
No passado dia 20 de dezembro, pelas 9h30, a Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (RPCI) realizou a habitual reunião anual de balanço. Esta reunião, para a qual todas as 18 cidades aderentes em Portugal foram convidadas, teve por objetivos principais realizar um ponto de situação dos resultados obtidos no trabalho desenvolvido no ano de 2024 e traçar as prioridades para o ano de 2025. A reunião foi dirigida pela coordenadora da Rede, diretora geral e presidente da Cooperativa RPCI, Carla Calado, e acompanhada pela diretora técnica da RPCI, Teresa Leitão, e a coordenadora de projetos, Inês Granja. Marcaram presença nesta reunião anual um total de 14 pessoas e 9 Cidades – Barcelos, Cascais, Loures, Oeiras, Paranhos, Porto, Santa Maria da Feira e Vila Verde.
Este encontro com as Cidades permitiu partilhar designadamente que:
-as atividades desenvolvidas pela RPCI em 2024 envolveram mais de 500 pessoas;
-foram implementados quatro projetos: NET_IDEA (terminado em abril), DiverCities (terminado em junho), Escolas Interculturais (de abril a novembro) e EPIC (iniciado em setembro);
-as atividades contaram com o envolvimento de dez cidades;
-foram realizadas quatro novas candidaturas a fontes de financiamento;
-foram realizados dois webinars e cinco workshops (no âmbito do projeto Escolas Interculturais;
-contamos com três novos parceiros;
-foram realizadas três reuniões da RPCI, uma presencial em Fevereiro (Barcelos), uma online temática com partilha de práticas na área da educação (projeto Escolas Interculturais) e a presente reunião;
-há duas novas cidades em processo de adesão;
-Foram desenvolvidos oito novos produtos (5 episódios de PODCAST, 1 guia traduzido, 1 guia criado projeto Escolas Interculturais e 1 guia criado projeto NET_IDEA);
-foram apresentadas e publicadas no site ICC quatro boas práticas reportadas por 3 cidades;
-um INDEX foi submetido (Oeiras);
– A RPCI recebeu a visita de uma comitiva de cidades e membros do governo da Finlândia, que se inspiraram nas práticas de Cascais, Lisboa e Loures;
– Braga e Vila Verde receberam a reunião anual de coordenadores do Programa Intercultural Cities de todo o mundo em Novembro
A reunião permitiu também abordar questões administrativas, relativas à possível alteração do formato de adesão à RPCI, fruto de futuras alterações a serem introduzidas em breve pelo Programa de Cidades Interculturais, do Conselho da Europa. As Cidades partilharam as suas preocupações práticas, não deixando de realçar as vantagens da adesão. Loures pronunciou-se a este respeito, ressaltando o conjunto de vantagens sentidas pelo Município na contratualização de serviços no âmbito da interculturalidade à RPCI: a Cidade tem beneficiado de projetos de forma gratuita, como parceiro não financeiro (como é o caso do DiverCities) o que beneficia a sua intervenção nas comunidades locais.
Foram apresentados pela equipa da RPCI os resultados dos projetos NET IDEA, DiverCities e Escolas Interculturais, tendo representantes das diferentes cidades dado feedback tendo em conta o seu envolvimento nos projetos em questão.
Relativamente ao projeto NET IDEA, Alexandrina Cerqueira, de Vila Verde, referiu que a metodologia Photovoice permitiu envolver e projetar a voz de jovens que por regra não é ouvida, sobretudo jovens de etnia cigana; e, ainda, que a formação em competências interculturais criada pelo projeto está a ser replicada pelo município, com staff municipal e profissionais da educação locais.
Quanto ao DiverCities, Nelson Araújo, de Loures, afirmou que foi muito importante promover as assembleias participativas no Bairro da Apelação e lamentou que não tivesse sido possível realizar o projeto noutros bairros, devido ao ponto de situação das associações que podiam ser envolvidas. Defendeu que o projeto foi essencial para a mobilização das comunidades, de pessoas com diferentes contextos culturais e desafios; que foram tratados temas relevantes para quem habita o bairro e requalificado um jardim que é muito usado atualmente pela comunidade. A continuidade destas iniciativas devia ser assegurada, pela sua relevância. Sandra Carvalho, de Loures, comentou que a motivação de quem mora no bairro foi visível; que permitiu juntar as pessoas a discutir aspetos da vida em comum.
No referente ao projeto Escolas Interculturais, Tânia Carvalho, de Barcelos, pronunciou-se sobre as repercussões do projeto: a Escola Gonçalo Nunes realizou uma feira intercultural na sequência dos workshops e webinars; a Escola de Lijó convidou o Município a discutir sobre o valor da diversidade e sobre o acolhimento de pessoas recém-chegadas ao país, nomeadamente nas escolas; a cantora Gisela João foi convidada e aceitou ser madrinha para a Interculturalidade em Barcelos. Sobre o mesmo projeto, Cristina Ribeiro, de Oeiras, referiu que os resultados têm sido extremamente positivos: sobretudo os Webinars e o Guia que tem vindo a disseminar pela restante comunidade educativa e deu mais exemplos de como o impacto local pode ser potenciado. Patrícia Teixeira, da JF de Paranhos, por sua vez, referiu que seria muito bom dar continuidade ao projeto.
Depois da discussão dos projetos, houve espaço para ouvir as Cidades acerca do que seu balanço relativo a 2024 e prioridades para 2025.
De entre estas, destacamos:
- reforçar o trabalho no âmbito do antirracismo e antirrumores, com jovens e no contexto escolar;
- assegurar a formação de pessoal municipal em competências interculturais, por forma a que desenvolvam ferramentas para prestarem formação e assim aumentar o impacto, bem como continuar a trabalhar diretamente com crianças e adultos de outros setores da sociedade;
- aprofundar o tema narrativas alternativas/antirrumores com a imprensa local;
- realizar uma iniciativa conjunta para todas as cidades RPCI no âmbito da Diversidade;
- desenvolver atividades que sensibilizem o setor empresarial;
- desenvolver projetos de inclusão de minorias e pessoas migrantes associados à participação;
- dar mais visibilidade aos resultados e produtos;
- envolver auxiliares da ação educativa nos processos formativos;
- fortalecer o papel das Artes como ferramenta para promover diálogo intercultural.
Cumprido este momento, foi possível reunir consenso em torno da importância da interculturalidade na Escola, pelo que este foi definido como o tema central a desenvolver no projeto anual, numa lógica de continuidade. Em breve teremos novidades pois o nosso projeto anual será apresentado e finalizado em fevereiro, na próxima reunião de Cidades RPCI, que terá lugar em Oeiras.
A RPCI pode informar as cidades presentes de duas novas candidaturas internacionais em preparação e recolher manifestações de interesse. As cidades foram, ainda, convidadas a fazer propostas de partilha de práticas fora do projeto anual, a qualquer altura do ano.
A reunião terminou com a preparação da reunião de Cidades em Oeiras. Esta reunião acontecerá dias 10 e 11 de Fevereiro e será um momento onde se privilegiará a partilha de conhecimentos e práticas, com momentos formativos, de networking e visitas de terreno.
