspira-se no trabalho realizado pelas redes Portuguesa (RPCI), Espanhola (RECI) e Italiana (ICEI), juntando um total de 69 cidades nos três países. Em Portugal conta com 3 cidades: Cascais, Santa Maria da Feira e Vila Verde e com um parceiro social: Clube Intercultural Europeu — um dos atuais projetos internacionais coordenados em Portugal pela RPCI que busca ampliar a participação da juventude e promover espaços de diálogo sobre temas que atravessam a vida nas comunidades locais.
Na organização deste episódio de podcast foi envolvida toda a comitiva portuguesa que participou no evento, que foi composta por 8 pessoas, Inês Granja, coordenadora do projeto em Portugal (RPCI), Teresa Oliveira, youth worker do Clube Intercultural Europeu, entidade nacional parceira do projeto, e duas pessoas jovens de cada cidade portuguesa envolvida, Cascais, Santa Maria da Feira e Vila Verde, selecionadas localmente pelos respectivos grupos de pessoas jovens.
O episódio sobre o Youth Summit procurou refletir sobre como este evento preparou as pessoas jovens dos 4 países do consórcio do projeto para a campanha de sensibilização antirrumores que será desenvolvida nos próximos meses, e como esta etapa do projeto foi importante para abrir espaço para reflexão sobre experiências comuns e formas de construir mensagens e ações em conjunto.
Legenda: Expectativas, motivações e o encontro entre realidades diferentes (Fotografias fornecidas pela United for Intercultural Action)
O episódio do podcast Portugal Plural, gravado durante o evento, começou por destacar as motivações para participar do Youth Summit. Muitos queriam conhecer outras realidades e entender como questões presentes em seus contextos aparecem também em outros países.
O encontro permitiu perceber pontos de convergência entre participantes com formações, línguas e trajetórias distintas. Esse aspecto apareceu em vários relatos ao longo do episódio, mostrando como o trabalho em grupo favorece trocas que aprofundaram o entendimento sobre desafios compartilhados.
Construção coletiva e temas trabalhados durante o Youth Summit
Ao longo dos três dias, as pessoas participantes foram envolvidas em atividades voltadas para análise de problemas, escuta ativa e elaboração de ideias em conjunto. As discussões giraram em torno de temas que fazem parte do cotidiano de muitas pessoas jovens europeias, como discriminação, saúde mental e tecnologia.
Essas reflexões foram essenciais para iniciar o processo de construção da futura campanha antirrumores, que exigirá clareza nas mensagens e atenção às experiências das diversas comunidades envolvidas.
Comunicação como prática central do processo formativo
A comunicação esteve no centro das atividades do encontro. Luiza, participante do Youh Summit, comentou sobre o desafio de expressar ideias e sentimentos em um idioma que não é o seu, algo também mencionado por outras pessoas entrevistadas. Mesmo assim, as trocas em inglês ocorreram de maneira fluida.
Já Teresa Oliveira trouxe a perspetiva de quem acompanhou de perto o processo. Ela observou que o grupo se manteve disponível para aprender e compartilhar experiências, o que permitiu identificar pontos de convergência entre participantes de diferentes contextos.
Teresa também ressaltou que a competência mais desenvolvida durante o Youth Summit foi a comunicação, compreendida como prática contínua de diálogo e escuta. Além disso, destacou o fortalecimento da inteligência emocional como habilidade importante para sustentar processos coletivos ao longo do projeto.
O futuro das pessoas jovens e as questões que surgem em vários países
Outro tema presente no encontro foi o futuro. Inês destacou questões que aparecem com frequência em conversas entre pessoas jovens dos quatro países, como dificuldades financeiras e a permanência prolongada na casa dos pais.
Esses temas ajudam a compreender limites e expectativas que atravessam a juventude europeia. Ao mesmo tempo, mostram como desafios estruturais aparecem de maneiras diferentes, mas impactam trajetórias de forma semelhante.
Acompanhe os próximos passos do projeto EPIC_IDEA
O Youth Summit do projeto EPIC_IDEA marcou um momento importante na construção da campanha de sensibilização que será elaborada pela juventude. As discussões, trocas e análises realizadas ao longo dos três dias seguirão como base para as etapas futuras do projeto.
A Rede Portuguesa de Cidades Interculturais marcou presença no dia 19 de novembro, no Seminário sobre Mediação Intercultural, promovido pela Câmara Municipal no Porto, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Jardins do Palácio de Cristal), na cidade do Porto.
O encontro reuniu representantes do município, organizações da sociedade civil, mediadores profissionais e técnicos de políticas públicas e procurou partilhar estratégias para uma convivência mais inclusiva, mostrando as ações, os resultados e os impactos do trabalho que já é feito no Porto, num momento em que as cidades portuguesas se tornam cada vez mais plurais.
A Rede Portuguesa de Cidades Interculturais (RPCI) moderou o painel da tarde sobre diferentes Espaços de Mediação onde se destacou o trabalho que é desenvolvido na promoção da interculturalidade ao nível local, apresentando projetos de mediação que facilitam a integração de comunidades migrantes, reforçam o diálogo entre culturas e reduzem barreiras linguísticas, sociais e institucionais. Esta prática em contextos diversos permitiu partilhar experiências no âmbito da mediação linguística e escolar; Mediação na área da saúde; Mediação intercultural e inclusive teve a participação internacional de um projeto de mediação intercultural em Bradford (UK).
A Importância da Mediação Intercultural
A mediação intercultural tem vindo a assumir um papel central nas sociedades contemporâneas. Perante o crescimento da diversidade cultural — resultado de movimentos migratórios, mobilidade académica e novas dinâmicas económicas — torna-se fundamental garantir que todas as pessoas têm acesso equitativo a serviços públicos e oportunidades de participação cívica.
A mediação intercultural é um processo que facilita a comunicação, o entendimento e a cooperação entre pessoas ou grupos de diferentes origens culturais. Atua como uma ponte entre cidadãos e instituições, ajudando a resolver conflitos, esclarecer direitos e procedimentos, e promover relações sociais baseadas no respeito e na confiança mútua.
As pessoas Mediadoras apoiam cidadãos migrantes no acesso à saúde, educação, habitação, justiça e segurança social, evitando que diferenças culturais ou barreiras linguísticas criem desigualdades.
Promover encontros como este ajuda a ter uma consciência do papel da pessoa mediadora com uma abordagem ativa à diversidade: não encarar apenas como um desafio, mas como um recurso para o desenvolvimento social, económico e cultural. A mediação intercultural é, assim, um instrumento-chave para transformar a diversidade em Oportunidade.
O Seminário reforçou esta visão, mostrando que a cooperação entre pessoas mediadoras e a comunidade é essencial para construir políticas públicas mais humanas, eficazes e alinhadas com a realidade multicultural do país.
O evento terminou com um momento cultural, onde a identidade portuguesa ficou em destaque, ouvindo Fado que nos aconchegou o coração e com um Porto de honra em homenagem à bela cidade do Porto.
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Entre os meses de agosto e outubro deste ano, foram implementadas nove ações de sensibilização no âmbito do projeto Intercultural Educators.
Estas iniciativas foram conduzidas porprofissionais que concluíram a Formação em Competências Interculturais, realizada no início de julho no mesmo projeto — uma formação online de três dias (12 horas no total), centrada no desenvolvimento de competências interculturais a nível individual e organizacional. As pessoas em questão foram indicadas pelas cidades participantes e incluíam staff municipal, docentes, mediadores e representantes de associações locais da área social. A seleção orientou-se por critérios como a sua ligação às comunidades, o papel estratégico que desempenham na educação e na ação social, e a capacidade de multiplicar o impacto das aprendizagens em contextos diversos.
Estas atividades de sensibilização foram realizadas nas quatro cidades do consórcio de gestão do projeto.
Barcelos: três ações dirigidas a estudantes e docentes;
Oeiras: duas ações dirigidas a estudantes;
Paranhos: duas ações dirigidas a estudantes e docentes;
Porto: duas ações dirigidas a estudantes.
No total, envolveram 177 participantes, com idades entre os 3 e os 62 anos, incluindo crianças, pessoas jovens e pessoas adultas.
Todas as ações tiveram por base o Workshop Anti-Racista criado pela RPCI no âmbito do projeto anual de 2024, Intercultural Schools. Apesar disso, cada agente de sensibilização teve autonomia para criar a estrutura e os materiais da sua ação, com o apoio e supervisão da RPCI. As ações desenvolveram-se entre momentos teóricos e práticos, de promoção do diálogo e pensamento crítico. Foram usados recursos como vídeos e materiais destinados à expressão artística.
Ação na Creche da Fonte Coberta (Barcelos) e ação no Colégio da Nossa Sra do Perpétuo Socorro (Porto)
Em cada sessão foi recolhido feedback – incluindo das crianças mais novas, através de questionários acessíveis através de questionários acessíveis – permitindo observar o interesse e curiosidade despertados por esta temática, muitas vezes abordada pela primeira vez em contexto escolar.
O Intercultural Educators (Educadores Interculturais) é o projeto anual da RPCI, financiado pelo Conselho da Europa (programa Intercultural Cities) abrangendo as 19 autarquias da rede nacional (RPCI). Barcelos, Oeiras, JF Paranhos e Porto fazem parte do consórcio de cidades envolvidas na gestão deste projeto. O objetivo é aprofundar o trabalho de promoção de iniciativas de conscientização intercultural em ambientes educacionais; fomentar a lente intercultural em ambientes educacionais, promovendo oportunidades de aprendizagem para staff das autarquias e profissionais de ensino; desenvolver a autorreflexão e conhecimento e, finalmente, cultivar competências interculturais.
No passado dia 29 de outubro, entre as 10:00 e as 11:30 (hora de Lisboa – WET, UTC+0), aRede Portuguesa de Cidades Interculturais (RPCI) participou no seminário online “Participación de las mujeres en la gobernanza de las políticas de diversidad religiosa: perspectivas locales”, centrado na inclusão e participação das mulheres na gestão da diversidade religiosa a nível local.
Este webinar teve como objetivo sensibilizar as comunidades locais para a importância de incluir as mulheres na governação das políticas de diversidade religiosa, promovendo o seu papel ativo na definição, gestão e implementação de políticas públicas que assegurem o pluralismo, a igualdade e a inclusão.
O evento procurou reforçar as competências dos participantes para fomentar a participação das mulheres no desenho e gestão das políticas locais de diversidade religiosa, incentivar a colaboração com organizações de mulheres e desenvolver soluções eficazes para a sua aplicação prática.
O seminário estruturou-se em dois momentos:
Sessão 1:“Religião, poder e política: o papel das mulheres na gestão do pluralismo religioso” Oradora:Elizabeta Kitanovic, professora de Direitos Humanos na Faculdade de Teologia Protestante e Estudos Religiosos (FPTR).
Sessão 2:“Rede Portuguesa de Cidades Interculturais: exploração da ligação entre a interculturalidade e a diversidade religiosa na governação local” Oradora:Inês Granja, coordenadora de projetos da Rede Portuguesa de Cidades Interculturais (RPCI).
A moderação do evento esteve a cargo de Sofía Caseiro, investigadora do Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra.
Este seminário integrou-se no âmbito do projeto de investigação internacionalReligions & Tolerance (RE&TO), cujo principal objetivo é reforçar a capacidade das autoridades locais europeias para gerir a diversidade religiosa de forma democrática, inclusiva, pluralista e integradora, através da criação de uma rede de municípios europeus dedicados à partilha de metodologias e boas práticas em matéria de governação da diversidade religiosa.
O projeto é liderado pela Federación Española de Municipios y Provincias (FEMP) e conta com a participação de diferentes organizações da sociedade civil (ver consórcio aqui). A RPCI é parceira do projeto a convite do Ius Gentium Conimbrigae (IGC), da Universidade de Coimbra, entidade responsável pela implementação do projeto em Portugal.
Na comunicação, intitulada “Portuguese Intercultural Cities Network: Exploring the Link Between Interculturality and Religious Diversity in Local Governance”, Inês Granja apresentou as formas como as cidades europeias, e em particular as portuguesas, têm vindo a contribuir para a promoção da diversidade religiosa ao nível local, assegurando o direito à liberdade religiosa. A intervenção abordou conceitos-chave da interculturalidade, apresentou a Rede Internacional e a Rede Portuguesa de Cidades Interculturais, e destacou projetos e recursos RPCI, assim como práticas das suas Cidades, centrados na governação da diversidade religiosa e participação.
Práticas das cidades portuguesas da RPCI na promoção da diversidade religiosa
As cidades portuguesas que integram a RPCI têm desenvolvido diversas práticas ique refletem o seu compromisso com a inclusão, o diálogo inter-religioso e o respeito pela diversidade religiosa. Entre estas práticas, destacam-se as seguintes ações:
Em Lisboa, o Conselho Municipal para a Interculturalidade e a Cidadania — ativo há quase duas décadas — tem promovido um espaço regular de diálogo entre o município e representantes de diversas comunidades religiosas. A cidade acolhe também iniciativas interculturais como o Festival TODOS – Caminhada de Culturas e a World Interfaith Harmony Week, que celebram a diversidade cultural e espiritual da cidade.
Em Loures, as comunidades religiosas participam na Plataforma Municipal de Acompanhamento do PMIM, reconhecendo a dimensão religiosa como parte integrante da experiência migrante. O município organiza ainda um Encontro Inter-religioso Anual e um Concerto Inter-religioso para assinalar o Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Inter-religioso, promovendo o conhecimento mútuo.
Em Braga, o Conselho Municipal para os Imigrantes, Integração e Interculturalidade constitui um espaço de representação e cooperação entre a autarquia e as comunidades religiosas locais.
No Porto, a autarquia colabora em projetos académicos como a Carta das Religiões e o MIGAP, que mapeiam a diversidade religiosa e migratória na região. E na mesma cidade o Centro Cultural Islâmico promove encontros inter-religiosos regulares.
Estas experiências mostram que as autoridades locais portuguesas podem ser um exemplo de reconhecimento e valorização da diversidade religiosa, nomeadamente através da criação de estruturas participativas, do apoio a projetos, da formação de agentes locais e da promoção de estratégias comunicacionais inclusivas.
A participação da RPCI neste evento reforça o seu compromisso com a interculturalidade, a igualdade de género e a diversidade religiosa, enquanto aspetos fundamentais de uma sociedade democrática, sublinhando o papel essencial das cidades na construção de comunidades inclusivas.
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