Ações anti-rumores de nível local nas três cidades EPIC

Por: Inês Granja

O projeto EPIC_IDEA (Empowering Youth Participation for Inclusive and Plural Communities) promove a participação ativa de pessoas jovens na vida democrática e cívica, incentivando a criação de comunidades mais inclusivas e plurais através de abordagens participativas e de base local. Desenvolvido por uma parceria transnacional de organizações da sociedade civil, o projeto reúne entidades de Portugal, Espanha, Itália e Hungria, inspirando-se no trabalho realizado no âmbito da Rede Internacional das Cidades Interculturais do Conselho da Europa. Em Portugal, o projeto conta com a participação dos municípios de Cascais, Santa Maria da Feira e Vila Verde, bem como do parceiro social Clube Intercultural Europeu. O projeto decorre entre setembro de 2024 e agosto de 2026.

No âmbito do projeto, foram implementadas, em novembro de 2025  ações Anti-Rumores em Cascais, Santa Maria da Feira e Vila Verde, envolvendo um total de 255 participantes, maioritariamente crianças e pessoas jovens. Estas iniciativas tiveram como principal objetivo mobilizar pessoas jovens ativistas para a criação e implementação de ações locais capazes de promover o pensamento crítico, combater estereótipos e preconceitos e reforçar os valores europeus da diversidade, inclusão e participação democrática. As ações nasceram de propostas desenvolvidas por pessoas jovens participantes do National Youth Camp do EPIC IDEIA e foram posteriormente adaptadas aos diferentes contextos locais, recorrendo a metodologias artísticas, criativas e participativas.

Em Cascais, pessoas jovens ativistas decidiram trabalhar os rumores associados aos bairros de habitação municipal e à estigmatização das pessoas jovens que vivem nesses contextos. Através de um processo colaborativo entre pessoas jovens de diferentes bairros, foram produzidos dois vídeos curtos destinados a desconstruir preconceitos e a dar visibilidade a experiências reais de discriminação. Toda a conceção dos guiões, personagens e filmagens foi liderada pelas respetivas pessoas jovens, com apoio técnico de um artista local. A ação culminou num evento público integrado numa celebração comunitária, onde os vídeos foram apresentados e debatidos com representantes institucionais, associações locais, famílias e membros da comunidade (ver imagem abaixo). O momento permitiu refletir sobre os impactos dos rumores na vida das pessoas jovens e reforçar o papel das iniciativas comunitárias na promoção da inclusão.

Em Santa Maria da Feira, o grupo de pessoas jovens ativistas optou por desenvolver uma oficina artística de pintura de tote bags (ver imagem abaixo), centrada na reflexão sobre rumores e preconceitos relacionados com migração, deficiência, género e comunidade cigana. O workshop decorreu no CIRAC – Fórum Cultural de Paços de Brandão e reuniu crianças, pessoas jovens, famílias e membros da comunidade local. Após uma sessão inicial de diálogo sobre rumores e desinformação, as pessoas participantes transformaram as suas reflexões em mensagens visuais pintadas em sacos reutilizáveis. A ação incluiu ainda uma dimensão de sensibilização comunitária, com as pessoas participantes a distribuírem os tote bags em cafés, comércio local e espaços públicos, promovendo conversas sobre preconceitos, empatia e pensamento crítico junto da população.

Já em Vila Verde,  algumas pessoas jovens do GIF J – Gabinete da Infância e Família Jovem – decidiram centrar a sua ação nos rumores e preconceitos dirigidos a pessoas das comunidades ciganas. Para isso, criaram um podcast sobre questões sociais, pensado como uma ferramenta acessível e próxima de outras pessoas jovens. O episódio contou com a participação de Susana Silveira e Filipa Matos, duas mulheres ciganas portuguesas, que partilharam testemunhos sobre discriminação, exclusão e os impactos dos estereótipos nas suas vidas pessoais e profissionais. Toda a criação, organização, condução da entrevista e dimensão artística do podcast ficaram a cargo das pessoas jovens do GIF J. A apresentação foi assegurada por Luiza Castilhos e Inês Martins, a música foi criada por Guilherme Firmo e a edição realizada por Inês Martins. O podcast foi posteriormente utilizado como recurso pedagógico em duas sessões Anti-Rumores dinamizadas pelas respectivas pessoas jovens na Escola Secundária de Vila Verde (ver imagem abaixo), no dia 27 de novembro de 2025, promovendo momentos de escuta, diálogo e reflexão crítica entre pessoas estudantes. Ouçam o podcast criado pelo grupo de pessoas jovens de Vila Verde aqui: Spotify

As ações implementadas nas três cidades demonstraram o potencial das abordagens lideradas por pessoas jovens na promoção da inclusão, da cidadania ativa e do combate à discriminação. Através de metodologias criativas e participativas — como vídeo, pintura e podcast —  pessoas jovens ativistas assumiram um papel central enquanto agentes de mudança, contribuindo para a construção de comunidades mais inclusivas, plurais e conscientes do impacto dos rumores e preconceitos no quotidiano.

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