Projeto Welcoming Ukrainians – vídeo final

Apresentamos o vídeo final do projeto Welcoming Ukrainians onde reunimos os relatos das cidades e de algumas das pessoas Ucranianas envolvidas no projeto.

O projeto foi promovido pela RPCI Cooperativa e as cidades de V. N. Famalicão, Sta Maria da Feira e Vila Verde, sempre com o apoio do Conselho da Europa, com o objetivo de promover a partilha de práticas, desenvolver e testar ferramentas de acolhimento para melhor integrar as pessoas da Ucrânia, utilizando metodologias participativas. Poderá saber mais sobre este projeto nos seguintes artigos:

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#inclusão #integração #solidariedade #humanidade

Cidades, Empresas e o Setor Social juntaram-se para Refletir sobre a Empregabilidade e Talento Intercultural em Portugal

No passado dia 8 de novembro, estivemos na Biblioteca de Marvila, em Lisboa, para realizar o evento “Talento Intercultural: Empregabilidade e Retenção de Talentos através de Redes de Colaboração entre Empresas, Municípios e 3º Setor”, organizado pela Cooperativa Rede Portuguesa de Cidades Interculturais e pelas cidades de Lisboa e Loures, e com o apoio do Conselho da Europa.

Do evento ficam as palavras-chave em forma de repto: #humanidade #proximidade #sensibilidade #nãodiscriminação

O encontro ocorreu no formato presencial, transmitido por live streaming através do Facebook, e cumpriu o objetivo de abrir o diálogo entre entidades empregadoras portuguesas, municípios e organizações do 3º setor. Esta iniciativa vai culminar num vídeo com recomendações no sentido de promover o emprego de todas as pessoas e de tornar o mercado de trabalho mais inclusivo através da implementação de redes para a empregabilidade. 

Para a apresentação e mediação das pessoas convidadas e das mesas-redondas, contámos com a participação da inspiradora Paula Cardoso, que abriu a sessão. João Paiva, chefe de Divisão para a Coesão e Juventude da CM Lisboa, falou sobre a importância do evento e fez um agradecimento a todas as pessoas presentes; Nelson Batista, Vereador da Economia e Inovação, CM Loures, destacou que há ofertas de emprego no município e persistem pessoas desempregadas à procura de emprego, muitas delas com pouca qualificação; e, para finalizar a abertura do evento, Sónia Paixão, Vice-Presidente, Responsável pelo Pelouro da Igualdade e Desenvolvimento Social, CM Loures, referiu a importância de trabalhar a interculturalidade interna e externamente à Câmara Municipal.

Seguiu-se a primeira apresentação, realizada pela Cooperativa RPCI, através da Eva Calado e Teresa Leitão para dar a conhecer a cooperativa e o projeto em si. Depois, Patrícia Santiago fez uma breve apresentação sobre o projeto realizado em 2021, denominado  “Mercado de trabalho inclusivo”. E por fim, a apresentação sobre a criação de redes de empregabilidade por Mónica Leonardo da APEA e Rita Albuquerque da Fundação Aga Khan Portugal, que trouxeram alguns dados sobre a Rede Emprega Lisboa.

A primeira mesa de conversa contou com a participação de João Paiva, Chefe de Divisão para a Coesão e Juventude CM Lisboa, da Ana Adega, especialista em intervenção local e comunitária no âmbito das redes de empregabilidade, de Frederico Costa, SEA (Agência de Empreendedores Sociais) e da Carolina Crispim e da Forogh Foladi, CM Cascais. Nessa mesa foi falado sobre O que é talento intercultural?

As pessoas na mesa falaram sobre promover a inclusão e valorizar a diversidade, potenciando os talentos existentes em cada localidade. Falou-se também sobre o Conselho Municipal que a CM Lisboa tem para discussão e participação das associações de pessoas migrantes, por exemplo. Além disso, relativamente ao emprego, foi falado sobre a oferta de vagas em determinadas áreas muito específicas e consequentemente, a dificuldade em encontrar pessoas qualificadas ou, ao contrário, o fato de determinadas vagas serem sempre preenchidas por pessoas migrantes. A captação para a empregabilidade muda a qualidade de vida das pessoas, sendo o talento aquilo que uma pessoa oferece e que a outra pessoa está disposta a receber.  Nessa mesa,  falou-se ainda sobre a FABLAB que é uma fábrica-laboratório para que as pessoas possam aproveitar os seus talentos e iniciarem o próprio negócio. Ter somente o talento não basta, é importante que seja identificado o “core” das pessoas, dar um acompanhamento contínuo, como por exemplo, ter mentiria para o processo de integração e inclusão no ambiente de trabalho, como uma iniciativa de entreajuda. 

A segunda mesa, cujo tema foi A empregabilidade de talento intercultural: o papel das entidades empregadoras e do setor social, composta por Sara Samssudin representante da IKEA Portugal, Joana Borges, da Agência de Empregabilidade Porta Aberta e o Tiago Martins, da Paradigma, trouxe uma discussão interessante sobre o contexto geral da contratação de pessoas diversas, sobretudo as pessoas migrantes. Na IKEA não se consegue medir em números a quantidade de pessoas representantes das diferentes etnias, entretanto, a empresa tem realizado um movimento de contratação de pessoas de outras nacionalidades para que possam, no futuro, tornarem-se líderes dentro da organização. A comunicação tem um papel importante para as organizações, ou seja: a forma como se comunica com o público é determinante para atrair talentos. A Porta Aberta traz a necessidade de haver dinamizações com e pelas associações de pessoas migrantes, na prospeção de empresas, nos parceiros sociais, no apoio social… Nos três anos de projeto, encontraram desafios no que respeita a integração das pessoas migrantes, por conta do idioma, cultura ou outras questões mais sensíveis, tais como: a falta de respostas de cuidado a crianças, os horários de deslocamento para o trabalho, entre outros. Já a Paradigma falou sobre a necessidade de as organizações e as cidades reconhecerem que existe um problema que passa, por vezes, pelas condições dos contratos e dos trabalhos que pessoas migrantes aceitam, trazendo como ideia de solução a melhoria na qualidade dos postos de trabalho. Mas não só, Tiago referiu também a necessidade do apoio local e estatal, bem como o desafio de formar e qualificar essas pessoas, ou por exemplo, a simples tradução do contrato, das informações sobre o trabalho, sessões de informação sobre os serviços mais utilizados pelas pessoas migrantes, como o SEF e Segurança Social. 

O evento foi finalizado com a intervenção da plateia presente, que deixou agradecimentos pela possibilidade de participar do evento.

Retrospetiva, Reflexões e muitas Emoções – Partilha de Experiências com Pessoas Ucranianas

No passado dia 3 de novembro, as cidades de Vila Nova de Famalicão, Vila Verde e Santa Maria da Feira e a Cooperativa RPCI – Rede Portuguesa das Cidades Interculturais juntaram-se na Casa do Território, em V.N. Famalicão onde foi realizado o evento público de partilha de práticas e experiências sobre acolhimento a pessoas ucranianas em Portugal.

O evento “Welcoming Ukrainians – Perspectivas de Acolhimento” resulta do projeto com o mesmo nome que foi realizado com apoio do Conselho da Europa, Programa Cidades Interculturais.

Participaram cerca de 56 pessoas, entre as quais os representantes dos municípios envolvidos no projeto e a comunicação social local.

Após uma curta sessão de fotografias e entrevistas, a anfitriã do evento, Sra Vereadora da Interculturalidade e Integração da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Sofia Fernandes, iniciou a sessão com um resumo do que tem sido feito pelo município no acolhimento e integração das pessoas ucranianas, salientando que atuaram muito rapidamente (no dia seguinte ao início da guerra Rússia-Ucrânia) com equipas no terreno das quais faziam parte pessoas Portuguesas-Ucranianas, que se voluntariaram para ajudar, e com o aumento das turmas de PLA (Português como Língua de Acolhimento). José Leite, técnico da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, acrescenta, na sua exposição: “Criámos o gabinete SOS Ucrânia de forma a dar resposta o mais rapidamente possível às necessidades das pessoas ucranianas”.

Seguiu-se a apresentação da Sra. Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde que destacou o trabalho da sua equipa, em especial, da técnica Alexandrina Cerqueira, no acompanhamento e dedicação para com as pessoas ucranianas. Ações a destacar são a criação e distribuição de documentos de apoio pensados para as crianças, a criação de um grupo de WhatsApp para comunicação e apoio permanente e a criação e distribuição de um kit de boas-vindas com os essenciais de conforto e higiene. “Quisemos que nunca se sentissem sozinhos!” adianta Alexandrina Cerqueira na sua partilha, momentos mais à frente.

Por fim, ouvimos a apresentação do Roberto Carlos Reis, técnico do CLAIM – Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes e representante da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. O Roberto partilhou as experiências do município e salientou que o município está sempre disposto a receber e a partilhar conhecimentos, aprendendo também com exemplos como os de Famalicão e Vila Verde. 

A RPCI também teve a oportunidade de se apresentar, falando brevemente sobre o trabalho que a equipa tem desenvolvido na promoção da interculturalidade, sobre este projeto em concreto, e sobre como aderir à Rede RPCI e à Cooperativa com o mesmo nome.

Ouvimos mais em detalhe por parte de cada uma das cidades o trabalho que foi (e está ainda, a ser) feito para acolher e integrar as pessoas ucranianas. E, de seguida, Iuliia Bandura (uma das mulheres ucranianas acolhidas pela cidade de Vila Nova de Famalicão) declamou, em Português, o poema “Mar Português” de Fernando Pessoa. Por fim, tivemos a oportunidade de ouvir diretamente de algumas mulheres ucranianas que foram acolhidas pelas cidades participantes e também de algumas famílias de acolhimento testemunhos sobre o processo de chegada e integração no país. Foi um momento de partilha de experiências muito emocionante, mas muito enriquecedor para quem estava presente. Os ânimos animaram com o momento musical apresentado por 3 jovens ucranianas que, com roupas tradicionais, encerraram o evento.

O encontro aconteceu apenas no formato presencial e cumpriu o objetivo de debater e inspirar ações de acolhimento para as pessoas ucranianas que se encontram em deslocamento forçado, em razão da guerra que atinge o país. 

Em breve, a RPCI publicará no seu site um guia de práticas com o resumo das principais aprendizagens e recomendações recolhidas ao longo do projeto e do evento.

#StandWithUkraine

#inclusão #integração #solidariedade #humanidade

Como as cidades Portuguesas estão a acolher as pessoas Ucranianas?

Este seminário surge como parte do trabalho que está a ser desenvolvido em parceria com a ICC – Intercultural Cities Network, a Câmara Municipal de Famalicão, a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e a Câmara Municipal de Vila Verde, no âmbito do projeto “Welcoming Ukrainians”.

DATA:  3 de novembro de 2022

HORA:  14:30 – 17:00

LOCAL:  Casa do Território, Vila Nova de Famalicão

Este evento é presencial e gratuito!

O objetivo desta iniciativa é partilhar os projetos e as práticas que as cidades Portuguesas levaram (e estão a levar) a cabo no que diz respeito ao acolhimento de pessoas Ucranianas. Pretendemos criar um espaço de partilha entre cidades e outras entidades envolvidas no acolhimento de pessoas em situação de refúgio, proteção temporária e asilo.

A quem se destina?
– Municípios e Autarquias, Organizações sociais com atuação no acolhimento de pessoas refugiadas e Associações representativas de pessoas refugiadas

Capacidade: 50 pessoas
Estacionamento: no recinto

Programa:

14:30 – Sessão de boas-vindas e abertura

– Sofia Fernandes, Vereadora da Interculturalidade e Integração da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão

– Município de Santa Maria da Feira

– Júlia Rodrigues Fernandes, Presidente do Município de Vila Verde

– Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (RPCI)

15:15 – Acolhimento em perspetiva

– Alexandrina Cerqueira, Município de Vila Verde

– José Leite, Município de Vila Nova de Famalicão

– Roberto Carlos Reis, Município de Santa Maria da Feira

– Testemunhos de famílias de acolhimento

15:45 – Apontamento poético “Mar Português”, Iuliia Bandura

15:50 – Coffee break

16:10 – Perspetivas de Acolhimento

– Testemunhos de pessoas acolhidas

16:40 – Apontamento musical ucraniano, Karina Bakhovska, Sofia Bakhovska, Yuliia Bakhovska e Sofia Bandura

16:45 – Encerramento

Como participar? Todos as pessoas interessadas deverão preencher este formulário: https://forms.gle/MgTKNvTt4GiQ8exVA com os seus dados e informações solicitadas. Posteriormente será enviada confirmação da inscrição e mais informações.

#inclusão #integração #solidariedade #humanidade

Bem-vindos à RPCI, Barcelos.

É com muito orgulho e prazer que recebemos mais um membro na rede!

A Câmara Municipal de Barcelos anunciou recentemente a sua adesão à Rede Portuguesa de Cidades Culturais, nomeadamente para dar continuidade e força ao desenvolvimento das estratégias interculturais que tem realizado e à gestão baseada nos princípios da parceria, igualdade de oportunidades e não discriminação.

Barcelos tem uma dimensão de 379,4 km2, um total de 61 freguesias e uma população residente é composta por 116.766 pessoas.

Esta informação foi-nos passada pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, que também adianta o seguinte:
“Ao longo dos anos, a Câmara Municipal de Barcelos tem desenvolvido a sua atividade sobre os princípios da igualdade e não discriminação, e fez progressos significativos ao assinar uma série de protocolos e documentos para a promoção da igualdade (por exemplo, Protocolo de Cooperação para a Igualdade e Não Discriminação – nova geração). Uma atividade que facilitou uma abordagem multidimensional (cultural, política, jurídica, educacional, social, económica), dando origem à integração no PDS – Plano de Desenvolvimento Social de Barcelos 2021 – de um forte investimento nos domínios da prevenção e da intervenção, reforçando a cidadania e os direitos fundamentais.”
“O município de Barcelos regista com orgulho uma evolução positiva no número de imigrantes. Há imigrantes de 70 nacionalidades diferentes que vivem no território, sendo a comunidade brasileira a principal entre as comunidades existentes.
Nos últimos cinco anos, as principais nacionalidades imigrantes foram: Brasileira, ucraniana, espanhola e venezuelana, a comunidade brasileira destacando-se com 893 cidadãos, um número superior ao das outras 69 nacionalidades.”

A parceria com a RPCI parece-nos um passo natural num munícipio que “trabalha diariamente em prol da integração, igualdade e interculturalidade.” Mário Lopes acrescenta ainda que “no âmbito deste trabalho, devemos também mencionar o acompanhamento, acolhimento e integração que tem sido levado a cabo pela Divisão de Ação Social e Saúde desde Março de 2022 para os refugiados da guerra na Ucrânia em diferentes áreas, incluindo saúde, emprego e educação. A Câmara Municipal de Barcelos acolheu 287 ucranianos, 97 dos quais residem atualmente no território, constituindo na sua maioria famílias monoparentais, principalmente mães e crianças.

Com esta parceria, Barcelos cimenta assim alguns dos seus valores mais importantes: a luta pela diversidade, inclusão e interculturalidade da nossa sociedade. Parabéns!

Podem também consultar o website do município de Barcelos e seguir as suas redes sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/MunicipioBarcelos/

Instagram: https://www.instagram.com/municipiodebarcelos/?hl=en

YouTube: https://www.youtube.com/user/MunicipioBarcelos

Aproveite para conhecer todas as cidades da Rede, aqui:

Seminário sobre talento intercultural: trabalho colaborativo entre entidades empregadoras e cidades para mais oportunidades

Este seminário surge como parte do trabalho que está a ser desenvolvido em parceria com a ICC – Intercultural Cities Network, a Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara Municipal de Loures, no âmbito do projeto “Employability networks” (Redes para a Empregabilidade).

DATA: 8 de novembro de 2022

HORA: 14:00 – 17:30

LOCAL: Biblioteca de Marvila, Lisboa

Este evento é presencial e gratuito!

O objetivo desta iniciativa é potenciar o trabalho de colaboração entre entidades empregadoras portuguesas, municípios e organizações do 3º setor para promover o emprego de todas as pessoas e conhecer o que já tem sido feito no sentido de tornar o mercado de trabalho mais inclusivo.
Pretendemos sensibilizar mais entidades empregadoras para este tema e, indiretamente, criar mais oportunidades.

A quem se destina?
– Entidades empregadoras que desejem potenciar, atrair e reter talentos interculturais na sua organização;
– Organizações do 3º setor que trabalhem neste âmbito;
– Municípios e serviços públicos envolvidos na área da empregabilidade.

Capacidade: 170 pessoas, acessível para cadeiras de rodas.
Estacionamento: zona residencial sem parquímetros.

Programa:

14:00 – Receção

14:15 – Acolhimento e boas-vindas

14:30 – Sessão de abertura

-Apresentação da RPCI e do projeto ”Employability Networks (RPCI)

-Apresentação sobre a criação de redes de empregabilidade (CM Lisboa)

-Apresentação do projeto «Mercado de trabalho inclusivo» – 2021 (CM Loures)

15:00 – 1ª Mesa-redonda
-Exemplos e recomendações na empregabilidade de talento intercultural: o papel das cidades

16:00 – Pausa para café

16:15 – 2ª Mesa-redonda
-A empregabilidade de talento intercultural: o papel das entidades empregadoras e do setor social

17:15 – Debate
17:30 – Encerramento 

Como participar? Todos as pessoas interessadas deverão preencher este formulário com os seus dados e informações solicitadas. Posteriormente será enviada confirmação da inscrição e mais informações.

O Gênero e Interculturalidade em formato Podcast

Por: Danielle Menezes, em português brasileiro.

Ao longo de 2022, a cooperativa Rede Portuguesa das Cidades Interculturais está desenvolvendo um projeto intitulado “Gênero e Interculturalidade”, apoiado pelo Conselho da Europa e pelas cidades de Lisboa, Oeiras e Vila Verde, com o objetivo de promover a reflexão, discutir algumas práticas sobre gênero e suas interseccionalidades, desconstruir alguns mitos e preconceitos que rondam o assunto e informar a população que reside em Portugal.

Para tanto, assumimos o compromisso de realizar três episódios, sobre assuntos que conversem com gênero e a interculturalidade. A conversa de setembro foi com a jornalista Paula Cardoso, fundadora da plataforma digital Afrolink, tendo como tema central o antirracismo. Falamos sobre o impacto do racismo em questões como comunicação, empregabilidade e educação. Foi uma conversa riquíssima e bastante longa que acabou por ser dividida em dois episódios que já estão no ar. 

Quem é Paula Cardoso?

Nascida em Moçambique e criada em Portugal, Paula é licenciada em Relações Internacionais e soma quase 20 anos de experiência em jornalismo, em um percurso iniciado na revista Visão e amadurecido em Angola, na direção do site do Novo Jornal.

É fundadora da comunidade digital “Afrolink” e autora da série de livros infantis “Força Africana”, projetos desenvolvidos para promover uma maior representatividade negra na sociedade portuguesa.

Com o mesmo objetivo, juntou-se à equipe de hosts do “Black Excellence Talk Series”, e ao painel residente do talk-show online “O Lado Negro da Força”. Integra ainda o Fórum dos Cidadãos, associação que visa contribuir para revigorar a democracia portuguesa e é uma das mentoras do HeforShe Lisboa, movimento internacional com vista a um esforço global pela Igualdade de Género. 

O que faz o Afrolink?

O Afrolink é um projeto lançado em setembro de 2019 e nasceu como um grupo privado no Facebook, após um período de incubação no extinto programa de ignição de negócios. O projeto tem como função a criação de redes entre profissionais de origem africana e pessoas afrodescendentes residentes em Portugal – ou com ligação ao país –, com o propósito de partilhar experiências, valorizar competências, criar alianças, divulgar e apoiar negócios.

Tem inspiração nos movimentos “Support Black Business” e “Black Money”, originários dos EUA e do Brasil, respectivamente. Nesta linha, surgiram já algumas parcerias, nomeadamente com a fundadora da Revista Mulher Africana, Isabel Manique Flores, bem como com a DC_design, do cabo-verdiano David Chantre. O projeto também atua na promoção de uma educação intercultural, trazendo profissionais com experiência em práticas pedagógicas inovadoras nas áreas da animação sociocultural, narração de histórias e educação para a diversidade. 

Além disso, também estão disponíveis para a participação em conferências e palestras sobre os mais variados assuntos. Profissionais na área da Engenharia, arquitetura, eletricidade, psicologia e várias outras profissões, disponíveis para ajudar as instituições que sentem dificuldades em encontrar pessoas oradoras negras para debates que não se enquadrem na temática étnico-racial. 

Se interessou? Então acesse o nosso podcast Portugal Plural, ouça e compartilhe com a sua rede os dois episódios desta conversa com a Paula Cardoso. 

Webinar Educação, Género e Interculturalidade, 26 setembro 14h30

Participe no webinar sobre Educação, Género e Interculturalidade. Dia 26/09/2022 às 14:30: https://lnkd.in/duYnx76D

No âmbito do projeto “Género e Interculturalidade”, a Rede Portuguesa de Cidades Interculturais dá continuidade à série de webinars sobre o tópico.
A primeira edição focou-se nas questões da saúde, o segundo webinar virou-se para a comunicação, e este último vai centrar-se na educação. Estas são três áreas chave que identificámos como críticas nas questões da interculturalidade.

É já na próxima 2a feira, dia 26 de setembro, que nos juntamos em torno da mesa de novo, sempre com convidados e convidadas que têm muito para dizer.

Como está o nosso país no que diz respeito à interculturalidade e diversidade na educação? As nossas escolas são inclusivas? Como educar para a aceitação e inclusão?

É o que nos leva a mais um debate, que promete ser inspirador!

PROGRAMA:
14:30 – Apresentação RPCI
14:45 – Introdução ao tema com Maria José Casa-Nova (CIED – Universidade do Minho)
15:00 – Mesa redonda

-Lúcia Vicente (autora, atriz, contadora de histórias)

-Margarida Pacheco (ART´THEMIS+ /UMAR)

-Olga Mariano (Letras Nómadas)

-Rosa Moniz (Life & Leader Coach)
16:00 – Debate
16:30 – Encerramento

Este evento é gratuito e aberto a todas as pessoas.
As inscrições podem ser feitas através deste formulário: https://lnkd.in/duYnx76D

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Webinar: «Comunicação, Género e Interculturalidade» 27 junho

No dia 27 de junho do presente ano, foi realizado mais um webinar no âmbito do Projeto Género e Interculturalidade. O evento foi iniciado com uma breve apresentação da Rede Portuguesa das Cidades Interculturais, da Cooperativa RPCI e do projeto Género e Interculturalidade. Neste webinar, focado na Comunicação, Género e Interculturalidade, tivemos a presença de quatro oradoras: Alice Marcelino (artista visual), Yolanda Tati (locutora de rádio e influencer),  Sónia Matos  (AMUCIP) e  Ana Paula Costa da Casa do Brasil Lisboa (Projeto MigraMyths).

Após a apresentação inicial, a jornalista Catarina Marques Rodrigues, especialista em questões de género e desigualdades e fundadora da plataforma Gender Calling, introduziu o tema. Salientou sobre a falta de representação de mulheres e de pessoas representantes da diversidade sociocultural nos media, tanto nas notícias, como nos cargos de liderança e gestão das organizações mediáticas. 

A jornalista referiu dados que revelam que os temas da igualdade de género são considerados muito importantes para o público em geral e, em especial, para a geração Z. A maioria das pessoas inquiridas considera que os media têm progredido nestes temas, mas que ainda há muito trabalho a realizar. A geração Z considera que os media têm um papel importante a desempenhar neste âmbito.

Sublinhou que os medias transmitem às pessoas imagens, podendo favorecer enviesamentos inconscientes, nomeadamente em relação à aparência, à idade, ao género, entre outros. Referiu ainda que, de acordo com o último inquérito European Social Survey, 62% das pessoas em Portugal manifestam alguma forma de racismo.

Catarina Marques Rodrigues sugere ainda que quando escrevemos um texto e queremos garantir que a nossa comunicação está a ser feita de forma correta e inclusiva, devemos responder às seguintes questões: Posso estar a ofender alguém?; Estou a deixar alguém de parte?; Estou a propagar um estigma ou uma ideia pré-concebida? E que para uma pessoa tornar-se antirracista tem de passar por um processo, que passa por três zonas: zona do medo, zona da aprendizagem e zona do crescimento.

Após a sua apresentação, Catarina Marques Rodrigues questionou as convidadas para participar na mesa-redonda, acerca das suas experiências pessoais e do trabalho que têm desenvolvido.

A cientista social e  membro da direção da Associação Casa do Brasil, responsável pelo Projeto Migra Myths, Ana Paula Costa, destacou que o processo de imigração é um processo de crise, nunca é confortável. Num primeiro momento há sempre um processo de ajustamento, que se sente de uma forma mais premente no caso das mulheres migrantes, pois a desigualdade pré-estabelecida que existe entre homens e mulheres também se coloca na migração. Em alguns casos foram os homens que chegaram primeiro e encontraram empregos e as mulheres vêm numa situação de dependência financeira. 

Nos relatórios do projeto Migra Myths é possível encontrar relatos de discriminação nos serviços públicos. A discriminação, em particular sofrida pelas mulheres migrantes, é sentida em diversas áreas. A saúde é onde aparecem mais relatos de discriminação, de situações de assédio e de dificuldades devido à barreira linguística. Em relação ao atendimento recebido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, há relatos de xenofobia, racismo e denúncias de bloqueios ao processo. Há relatos que na Segurança Social e nos Serviços de Finanças muitas vezes as pessoas que atendem as pessoas migrantes desconhecem os procedimentos. Até uma pessoa obter uma autorização de residência encontra-se muitas vezes num limbo, situação que aumenta a sua vulnerabilidade. 

A pessoa migrante acaba por não denunciar porque tem medo, receio de ser enviada de volta por estar numa situação por vezes irregular e vulnerável. 

É importante trabalhar a comunicação para combater os preconceitos, inclusive a partir das redes sociais. Nesse sentido a convidada salientou que há associações de pessoas migrantes que estão na vanguarda em Portugal e que funcionam de uma forma coordenada.

A artista visual, portuguesa de origem angolana, Alice Marcelino referiu que o corpo negro é muito policiado pela sociedade, pela forma como se veste, como se expressa e por exemplo através do cabelo. Uma mulher negra que usa o cabelo de uma forma natural é alvo de vários julgamentos e estereótipos. 

Como uma mulher negra que já viveu em diversos países (Portugal, França, Reino Unido, Grécia), Alice também abordou as circunstâncias da integração. Expôs que os desafios à integração para uma pessoa negra começam logo no momento da viagem. Antes de migrar para outro país, uma pessoa negra precisa de realizar uma pesquisa para averiguar se é um país em que poderá ser alvo de racismo flagrante, se há cabeleireiros habilitados a tratar do seu tipo de cabelo, se há produtos para o seu tipo de pele, por exemplo.

No campo profissional, o primeiro desafio é a indústria da publicidade, por ser ainda uma área dominada por homens brancos, estando o sistema desenhado para as necessidades dos homens desde as oportunidades de trabalho até quem toma as  decisões. Referiu igualmente que existe uma expectativa de que, por ser uma mulher negra, terá apenas uma narrativa: a da opressão, que embora faça parte da experiência de muitos indivíduos negros, não é única questão e isso acaba por fechar muitas portas. 

Diante deste cenário, encontra-se ainda outra questão em relação às mulheres. Nota-se que ainda existem pouquíssimas oportunidades para artistas que são também mães, quando comparadas com homens artistas que também são pais, mas, continuam a desenvolver as suas carreiras, sem que o facto de terem filhos seja um obstáculo.

A locutora e influenciadora, Yolanda Tati, partilhou a sua experiência de início de carreira e de maternidade. No  início de carreira no campo dos media, enfrentou algumas barreiras, pois havia uma ideia generalizada, entre agentes de media, de que o seu perfil de mulher negra não seria uma voz que as pessoas queriam ouvir.  Gradualmente esta situação foi sendo modificada, foi-se percebendo que esse espaço existia, mas não estava a ser explorado adequadamente.

Yolanda detém uma presença muito significativa nas redes sociais e, quando se tornou mãe de uma criança filha do seu parceiro, que é um homem branco, houve muita especulação sobre a cor de pele do bebé. A influencer referiu que muitas vezes a sua cor de pele e género criam de imediato uma expectativa de que será uma pessoa agressiva, uma trabalhadora doméstica ou com uma personalidade promíscua, dado estes serem estereótipos e preconceitos sofridos por mulheres negras, como se o seu lugar fosse apenas aquele e não pudessem ocupar outros lugares, inclusive um lugar de sucesso. 

O movimento black lives matter veio alterar o panorama global. A partir do debate iniciado por este movimento, as marcas mudaram o seu posicionamento e Yolanda aumentou muito a sua carteira de clientes. Outra situação curiosa, foi quando da sua participação numa campanha publicitária na qual usava o cabelo liso, tendo sido criticada por isso. A conclusão a que chega é a de que  as mulheres negras são tão pouco representadas que a partir do momento que surge uma mulher negra, ela tem que usar usar o cabelo de forma natural para que possa representar outras mulheres. Ainda não se chegou ao ponto em que uma mulher negra pode ser o que quiser e usar o cabelo como quiser. Nos media portugueses ainda há uma longa luta pela frente para se conseguir uma maior representatividade, em particular na televisão. 

Sónia Matos, presidente da Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas (AMUCIP), debruçou-se sobre a questão da educação e da importância do acesso pleno à mesma para as mulheres ciganas, para que se quebre o ciclo de exclusão social a que muitas vezes estão votadas, estando muitas vezes dependentes dos homens para gerir as suas vidas. 

Nas suas palavras, a cultura cigana é a cultura portuguesa de há 50 anos, no qual o papel da mulher era ser dona de casa e mãe. 

Para a mulher cigana só agora, no presente século, é que se começa a dar os primeiros passos para conquistar espaço e independência e, na sua opinião, o pontapé para isso acontecer começa pela integração escolar.

A AMUPIC trabalha com mulheres e homens da comunidade cigana para que o acesso à educação seja uma realidade, mesmo para as mulheres já casadas e que saíram da escola há muito tempo. Hoje existem mais de 40 pessoas ciganas licenciadas em Portugal,  a realidade já começa a mudar, mas é necessária muita perseverança e dedicação. Sensibilizar profissionais de educação é de extrema importância, principalmente porque algumas crianças ciganas ingressam no primeiro ciclo sem ter tido nenhuma experiência escolar e por isso têm mais dificuldades, e para que transmitam expectativas positivas às meninas ciganas na escola e as ajudem a acreditar em si mesmas, aumentando a auto estima das mesmas e evitando perpetuar estereótipos e crenças negativas sobre a comunidade cigana. 

Outra questão importante relativamente às pessoas ciganas é o bairro social, que por si só já carregam muitos estigmas e estereótipos. É necessário ouvir a comunidade, trabalhar com os mediadores sócio-culturais das escolas, é necessário ter representatividade nas escolas, é necessário as crianças ciganas sentirem aquele espaço também como seu.

Outras questões afetam profundamente a comunidade, como por exemplo a linguagem e os estereótipos existentes, o fato de os projetos sociais acontecerem com tempo limitado e muitas vezes curto.

Algo de positivo para as pessoas ciganas foi o rendimento social de inserção (RSI) que alterou o cenário e permitiu às pessoas sonharem e dar saltos para o futuro. As redes sociais também geraram importantes mudanças na comunidade cigana. As jovens da comunidade utilizam muito os telemóveis e as redes sociais. Isso possibilita-lhes falar com os rapazes com quem vão casar antes do casamento, o que não acontecia antes. Mas, é visível que falta ainda boa vontade da sociedade em possibilitar que haja representatividade de pessoas ciganas.

Com pena porque não conseguiram participar? Então não percam o próximo, já no dia 26 de setembro pelas 14h30, onde iremos falar de educação!

RPCI no encontro da Rede Cidades Educadoras em Viseu

No passado dia 3 de junho a RPCI esteve presente no encontro da rede de Cidades Educadoras, em Viseu, a convite do município. Neste encontro a RPCI teve oportunidade de aprender sobre esta rede e sobre os diversos projetos a decorrer em Viseu neste âmbito, bem como de falar cobre o conceito de interculturalidade e de como tal se liga com o conceito de cidade educadora. Por fim, foi possível apresentar o funcionamento da RPCI e da cooperativa recém-criada para apoiar a mesma, tendo tal sido recebida com muito entusiasmo pela audiência, composta por diversos municípios e freguesias de norte a sul do país.

Esta rede, que congrega centenas de cidades um pouco por todo o Mundo, tem por mote “não deixar ninguém para trás”, o que se ajusta nos valores da Rede Portuguesa de Cidades Interculturais. Parabenizamos Viseu e as restantes cidades por esta importante iniciativa!

Créditos: Viseu Now