Por: Daniela Sebastião
O projeto Words Matter parte de uma premissa simples e poderosa: as palavras importam. O seu objetivo central é capacitar agentes locais, pessoal técnico e profissionais de intervenção social e comunitária, para identificar, compreender e combater o discurso de ódio nos seus territórios, promovendo ao mesmo tempo formas de comunicação mais conscientes, inclusivas e alinhadas com os princípios dos direitos humanos.
Entre os dias 15 e 17 de junho de 2026, decorreu uma formação de três dias, promovida pela Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (RPCI), com um total de 24 horas distribuídas por sessões de manhã e tarde. A formação teve como principal objetivo dotar as pessoas participantes de competências interculturais, ferramentas de leitura crítica do discurso de ódio e instrumentos práticos para desenvolver narrativas alternativas e planos de ação local. Cada dia correspondeu a um bloco temático progressivo, da sensibilização à ação.
No primeiro dia, o enfoque recaiu sobre as competências interculturais, a identidade, a pertença e a comunicação inclusiva. A sessão permitiu uma reflexão partilhada sobre experiências pessoais e profissionais, criando um ambiente de abertura e participação. Na parte da tarde, aprofundou-se o tema do discurso de ódio, os seus mecanismos de disseminação e os seus impactos, bem como as lógicas de polarização, os limites entre liberdade de expressão e incitamento ao ódio, e o papel de microagressões e do humor na perpetuação de preconceitos.
O segundo dia centrou-se nos ecossistemas digitais de comunicação, nos algoritmos, nas bolhas informativas e na economia da atenção, evidenciando como estes fatores influenciam a circulação de desinformação e de mensagens discriminatórias, a formação sublinhou a importância da literacia mediática como competência cívica indispensável. Na parte da tarde, foram trabalhadas estratégias de resposta ao discurso de ódio, distinguindo entre contra-narrativa e narrativa alternativa, com exercícios práticos orientados para a promoção da diversidade, da inclusão e dos direitos humanos.
O terceiro dia foi dedicado à intervenção local e à aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. As pessoas participantes identificaram desafios concretos nos seus contextos e refletiram sobre o papel dos agentes locais enquanto facilitadores de inclusão e mediadores comunitários. Um dos momentos mais marcantes foi o Laboratório de Ação Local, onde, em grupo, foram desenhadas propostas concretas, como narrativas alternativas, iniciativas de educação para os direitos humanos e estratégias de sensibilização comunitária, que servirão de base aos planos de ação local na próxima fase do projeto.
A formação encerrou com um balanço positivo, marcado pelo envolvimento das pessoas participantes e pela convicção de que o trabalho está apenas a começar.

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