RPCI participa no Encontro anual do Conselho Local de Imigração de Odemira

Por: Carla Calado

No passado dia 23 de setembro, Carla Calado, presidente do Conselho de Administração da RPCI e coordenadora da Rede representou a nossa cooperativa no encontro anual do CLI de Odemira.

O encontro iniciou pelas palavras de acolhimento e esperança do presidente do Município, Hélder Guerreiro, e pelas inspiradoras palavras de Rui Marques, Ex alto comissário para as migrações. 

Boas vindas pelo presidente da CM Odemira, Hélder Guerreiro

A participação da RPCI fez-se no Painel I – Quando as minorias deixam de o ser…

As perguntas de partida incitaram a uma reflexão sobre estratégia e programas de intervenção: Territórios de baixa densidade com elevada representatividade da população imigrante exigem estratégias diferenciadas, maior financiamento público… o que se perspetiva para estes territórios?

Nesta mesa participaram Carla Calado, presidente da RPCI, Cláudia Pereira, Coordenadora do curso Academia+ (ISCTE) e Ex Secretária de Estado das Migrações, Mário Ribeiro, Coordenador Equipa Multidisciplinar · Observatório das Migrações, AIMA, Ricardo Pinheiro, Presidente da CCDR Alentejo. A moderação esteve a cargo de Ana Laura Santos | O Lugar Comum.

Mesa do Painel 1

A conversa discorreu sobre o panorama nacional das migrações e o caso concreto de Odemira como uma cidade onde as pessoas de origem estrangeira e descendentes de pessoas migrantes atualmente ultrapassam a população autóctone. 

Considerações sobre dados estatísticos e tendências, orientações e oportunidade de financiamento e investimento estratégico foram sendo apresentadas. Da parte da RPCI foi feito um alerta para que as políticas e estratégias devem de facto existir, mas devem ser acompanhadas de implementação de programas efetivos nos territórios. Para tal é necessário assegurar que as equipas municipais e de todos os serviços públicos detêm as competências interculturais necessárias. Não sendo competências adquiridas de nascença, esta podem ser desenvolvidas ao longo da vida com formação dedicada. 

Ainda, foi realçado que uma maioria se pode facilmente sentir uma minoria. Maioria e acesso a recursos, poder e privilégio não estão necessariamente associadas. Ainda, uma maioria de pessoas de origem estrangeira é em si muito diversa, composta por diferentes pessoas de diversas nacionalidades, cores de pele, níveis de instrução, línguas que terão experiências muito distintas no acesso a recursos e na sua experiência de exclusão. Ao contrário a população autóctone será sempre mais homogénea e continuará com um acesso sempre privilegiado a oportunidades e recursos. 

Por fim, a importância de agir com base nos 4 princípios da interculturalidade foi mencionada:

– Diversidade como vantagem: antes de mãos é necessário que seja claro e inequívoco que a cidade perceciona a sua diversidade local como uma vantagem e uma riqueza a ser nutrida e valorizada. Tal deve ser evidente em discursos e documentos oficiais e públicos sem margem para dúvidas, e atente nos programas e políticas de todas as áreas de intervenção. 

– Participação: nada sobre nós sem nós – assegurar a representatividade a nível politico e institucional, assumindo que a participação não se esgota na auscultação das populações mas necessita de ser assumida igualem-te nos processos de tomada de decisão, implementação e avaliação de políticas e programas.

– Integração Intercultural: a verdadeira inclusão não pode acontecer se o acesso aos serviços se escontra comprometido ou dificultado. Um sentimento de pertença é atingido quando existe justiça social efetiva. Para tal e necessário que não persistam atitudes preconceituosas em nenhum serviço público. 

Foi salientada a importância de reforçar competências interculturais não apenas pelo aumento do conhecimento mas igualmente pela auto-reflexão e espírito crítico que permitam a estas equipas refletir sobre os seus preconceitos, estereótipos e enviesamentos e evitar agira com base nos mesmos. Para tal, o treino de competências práticas deve igualmente ser estimulado.

– Interação positiva: é necessário que seja estimulada a interação positiva entre as diferentes populações que habitam a cidade. Esta interação tem que ser intencionalmente proporcionada, através da geração de espaços de convivência e da prevenção e gestão de conflitos interculturais, para os quais é preciso existir preparação técnica. 

Mesa do Painel 1

Programa do evento

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