Por: Inês Granja
Na manhã do passado dia 3 de junho, decorreu a Partilha de Práticas do projeto anual da RPCI, financiado pelo Programa das Cidades Interculturais do Conselho da Europa, o Intercultural Educators. Neste encontro aberto a todas as Cidades da RPCI, estiveram reunidas 19 pessoas, tendo marcado presença as Cidades que são parte do consórcio responsável pela gestão deste projeto, Barcelos, Oeiras, JF Paranhos e Porto e, ainda, Fundão, Loures, Odemira, Portimão e Vila Verde.
O evento teve por objetivo partilhar práticas de incremento das competências interculturais do staff das autarquias, profissionais de ensino e crianças e jovens estudantes. Tratou-se da primeira atividade do projeto Intercultural Educators que foi aberta igualmente a cidades em processo de adesão. Até então, este projeto, focado em valorizar positivamente a diversidade nos contextos escolares e no seio da comunidade, que se iniciou no mês de maio e termina em novembro, já contava com três reuniões do consórcio e uma reunião com a entidade parceira – REEI – Rede de escolas para a educação Intercultural.
De acordo com o Glossário de Termos-Chave do Conselho da Europa, deter competências interculturais significa, por definição:
A capacidade de compreender e respeitar os outros para além de todos os tipos de barreiras culturais. As competências interculturais referem-se ao conjunto de conhecimentos e aptidões necessários para que as pessoas e as organizações atuem de forma intercultural. Inclui o conhecimento dos princípios interculturais, como os direitos humanos, a igualdade, a anti-discriminação, a vantagem da diversidade, a interação, a participação, etc., e uma série de competências transversais (como a empatia, o pensamento crítico, a capacidade de ouvir e interagir com outras pessoas de forma não violenta, etc.). A competência intercultural não é apenas necessária na administração pública, mas deve também ser integrada no público em geral.
A Partilha de Práticas centrou-se nas experiências de três cidades no desenvolvimento de competências interculturais, de crianças, jovens e staff municipal e das escolas. Apresentaram práticas as cidades de Barcelos, Oeiras e Porto:
Barcelos
Barcelos apresentou uma ação de sensibilização focada na promoção do diálogo intercultural em contexto escolar, implementada entre janeiro e maio de 2025 pela divisão de Ação Social e Saúde do Município. O staff da autarquia deslocou-se a duas escolas para realizar esta ação que tinha por objetivo fomentar a interculturalidade em jovens estudantes do 2.º e 3.º ciclos. A ação, com uma duração de 2h, foi replicada ao longo dos meses, abrangendo um total de 7 turmas e 120 alunos. A ação de sensibilização organizada e levada a cabo pela cidade passava por desenvolver uma reflexão conjunta acerca do conhecimento sobre a diversidade cultural em presença, reconhecer as vantagens da mesma, assim como partilhar os desafios sentidos e identificar formas de os superar. O exercício proposto envolveu pessoas de diferentes pertenças identitárias, circunstância essa que foi revertida em favor do aprofundamento do exercício, tendo estas sido chamadas a contribuir para a desconstrução de mitos e estereótipos sobre as suas pertenças (culturas/nacionalidades/religiões…). Para cada sessão foram convidadas pessoas de diferentes nacionalidades para apresentar o seu país de origem e algumas curiosidades acerca do mesmo, incluindo jovens de nacionalidade portuguesa.
Oeiras
Oeiras trouxe para a Partilha uma ação inserida num projeto de mediação intercultural local. No âmbito da intervenção do Contrato Local de Segurança de Oeiras, encontra-se a ser desenvolvido um Plano de Intervenção Integrada com as Comunidades Ciganas do qual faz parte um projeto de mediação intercultural em contexto escolar. Toda a comunidade escolar das Escolas do 1º, 2º e 3º Ciclos do Agrupamento de Escolas de Carnaxide-Portela é abrangida pelo projeto de mediação intercultural, apesar de este ter como maior enfoque crianças e jovens das comunidades ciganas as quais representam cerca de 25% de toda a comunidade escolar do Agrupamento e revelam elevadas taxas de absentismo. O projeto, que é desenvolvido pela TECHARI – Associação Nacional e Internacional Cigana (ouvir aqui o nosso episódio de PODCAST “Portugal Plural” com entrevista a esta associação), conta com a presença de duas pessoas mediadoras escolares, um homem e uma mulher. O seu trabalho passa pelo incentivo à presença na escola, pelo acompanhamento nos tempos livres e pela facilitação da comunicação dentro da comunidade escolar e desta com as famílias destas crianças e jovens. Com o fito de comemorar o Dia Internacional das Pessoas Ciganas, ficou patente na Escola Básica Sophia de Mello Breyner, a exposição fotográfica “Dar Vida ao Passado Mais Esquecido”. A exposição, criada pelas pessoas mediadoras da TECHARI, com o objetivo de promover o conhecimento e a valorização da diversidade cultural, reforçar o diálogo intercultural, combater estigmas e promover o respeito pelas diferentes identidades presentes no território, foi seguida de um momento musical, protagonizado por crianças e jovens do Agrupamento.
Porto
A Cidade do Porto partilhou a implementação do projeto “Clube da Interculturalidade”. Este projeto trata-se de uma iniciativa educativa voltada para estudantes dos 8 aos 16 anos de uma escola do Bairro do Cerco, com o objetivo de estimular o pensamento crítico e promover a reflexão sobre a inclusão. Baseado na participação ativa e na ação colaborativa, abrange seis etapas: reflexão sobre a diversidade e a exclusão estrutural; identificação e compreensão dos tipos de violência; participação democrática e tomada de decisão coletiva; exploração de formas de expressão contra a violência; criação e produção de materiais de sensibilização e, por último, aplicação prática e sensibilização comunitária.
No final do evento foi aberto espaço para perguntas e respostas e estimulado o networking entre participantes.
Como se referiu antes, a partilha de práticas dirigida às cidades consistiu na primeira atividade do Intercultural Educators. Ao longo dos próximos meses serão implementadas as demais atividades do plano do projeto, que se baseia na premissa de que a educação é um dos elementos cruciais numa estratégia intercultural com impacto a longo termo, com efeitos ao nível interpessoal, social e político.
No futuro próximo, já no mês de julho, entre os dias 8 e 10 de julho, membros do staff das Cidades do consórcio, juntamente com pessoas singulares e entidades convidadas por cada uma, vão participar na formação em competências interculturais. A formação criada a pensar no trabalho do staff das autarquias e de profissionais de educação (docentes, pessoal auxiliar e administrativo, pessoas mediadoras, prof. de psicologia, entre outros) terá uma duração de 12 horas e propõe-se a desenvolver as competências interculturais – conhecimentos, atitudes e aptidões – ao nível organizacional e individual. Tem por objetivo fortalecer as competências das pessoas participantes para que possam dinamizar ações de sensibilização junto dos públicos com quem trabalham, ainda no âmbito deste projeto.
Pessoas interessadas podem desde já fazer a sua inscrição junto das autarquias de Oeiras, Porto, Barcelos e freguesia de Paranhos (Porto).
O projeto prevê como próximas atividades:
- Três ações de sensibilização com crianças e jovens, dinamizadas pelas pessoas participantes na formação de competências interculturais
- Um webinar nacional para profissionais de ensino sobre cuidados a ter na criação e implementação de ações interculturais, agendado para 24 de setembro (programa e inscrições em breve)
- Um webinar internacional para a rede internacional (ICC), em data a agendar
- Três posts e três episódios de podcast
O consórcio do projeto tem acordado o desenvolvimento de algumas destas atividades com a colaboração de entidades parceiras como a REEI.
No ano de 2024, o projeto anual da RPCI, Escolas Interculturais, também procurou impactar sobre o contexto educativo. É possível rever as práticas partilhadas ao longo deste no Guia Abordagem Intercultural nas Escolas, publicado no final do ano passado.
Neste tópico, a rede internacional de cidades interculturais (ICC) detém um inventário amplo, onde se encontram nove práticas de Cidades da RPCI, Amadora, Braga, Cascais, Lisboa, Oeiras e Portimão.
Para mais informações, entre em contacto com geral@cidadesinterculturais.pt | 938786857
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