Depois de uma formação em competências interculturais, que reuniu staff municipal e profissionais de ensino, o projeto Intercultural Educators abre as inscrições para um webinar destinado aprofissionais do ensino. Este webinar é promovido pela RPCI – Rede Portuguesa de Cidades Interculturais, numa parceria estreita com a Câmara Municipal de Barcelos, a Câmara Municipal de Oeiras, a JF de Paranhos e a Câmara Municipal do Porto. E conta com o apoio da REEI-Rede de Escolas para a Educação Intercultural e do Centro de Formação do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Famalicão.
O webinar decorrerá no dia 9 de outubro, entre as 15h e as 18h (hora de Portugal, GMT+1), em português, terá a duração de 3h e será dedicado aos cuidados a ter na criação e implementação de ações/projetos interculturais. O mesmo confere acreditação a profissionais de ensino.
Este encontro online será dedicado a conhecer atividades e projetos interculturais realizados em contexto educativo que promovem a gestão positiva da diversidade, fomentam as suas vantagens, encorajam interações interculturais positivas e visam a garantia da igualdade. Com este webinar, é esperado que profissionais do ensino tomem contacto com ações/projetos interculturais, aumentem a literacia no âmbito da interculturalidade, desenvolvam confiança na aplicação dos princípios interculturais na prática e sejam capazes de impulsionar ações/projetos interculturais sustentados e eficazes, que fomentem uma abordagem intercultural nas escolas. Nele iremos ouvir experiências práticas, recomendações e preocupações de docentes representantes de três escolas portuguesas: Agrupamento de Escolas Vale da Amoreira, Agrupamento de Escolas Marinha Grande Poente e Associação Pró-Infância Santo António de Lisboa [APISAL]. E, no final da sessão, haverá um momento dedicado à interação entre os participantes, para questões e partilhas.
Objetivos do webinar:
✅Partilhar práticas no âmbito da interculturalidade;
✅Desenvolver confiança na aplicação dos princípios interculturais na prática;
✅Impulsionar ações/projetos interculturais sustentados e eficazes, que fomentem uma abordagem intercultural nas escolas.
Tome nota na sua agenda e inscreva-se no formulário disponível aqui.
Uma vez realizado o registo, a RPCI irá enviar-lhe o link para ingressar.
📆 9 de outubro de 2025
🕰️ 15:00-18:00 (GMT+1)
📍online, na aplicação Teams
O Intercultural Educators (Educadores Interculturais) é o projeto anual da RPCI, financiado pelo Conselho da Europa (programa Intercultural Cities) abrangendo as 18 autarquias da rede nacional (RPCI). Barcelos, Oeiras, JF Paranhos e Porto fazem parte do consórcio de cidades envolvidas na gestão deste projeto. O objetivo é aprofundar o trabalho de promoção de iniciativas de conscientização intercultural em ambientes educacionais; fomentar a lente intercultural em ambientes educacionais, promovendo oportunidades de aprendizagem para staff das autarquias e profissionais de ensino; desenvolver a autorreflexão e conhecimento e, finalmente, cultivar competências interculturais.
As Narrativas dominantes são as narrativas mais amplamente disseminadas num determinado contexto, e moldam a forma como as pessoas pensam sobre um determinado assunto, como por exemplo a migração, influenciando diretamente as atitudes, crenças e decisões políticas.Foi isso que destacou o mais recente relatório do Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia, publicado em junho, sobre o impacto das narrativas de migração nas perceções e políticas públicas. Este tipo de narrativas, quando possuem uma raiz desinformada e cariz negativo, se não forem contestadas ou desconstruídas, minam a coesão social e colocam em perigo a inclusão de pessoas de diversas origens na nossa sociedade, fomentando o conflito, a desconfiança e o ódio.
Segundo o guia “Designing a communication strategy in intercultural cities” produzido pela Rede Espanhola de Cidades Interculturais (RECI), com o apoio do Conselho da Europa, narrativas são uma forma de apresentar e interpretar acontecimentos ou realidades (existentes ou potenciais), com o objetivo de promover um ponto de vista ou abordagem particular baseada em valores e ideias específicas.
O relatório do JRC reforça que as narrativas podem omitir elementos que não se alinham com a visão dominante, contribuindo para uma confirmação de perceções distorcidas sobre temas complexos, como o da migração.
O movimento Contra o Discurso de Ódio alerta que as narrativas podem não ser evidentes, uma vez que, com frequência, não são mencionadas explicitamente, mas estão implícitas nas mensagens. Por isso, é urgente ter ferramentas para as identificar e analisar.
É precisamente com base neste entendimento que a RPCI tem desenvolvido o seu trabalho para transformar narrativas e promover a inclusão das comunidades migrantes.
No âmbito de políticas públicas, e a convite do município de Loures, a RPCI está a colaborar na implementação do Plano Municipal de Integração de Migrantes (PMIM) de Loures 2024-2027. Este plano promove a concretização do processo deintegração das pessoas migrantes na sociedade portuguesa, contribuindo para uma gestão mais eficaz e inclusiva dos fluxos migratórios, ao nível do desenvolvimento local.
Porque acreditamos que promover a integração passa também pela (re)construção de narrativas positivasque valorizem a diversidade e o contributo das comunidades para o desenvolvimento social, o nosso projeto STAND visa apoiar cidades na criação de narrativas alternativas.
Loures foi uma das quatro cidades envolvidas – juntamente com Barcelos, Vila Verde e Viseu – em momentos de diagnóstico participativo que permitiram identificar as principais narrativas opressoras locais.
Mas afinal, o que são narrativas alternativas e como podemos desconstruir as narrativas dominantes negativas que ainda dominam o discurso público? A RPCI mostra o caminho.
Como construir narrativas alternativas?
As narrativas alternativas surgem como uma uma resposta crítica às percepções negativas dominantes, focando-se em construir narrativas positivas, pluralistas ou progressistas baseadas nos princípios interculturais e no respeito pelos direitos humanos.
Alguns fatores que devemos ter em atenção quando desconstruimos narrativas são:
Adotar uma perspetiva anti-etnocentrista da história
Desconstruir narrativas opressoras exige ir à raiz dos problemas sociais, culturais e políticos, contextualizando a história das desigualdades para entender os mecanismos atuais de exclusão das comunidades migrantes e racializadas. Superar o etnocentrismo implica rejeitar a ideia de que existe uma cultura ou narrativa histórica superior, e dar lugar a múltiplas perspetivas.
A autora Chimamanda Adichie fala-nos do “perigo da história única”, argumentando que quando apenas uma narrativa é contada, criamos estereótipos e perceções limitadas. Ouvir e contar outras histórias é um passo essencial para combater o preconceito.
Abrir espaços às vozes periféricas
É urgente garantir que as próprias comunidades migrantes e racializadas falem sobre a sua própria história. A autora brasileira Djamila Ribeiro introduz o conceito de “lugar de fala” como o lugar social, económico, político e cultural a partir do qual alguém fala e que molda as suas experiências e vivências.
Reconhecer que determinados grupos sociais possuem experiências únicas de discriminação e que a maioria destas perspetivas continua a ser marginalizada nos espaços mainstream exige criar condições para que as suas vozes sejam ouvidas nos media, nas artes, na política e na educação.
Criar redes de resistência coletiva
A mudança narrativa e estrutural exige ação coletiva e não apenas individual. As narrativas ganham força quando nascem de redes, coletivos e movimentos, que articulam vozes, experiências e estratégias de ação.
Durante o processo de desconstrução de narrativas, é, ainda, essencial distinguir entre contra narrativas e narrativas alternativas. Apesar dos dois termos se focarem no combate a discursos discriminatórios baseados numa cultura de Direitos Humanos e de Democracia, apresentam abordagens distintas.
As contra narrativas fazem referências diretas à narrativa opressora, oferecendo contra-argumentos e factos. Já as narrativas alternativas tentam enfraquecer o discurso de ódio construindo uma nova narrativa com um enquadramento alternativo que apoie a mudança que se quer trazer à sociedade.
O movimento Contra o Discurso de Ódio realça que, na prática, a diferença entre os dois termos pode ser ténue mas uma contra narrativa é essencialmente reativa – ela reage a uma narrativa opressora, podendo, sem intenção, com a sua reação reforçar o que pretende desconstruir. Por sua vez, as Narrativas Alternativas contam novas histórias e diferentes perspectiva de forma proativa, de forma a gerar imagens e disseminar mensagens positivas sobre os diferentes grupos.
São necessários quatro passos para a construção de uma contra narrativa ou narrativa alternativa:
Analisar a narrativa opressiva que queremos combater.
Conceber a contranarrativa ou narrativa alternativa.
Implementar a contranarrativa ou narrativa alternativa.
Avaliar e monitorizar a contranarrativa ou narrativa alternativa.
Porque, na RPCI, acreditamos que este trabalho deve ser feito em rede, os próximos passos do projeto STAND passam por workshops de co-criação de narrativas em todas as cidades com as comunidades visadas, implementado metodologias participativas e de colaboração entre staff municipal, serviços públicos e as comunidades. Só assim poderemos construir um discurso mais plural, justo e centrado nos Direitos Humanos.
Antes disso, e após as ações de formação realizadas em Barcelos, Vila Verde e Viseu no mês de julho, foram realizadas ações com agentes locais em Loures, nos dias 2, 3 e 4 de setembro.
Imagem 1 – Formação em Loures (Turma 1)
Imagem 2 – Formação em Loures (Turma 2)
Acompanha-nos para saber mais sobre os próximos passos do projeto!
Nos dias 8, 9 e 10 de Julho, decorreu a Formação de Agentes de Sensibilização em Competências Interculturais, no âmbito do projeto Intercultural Educators.
Financiado pelo Conselho da Europa, este projeto anual da RPCI visa ampliar as competências e os conhecimentos no âmbito da interculturalidade, de staff das autarquias, profissionais de ensino, crianças e jovens. O projeto abrange as 19 Cidades da Rede Portuguesa das Cidades Interculturais, sendo Barcelos, Oeiras, Paranhos e Porto as cidades envolvidas no consórcio de gestão deste projeto.
A Formação de Agentes de Sensibilização em Competências Interculturais incidiu no desenvolvimento de competências interculturais, a nível individual e organizacional, e tem em vista a implementação de ações locais de sensibilização pelas pessoas participantes. Esta atividade vem responder à necessidade de uma maior sensibilização em ambientes escolares e de mais formação em competências interculturais manifestada pelas Cidades. Procurou-se aumentar a capacidade de gerir as interações interculturais, incluindo a comunicação intercultural; desenvolver a confiança em navegar com sucesso em ambientes diversos; potenciar a adesão e compromisso com políticas e práticas interculturais; e fomentar a aquisição de competências para conceber e promover políticas públicas ou projetos que fomentem uma abordagem intercultural, aumentando a sua eficácia.
Ao longo dos três dias de formação, num total de 12 horas, as pessoas participantes foram convidadas a partilhar situações concretas e a aprender com as situações ou dilemas das demais, e a refletir sobre como aplicar competências interculturais nessas situações. As sessões dos dias 8 e 10 de julho foram dinamizadas por Mab Marques, consultora da RPCI, com o apoio da coordenadora de projetos da RPCI, Inês Granja. E a sessão do dia 9 de julho ficou a cargo da REEI – Rede de Escolas para a Educação Intercultural (uma iniciativa conjunta da AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, I.P., do Ministério da Educação através da Direção-Geral da Educação e da Fundação Aga Khan Portugal), parceira do projeto Intercultural Educators. A formação foi guiada por Thaissa Cavalcanti e Diana Fernandes, da AIMA, e Teresa Oliveira e Mónica Mascarenhas, da Fundação Aga Khan.
O primeiro dia centrou-se na tomada de consciência dos principais conceitos que estão na base das Competências Interculturais. O dia arrancou com o enquadramento teórico sobre diversidade, competências interculturais e identidade, com o intuito de incentivar uma reflexão pessoal das pessoas participantes sobre os próprios preconceitos e estereótipos. Valorizando as diferentes identidades, ligadas a uma multiplicidade de referências culturais, foi sublinhada a necessidade de reconhecer estereótipos e preconceitos como passo fundamental para alcançar uma verdadeira inclusão que celebre a diversidade.
Por sua vez, o segundo dia centrou-se em desenvolver confiança na aplicação dos Princípios Interculturais na sua prática. Esta manhã de formação focou-se no desenvolvimento de ferramentas para a criação de espaços de participação e redes de cooperação. A proposta foi pensar a interculturalidade como um processo coletivo, em que diferentes atores trabalham em conjunto para construir um espaço educativo verdadeiramente inclusivo. A sessão salientou o trabalho em rede como uma das chaves para uma sociedade plural, que deve envolver escolas, câmaras municipais, juntas de freguesia, associações e outras organizações locais, numa lógica de colaboração contínua e compromisso com a inclusão.
E, por último, o terceiro, focou-se em desenvolver competências de comunicação intercultural e preparar as ações de sensibilização locais. Foram trabalhados tópicos de trabalho como a Cadeia da Discriminação, níveis de discriminação, empatia e interação intercultural e, depois disso, foi dado a conhecer o Workshop Antirracista, realizado no ano anterior, no âmbito do projeto Escolas Interculturais. Este workshop da RPCI tem como objetivo sensibilizar crianças, jovens e profissionais de educação para a discriminação racial e as formas de a prevenir e combater e está disponível no Guia Abordagem Intercultural nas Escolas: Orientações para Professores, desenvolvido pela RPCI. Como forma de aplicar os conhecimentos adquiridos nos três dias da formação, e como forma de preparação das ações de sensibilização do projeto, as pessoas participantes foram desafiadas a recriar o Quiz que integra o Workshop Antirracista e a refletir sobre a sua aplicação noutros tópicos, tal como anticiganismo, migrações, diálogo interreligioso, combate ao discurso de ódio e igualdade de género.
Promover a educação intercultural é investir numa sociedade mais justa, inclusiva e preparada para acolher a diversidade. Os próximos passos do projeto, para além das ações de sensibilização, incluem, nomeadamente, um webinar nacional sobre cuidados a ter na criação e implementação de ações interculturais, um conjunto de 3 episódios do Podcast Portugal Plural (sobre o valor do desenvolvimento de competências interculturais; uma prática no âmbito do desenvolvimento de competências interculturais; e, por último, o que é a mediação linguística), e um Webinar Internacional dirigido a toda a Rede ICC, nos tópicos centrais do projeto.
Na manhã do passado dia 3 de junho, decorreu a Partilha de Práticas do projeto anual da RPCI, financiado pelo Programa das Cidades Interculturais do Conselho da Europa, o Intercultural Educators. Neste encontro aberto a todas as Cidades da RPCI, estiveram reunidas 19 pessoas, tendo marcado presença as Cidades que são parte do consórcio responsável pela gestão deste projeto, Barcelos, Oeiras, JF Paranhos e Porto e, ainda, Fundão, Loures, Odemira, Portimão e Vila Verde.
O evento teve por objetivo partilhar práticas de incremento das competências interculturais do staff das autarquias, profissionais de ensino e crianças e jovens estudantes. Tratou-se da primeira atividade do projeto Intercultural Educators que foi aberta igualmente a cidades em processo de adesão. Até então, este projeto, focado em valorizar positivamente a diversidade nos contextos escolares e no seio da comunidade, que se iniciou no mês de maio e termina em novembro, já contava com três reuniões do consórcio e uma reunião com a entidade parceira – REEI – Rede de escolas para a educação Intercultural.
De acordo com o Glossário de Termos-Chave do Conselho da Europa, deter competências interculturais significa, por definição:
A capacidade de compreender e respeitar os outros para além de todos os tipos de barreiras culturais. As competências interculturais referem-se ao conjunto de conhecimentos e aptidões necessários para que as pessoas e as organizações atuem de forma intercultural. Inclui o conhecimento dos princípios interculturais, como os direitos humanos, a igualdade, a anti-discriminação, a vantagem da diversidade, a interação, a participação, etc., e uma série de competências transversais (como a empatia, o pensamento crítico, a capacidade de ouvir e interagir com outras pessoas de forma não violenta, etc.). A competência intercultural não é apenas necessária na administração pública, mas deve também ser integrada no público em geral.
A Partilha de Práticas centrou-se nas experiências de três cidades no desenvolvimento de competências interculturais, de crianças, jovens e staff municipal e das escolas. Apresentaram práticas as cidades de Barcelos, Oeiras e Porto:
Barcelos
Barcelos apresentou uma ação de sensibilização focada na promoção do diálogo intercultural em contexto escolar, implementada entre janeiro e maio de 2025 pela divisão de Ação Social e Saúde do Município. O staff da autarquia deslocou-se a duas escolas para realizar esta ação que tinha por objetivo fomentar a interculturalidade em jovens estudantes do 2.º e 3.º ciclos. A ação, com uma duração de 2h, foi replicada ao longo dos meses, abrangendo um total de 7 turmas e 120 alunos. A ação de sensibilização organizada e levada a cabo pela cidade passava por desenvolver uma reflexão conjunta acerca do conhecimento sobre a diversidade cultural em presença, reconhecer as vantagens da mesma, assim como partilhar os desafios sentidos e identificar formas de os superar. O exercício proposto envolveu pessoas de diferentes pertenças identitárias, circunstância essa que foi revertida em favor do aprofundamento do exercício, tendo estas sido chamadas a contribuir para a desconstrução de mitos e estereótipos sobre as suas pertenças (culturas/nacionalidades/religiões…). Para cada sessão foram convidadas pessoas de diferentes nacionalidades para apresentar o seu país de origem e algumas curiosidades acerca do mesmo, incluindo jovens de nacionalidade portuguesa.
Oeiras
Oeiras trouxe para a Partilha uma ação inserida num projeto de mediação intercultural local. No âmbito da intervenção do Contrato Local de Segurança de Oeiras, encontra-se a ser desenvolvido um Plano de Intervenção Integrada com as Comunidades Ciganas do qual faz parte um projeto de mediação intercultural em contexto escolar. Toda a comunidade escolar das Escolas do 1º, 2º e 3º Ciclos do Agrupamento de Escolas de Carnaxide-Portela é abrangida pelo projeto de mediação intercultural, apesar de este ter como maior enfoque crianças e jovens das comunidades ciganas as quais representam cerca de 25% de toda a comunidade escolar do Agrupamento e revelam elevadas taxas de absentismo. O projeto, que é desenvolvido pela TECHARI – Associação Nacional e Internacional Cigana (ouvir aqui o nosso episódio de PODCAST “Portugal Plural” com entrevista a esta associação), conta com a presença de duas pessoas mediadoras escolares, um homem e uma mulher. O seu trabalho passa pelo incentivo à presença na escola, pelo acompanhamento nos tempos livres e pela facilitação da comunicação dentro da comunidade escolar e desta com as famílias destas crianças e jovens. Com o fito de comemorar o Dia Internacional das Pessoas Ciganas, ficou patente na Escola Básica Sophia de Mello Breyner, a exposição fotográfica “Dar Vida ao Passado Mais Esquecido”. A exposição, criada pelas pessoas mediadoras da TECHARI, com o objetivo de promover o conhecimento e a valorização da diversidade cultural, reforçar o diálogo intercultural, combater estigmas e promover o respeito pelas diferentes identidades presentes no território, foi seguida de um momento musical, protagonizado por crianças e jovens do Agrupamento.
Porto
A Cidade do Porto partilhou a implementação do projeto “Clube da Interculturalidade”. Este projeto trata-se de uma iniciativa educativa voltada para estudantes dos 8 aos 16 anos de uma escola do Bairro do Cerco, com o objetivo de estimular o pensamento crítico e promover a reflexão sobre a inclusão. Baseado na participação ativa e na ação colaborativa, abrange seis etapas: reflexão sobre a diversidade e a exclusão estrutural; identificação e compreensão dos tipos de violência; participação democrática e tomada de decisão coletiva; exploração de formas de expressão contra a violência; criação e produção de materiais de sensibilização e, por último, aplicação prática e sensibilização comunitária.
No final do evento foi aberto espaço para perguntas e respostas e estimulado o networking entre participantes.
Como se referiu antes, a partilha de práticas dirigida às cidades consistiu na primeira atividade do Intercultural Educators. Ao longo dos próximos meses serão implementadas as demais atividades do plano do projeto, que se baseia na premissa de que a educação é um dos elementos cruciais numa estratégia intercultural com impacto a longo termo, com efeitos ao nível interpessoal, social e político.
No futuro próximo, já no mês de julho, entre os dias 8 e 10 de julho, membros do staff das Cidades do consórcio, juntamente com pessoas singulares e entidades convidadas por cada uma, vão participar na formação em competências interculturais. A formação criada a pensar no trabalho do staff das autarquias e de profissionais de educação (docentes, pessoal auxiliar e administrativo, pessoas mediadoras, prof. de psicologia, entre outros) terá uma duração de 12 horas e propõe-se a desenvolver as competências interculturais – conhecimentos, atitudes e aptidões – ao nível organizacional e individual. Tem por objetivo fortalecer as competências das pessoas participantes para que possam dinamizar ações de sensibilização junto dos públicos com quem trabalham, ainda no âmbito deste projeto.
Pessoas interessadas podem desde já fazer a sua inscrição junto das autarquias de Oeiras, Porto, Barcelos e freguesia de Paranhos (Porto).
O projeto prevê como próximas atividades:
Três ações de sensibilização com crianças e jovens, dinamizadas pelas pessoas participantes na formação de competências interculturais
Um webinar nacional para profissionais de ensino sobre cuidados a ter na criação e implementação de ações interculturais, agendado para 24 de setembro (programa e inscrições em breve)
Um webinar internacional para a rede internacional (ICC), em data a agendar
Três posts e três episódios de podcast
O consórcio do projeto tem acordado o desenvolvimento de algumas destas atividades com a colaboração de entidades parceiras como a REEI.
Neste tópico, a rede internacional de cidades interculturais (ICC) detém um inventário amplo, onde se encontram nove práticas de Cidades da RPCI, Amadora, Braga, Cascais, Lisboa, Oeiras e Portimão.
Enquanto a RPCI trabalha para desconstruir estas narrativas de ódio através do projeto STAND, convidamo-lo a refletir sobre o que se entende por discurso de ódio e a conhecer melhor o trabalho que temos vindo a desenvolver para o combater.
“Todas as formas de expressão que propagam, incitam, promovem ou justificam o ódio, a violência ou a discriminação contra uma pessoa ou grupo de pessoas, com base em características ou estatutos reais ou atribuídos, como a ‘raça’, cor, língua, religião, nacionalidade, origem étnica ou nacional, idade, deficiência, sexo, identidade de género ou orientação sexual.”
O relatório da ECRI sublinha que, apesar da escassez de dados oficiais, diversas organizações da sociedade civil e entidades independentes têm vindo a denunciar um crescimento significativo do discurso de ódio em Portugal, que visa sobretudo pessoasMigrantes, as comunidades Ciganas, a população LGBTI e pessoas Negras.
Entre os aspetos destacados no relatório estão:
a normalização do discurso xenófobo e racista por parte de representantes políticos, em particular com discursos anti-imigração;
persistência da definição de perfis raciais (racial profiling) e de abusos por parte de agentes policiais;
o discurso de ódio online;
e os casos deviolência motivada por ódio racial, por vezes associada a grupos neonazis.
Particular preocupação merece o discurso anti-migração, especialmente dirigido a pessoas migrantes não europeias, como os de outros países de língua oficial portuguesa e do sul da Ásia. Altamente amplificado por grupos anti-imigração, está cada vez mais presente nas discussões políticas, nomeadamente através da relação errada entre migração e criminalidade – uma retórica sem base factual e já negada pelo diretor nacional da Polícia Judiciária.
No mesmo mês em que se assinalou o combate ao Discurso de Ódio, ocorreram vários episódios violentos de inspiração racista e xenófoba em Portugal:
Perante esta escalada de violência e intolerância, torna-se cada vez mais urgente desconstruir as narrativas de ódio que a alimentam e proteger as comunidades mais afetadas.
Uma forma de combater o discurso de ódio é através da promoção de narrativas alternativas. Estas não partem do princípio que basta contrariar ou denunciar as narrativas negativas, propõem, antes, criar uma alternativa de pensamento sobre as situações, assente nos Direitos Humanos e focada em interpretações positivas da realidade.
É precisamente nesse sentido que atua o projeto STAND, atualmente a ser desenvolvido em Portugal pela RPCI, e que tem como um dos seus principais objetivos a construção de narrativas que valorizem a diversidade e o contributo das minorias para o desenvolvimento da sociedade.
Neste projeto, a RPCI envolve quatro cidades: Barcelos, Loures, Vila Verde e Viseu, que participaram em momentos de diagnóstico que permitiram aferir as principais narrativas opressoras vigentes em cada local. Cada cidade elegeu os temas considerados prioritários, tendo Viseu e Barcelos elegido as narrativas que afetam as comunidades Ciganas, Loures as narrativas dirigidas a pessoas jovens de origem estrangeira e Vila Verde as dirigidas a comunidades de diversas origens.
Na semana passada iniciou-se uma segunda fase do projeto, com formação para agentes locais em Barcelos, Vila Verde e Viseu com participação de cerca de 52 pessoas no total. Estas três ações de formação permitiram refletir sobre e desconstruir preconceitos, identificar as raízes das narrativas opressoras e da desinformação que fundamentam o discurso de ódio e aprender sobre como construir novas narrativas.
Formação com agentes locais em Barcelos
Nestas ações, foram analisados os processos sociais pelos quais são desenvolvidas e disseminadas narrativas opressoras, muitas vezes promotoras do ódio e da intolerância e potenciado o debate sobre os mesmos.
Perante o crescimento do discurso de ódio em Portugal, é fundamental somar esforços e afirmar que a discriminação não tem lugar numa sociedade democrática. Foi nesse espírito que a Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão (APPDI), a Amnistia Internacional Portugal e a Associação CRESCER lançaram a Carta Aberta “Ódio não é Opinião: Contra a discriminação em Portugal”. A RPCI subscreve esta iniciativa e convida todas as pessoas e organizações a juntarem-se a este apelo em defesa dos Direitos Humanos e da inclusão.
Formação com agentes locais em Vila Verde
Acreditamos que apenas pelo diálogo e pela educação é possível construir uma sociedade mais inclusiva e intercultural, que valoriza a diversidade e favorece a verdadeira justiça social.
De seguida será realizada a formação em Loures e workshops de co-criação de narrativas em todas as cidades com as comunidades visadas, implementado metodologias participativas e de colaboração entre a autarquia, serviços públicos e as comunidades.
É com muito orgulho e prazer que recebemos mais um município membro na rede!
Acompanhando os fluxos migratórios mundiais decorrentes do fenómeno da globalização, o concelho de Vila Nova de Gaia tem enfrentado crescentes desafios inerentes à interculturalidade e ao aumento exponencial da imigração no território que, na última década, verificou um aumento superior a 200%. Nesta conjuntura, tem sido reforçado um trabalho social colaborativo que procura salvaguardar os direitos fundamentais dos imigrantes que chegam a este território, através de um acolhimento humanizado e da inclusão social de todos.
Vila Nova de Gaia à beira rio
É compromisso do Município de Vila Nova de Gaia contribuir para uma sociedade mais plural e inclusiva, enquanto território que tem integrado, desde há vários anos, a temática da interculturalidade nos seus documentos estratégicos de planeamento de políticas públicas (https://www.cm-gaia.pt/pt/cidade/acao-social/interculturalidade/), o que se tem refletido numa maior aposta em projetos de intervenção social nesta matéria.
A Rota da Interculturalidade (https://www.cm-gaia.pt/pt/cidade/acao-social/interculturalidade/rota-da-interculturalidade/) é um evento anual que enaltece a diversidade cultural através de iniciativas diversificadas e inspiradoras, potenciadoras do diálogo intercultural entre os migrantes e os grupos étnicos existentes no concelho e a sua comunidade de acolhimento. O município disponibiliza também serviços de atendimento especializado para informação e apoio destinado a facilitarem a sua integração, nomeadamente o Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE) e o Centro Local de Apoio À Integração de Migrantes (CLAIM).
Damos os parabéns a Vila Nova de Gaia por esta iniciativa e compromisso!
No âmbito do Projeto STAND, a Câmara Municipal de Loures e a RPCI organizaram um evento de convívio e reflexão entre jovens no passado 24 de maio, no Parque Nacional do Cabeço de Montachique, Loures, com o objetivo de refletir sobre as narrativas existentes que afetam negativamente as suas vidas.
Narrativas Alternativas: o que são e porque importam?
Nos dias de hoje, as pessoas jovens estão imersas num turbilhão de informações, opiniões e histórias que circulam rapidamente através das redes sociais, amizades e até mesmo de maneira informal, nas ruas. Esses “rumores” – muitas vezes distorcidos ou baseados em preconceitos – têm um grande impacto na forma como pessoas jovens se percebem, percebem as outras pessoas e nas relações sociais que estabelecem.
As narrativas alternativas têm sido uma ferramenta poderosa para contrariar as narrativas dominantes e estabelecer um espaço de reflexão crítica sobre questões como o racismo, a igualdade de género e sobre outras formas de discriminação. Ao explorar “o que se diz por aí” – o que é contado, mas também o que é escondido ou distorcido – podemos ajudar pessoas jovens a falar sobre o que as afeta e a desenvolver uma visão mais empática e justa sobre o que afeta outros grupos de jovens.
No dia 24 de maio a Câmara Municipal de Loures convidou a RPCI para dinamizar uma atividade no Parque Nacional do Cabeço de Montachique com jovens dos diferentes bairros do Município para marcar o dia internacional da Diversidade Intercultural ( 21 de maio). Neste evento, para além de atividades radicais e de convívio entre bairros, vivenciou-se um momento de partilha e reflexão sobre as narrativas ouvidas pelas pessoas jovens.
Narrativas Alternativas: Que Rumores ouvem as pessoas Jovens?
Entre as narrativas que as pessoas jovens mencionaram estão narrativas de cariz racista, xenófobo (face a pessoas migrantes), sexista, idadista (sobre as pessoas jovens) e ainda relacionadas com as aptidões escolares e académicas, temas muitas vezes alimentados por estereótipos e desinformação, onde as narrativas alternativas podem ser fundamentais. Embora o mundo tenha feito avanços importantes nas últimas décadas, ainda existem muitas “histórias” a circular sobre as pessoas de diferentes idades, géneros, etnias e culturas que reforçam preconceitos.
Num primeiro momento cada jovem colocou a sua ideia em post-its e verificou-se através dessas ideias que muitos rumores ainda são passados como verdades, como a ideia de que pessoas n*gras são mais propensas a cometer crimes, ou que as pessoas migrantes trazem desvantagens económicas, que “devem voltar para a sua terra” etc… Essas histórias não apenas distorcem a realidade, mas também contribuem para a marginalização de grupos inteiros.
As narrativas alternativas e momentos como este podem incluir a promoção de histórias reais e inspiradoras sobre a diversidade, onde jovens de diferentes origens e culturas compartilham as suas experiências e debatem sobre o impacto que têm nas suas comunidades.
A igualdade de género foi outra área crucial onde os rumores e as narrativas tradicionais apontadas por este grupo de pessoas jovens reproduzem ideias que podem moldar negativamente as atitudes e comportamentos, tal como a ideia de que os homens são “naturais” líderes e provedores, enquanto as mulheres são vistas como mais emocionais, voltadas para os cuidados domésticos e de família. Esses estereótipos têm raízes profundas e continuam a influenciar as interações sociais, muitas vezes de forma inconsciente.
Para muitas pessoas jovens, certos comportamentos e profissões ainda são “designados” como mais adequados para um género do que para o outro. Por exemplo, a ideia de que os homens não podem mostrar vulnerabilidade ou prestar cuidados ou que as mulheres não devem ocupar cargos de liderança ainda está muito presente. Foi referido também que a maneira como as mulheres se vestem não pode traduzir como ela está na sociedade, que no fundo é livre de se expressar da maneira mais confortável para si.
As narrativas alternativas, porém, ajudaram a quebrar essas barreiras. As pessoas jovens quiseram mostrar que a igualdade de género vai além da simples divisão de tarefas. Cada vez mais, se questionam os papéis sociais e exploramos as nossas próprias identidades sem as restrições impostas pelos estereótipos de género.
Para muitas pessoas jovens, ouvir rumores sobre diferentes grupos pode ser uma forma de moldar suas percepções e atitudes. Em muitos casos, isso é prejudicial, pois reforça estigmas e práticas discriminatórias.
Ao proporcionar espaços para estas pessoas jovens partilharem suas próprias histórias e aprenderem sobre as realidades dos outros, o projeto STAND pode atuar como um agente transformador. A atividade culminou com a eliminação de todos os rumores negativos numa fogueira, de forma a que assim não se perpetue esses mesmos rumores, no seu sentido figurado.
Por fim, as pessoas jovens participantes foram convidadas a identificar narrativas alternativas às apontadas, dizendo de sua justiça o que gostariam que fosse dito acerca destas questões. Abaixo deixamos algumas destas narrativas:
“O lugar da Mulher é onde ela quiser!”
“Os corpos das Mulheres são sempre incríveis!”
“As mulheres são as únicas que se devem sentir bem com o seu próprio corpo!”
“Eu sou N*gro com orgulho!”
“Os N*gros são inteligentes!”
“Portugal é de todos!”
“Os N*gros são lindos!”
“Os m&grantes têm que ser valorizados!”
“Nós temos opinião!”
No final, ao fazerem uma avaliação do que foi experienciado, os jovens deixaram uma apreciação positiva enfatizando a importância do tema e o gosto em terem participado nas atividades que foram realizadas; tanto no worshop como nas atividades de arborismo. A tarde como a que vivemos, num ambiente descontraído, favoreceu o debate e a empatia e privilegiou a troca de experiências e a desconstrução de narrativas, co-criando alternativas mais inclusivas e baseadas na compreensão mútua. Ao questionar estereótipos estamos a promover uma cultura de respeito e igualdade.
Em conjunto, vamos criar novas Narrativas. Acompanhem o projeto STAND!
O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, celebrado em 21 de maio, foi proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2002. A data busca promover a valorização da diversidade cultural e destacar sua importância no desenvolvimento sustentável, na paz e no diálogo entre os povos.
A diversidade cultural refere-se à multiplicidade de formas pelas quais as pessoas expressam a sua cultura. Isso inclui idiomas, religiões, tradições, gastronomia, expressões artísticas, modos de vida e sistemas de valores. Cada cultura contribui com uma visão única do mundo e, juntas, compõem um mosaico enriquecedor da experiência humana.
Imagem que ilustra o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento (gerada por Inteligência artificial)
A RPCI quer assinalar esta efeméride como forma de nos conectarmos e fomentar a troca de ideias. Mas sabemos que isso também representa desafios… e é nessa premissa que buscamos:
. Fomentar o diálogo entre culturas diferentes, promovendo o respeito mútuo.
. Combater o preconceito, o racismo e a intolerância.
. Valorizar as contribuições culturais de diferentes povos para o desenvolvimento social, económico e ambiental.
. Apoiar o intercâmbio cultural e a inclusão de grupos marginalizados.
. Ter a diversidade como motor de desenvolvimento.
A diversidade cultural é essencial para o progresso da humanidade. Em sociedades diversas, a troca de conhecimentos e experiências enriquece a inovação, a criatividade e a cooperação. A cultura também desempenha um papel vital na erradicação da pobreza e na promoção de sociedades mais justas e igualitárias.
A diversidade cultural é tão necessária para a humanidade quanto a biodiversidade é para a natureza. Proteger a cultura é, portanto, proteger a dignidade humana.
Neste Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, convidamo-los a refletir sobre o valor das diferenças e sobre como o respeito à diversidade pode conduzir-nos a um mundo mais justo, harmonioso e sustentável. Celebrar essa data é reconhecer que, apesar das nossas diferenças, todas as pessoas fazem parte da mesma humanidade.
Aproveitamos para divulgar que o município de Loures convidou a RPCI para parceira do Plano Municipal de Integração de Migrantes (que teve início no final de 2024 e vai até março de 2027), uma medida apoiada pelo FAMI. Neste momento, encontramo-nos na fase de atualização do diagnóstico e revisão do plano anterior.
Com a conclusão do primeiro encontro internacional de formação, lançámos oficialmente o novo projeto STAND – Strengthening Towns’ Activation for New Narratives on Diversity.
O evento de formação reuniu especialistas, redes e membros das autoridades locais.
Coordenado pelo ICEI, involve 15 cidades europeias em 4 países (Itália, Espanha, Portugal e Polónia) que estão a trabalhar em conjunto para co-criar novas narrativas e destacar o valor da coexistência na diversidade e a contribuição dos grupos sub-representados para o desenvolvimento social e cultural das cidades e da Europa como um todo.
O processo envolverá também organizações da sociedade civil activas nos diferentes contextos locais, em especial as que trabalham com jovens, para que possam participar ativamente no processo de criação e divulgação de narrativas alternativas.
O evento de formação de dois dias (26 e 27 de março) no Laboratorio Aperto em Parma, reuniu especialistas, redes e membros das autoridades locais. Em conjunto, partilhámos experiências, exploramos os desafios da comunicação intercultural e contrariamos a desinformação, enquanto refletimos sobre o poder das narrativas a nível local.
O projeto STAND será uma importante oportunidade de intercâmbio e cooperação entre as cidades europeias envolvidas, cujos resultados serão promovidos no âmbito do Programa Cidades Interculturais promovido pelo Conselho da Europa e coordenado, em Portugal, pela RPCI.
Legenda: Produto de uma das etapas de trabalho do workshop
Na manhã do passado dia 21 de março, a RPCI esteve na cidades de Barcelos para, no âmbito do projeto STAND, e em conjunto com o município, implementar uma ação de sensibilização com jovens. Três turmas da Escola EB 2, 3 de Manhente foram convidadas a celebrar na biblioteca escolar o 60.º aniversário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial e a abrir as festividades do Dia Internacional das Pessoas Ciganas, que se celebra a 8 de abril. O evento contou também com a presença de staff municipal e de profissionais de ensino. A abertura da iniciativa ficou a cargo do Chefe de Divisão da Ação Social e Saúde e a sessão foi guiada pela coordenadora de projetos da RPCI, Inês Granja, com a colaboração da técnica do município de Barcelos, Tânia Carvalho. Houve ainda um momento de conversa com a barcelense cigana Alcina Monteiro, no qual foi convidada a participar Natália Santos, técnica do projeto Escolhas com vasta experiência de trabalho com comunidades ciganas locais.
A ação de sensibilização em Barcelos foi a primeira atividade presencial do projeto STAND em Portugal, que iniciou em janeiro deste ano e termina em agosto de 2027.
STAND é um projeto internacional, fruto das relações desenvolvidas no âmbito do Programa de Cidades Interculturais do Conselho da Europa. Este projeto tem como propósitos: apoiar as cidades europeias na construção de narrativas que valorizem a diversidade e o contributo das minorias para o desenvolvimento social; envolver e capacitar as organizações da sociedade civil, em particular as que trabalham no domínio da juventude, no processo de construção e divulgação de narrativas alternativas; e aumentar o intercâmbio e a cooperação entre as cidades europeias sobre os temas-alvo do projeto. O STAND envolve cidades e organizações da sociedade civil de 4 países, Espanha, Itália, Polónia e Portugal.
Esta ação com jovens do ensino básico teve por objetivos fomentar a empatia com pessoas ciganas, incentivar a reflexão sobre as interações com as pessoas ciganas e promover narrativas positivas. Num primeiro momento, foi promovida uma reflexão individual e conjunta e, depois, num segundo, um diálogo aberto com Alcina Monteiro, para desconstruir preconceitos e estereótipos sobre as pessoas e as comunidades ciganas.
Duas das três turmas envolvidas nesta atividade já tinham comemorado o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial no ano passado, numa atividade que veio a ser considerada entre as boas práticas apresentadas pelo projeto Escolas Interculturais (projeto anual 2024 da RPCI) ao Programa das Cidades Interculturais, do Conselho da Europa, e que consta do Guia Abordagem Intercultural nas Escolas, criado pela RPCI no mesmo projeto.
Em breve, traremos novidades acerca do projeto STAND, cuja kick-off meeting se encontra a decorrer, neste momento, em Parma, Itália.