Nos dias 13 e 14 de março, Santa Maria da Feira acolheu o Encontro Nacional de Profissionais de Juventude. Esta foi a primeira atividade de um conjunto de ações de âmbito nacional planeadas para o projeto EPIC_IDEA – Empoderar Participação Jovem para Comunidades Inclusivas e Plurais, um projeto transnacional impulsionado pelas relações criadas no seio da Rede Internacional das Cidades Interculturais. O evento, co-organizado pela Rede Portuguesa de Cidades Interculturais e Santa Maria da Feira, juntou profissionais de juventude das várias cidades envolvidas (Cascais, Santa Maria da Feira e Vila Verde) com os objetivos de debater os desafios quotidianos de jovens e de profissionais de juventude, e promover a aprendizagem de novas ferramentas. Nestes dois dias de trabalho, staff municipal e técnicos de diferentes organizações da sociedade civil (Associação Juvenil Rota Jovem; Aproximar, Cooperativa de Solidariedade Social; Delegação de Braga da Cruz Vermelha; Ludoteca de Alcoitão; Take It 9G; Juventude Unida do Fim do Mundo; Helpo; CIRAC) apresentaram práticas, estratégias e atividades que fomentam a participação e inclusão de jovens. Houve ainda oportunidade para formação em duas metodologias essenciais a alavancar durante o projeto: Antirrumores (RPCI) e Futures Thinking (RPCI & Clube Intercultural Europeu). No período do evento, foi ainda possível avançar no planeamento das próximas etapas do projeto, nomeadamente do Encontro Nacional de Jovens (Cascais), que está agendado para maio. O programa garantiu, por fim, diferentes momentos de networking, no sentido de reforçar e promover laços e sinergias entre participantes: foi realizada uma visita ao Castelo e a algumas pastelarias icónicas da cidade para a tradicional fogaça e caladinhos.
Neste Dia Mundial da Justiça Social, sob tema “Fortalecer uma Transição Justa para um Futuro Sustentável”, partilhamos as atualizações de uma das nossas iniciativas: EPIC_IDEA (Empoderamento da Participação Juvenil para Comunidades Inclusivas e Plurais).
Porque é que é importante? É essencial ter em conta as vozes das pessoas jovens quando se discute o crescimento económico, a resiliência climática e a inclusão. Um dos principais objetivos do EPIC_IDEA é amplificar estas vozes para influenciar políticas que promovam a justiça social, tanto a nível local como global.
O que está a acontecer agora? Estamos atualmente a aprofundar a nossa fase de Análise do Diagnóstico Participativo (WP2), alimentada pelos resultados dos inquéritos dos nossos países parceiros: Itália, Hungria, Espanha e Portugal.
O que é que descobrimos? 🤔 Os nossos inquéritos dirigidos a jovens (com idades entre os 12 e os 24 anos) e a profissionais de juventude revelaram informações essenciais sobre as necessidades de inclusão e diversidade nas comunidades.
Identificámos: – Desafios recorrentes – Temas silenciados – Ideias revolucionárias para um impacto local e europeu
O que é que se segue? Estamos a realizar os nossos grupos de discussão e a produzir um relatório abrangente para partilhar estas descobertas cruciais. é Aqui que o projeto EPIC_IDEA fica ainda melhor!
🌟 Queres moldar o futuro da tua comunidade? Segue-nos, verás em breve o lançamento do relatório e entra em contacto para saber como TU podes contribuir!
Na passada semana, nos dias 10 e 11 de fevereiro, deu-se a sua habitual reunião anual de cidades aderentes à Rede Portuguesa das Cidades Interculturais, desta feita recebida pelo munícipio de Oeiras.
Neste encontro estiveram presentas mais de 20 pessoas, entre elas representantes das cidades de: Barcelos, Braga, Cascais, Lisboa, Loures, Portimão, Porto, Vila Verde e Viseu.
Todos os anos a RPCI convida as cidades aderentes para vários momentos de partilha:
No início do ano, uma reunião presencial de planeamento das prioridades anuais e do projeto conjunto do ano, onde podemos ainda ter o privilégio de conhecer as práticas da cidade que nos acolhe.
A meio do ano, uma reunião online de partilha de práticas, com mote da prioridade estabelecida conjuntamente para o ano.
No final do ano uma reunião online de balanço anual, onde as cidades podem ficar a par dos desenvolvimentos e conquistas da RPCI (nomeadamente relativos aos projetos europeus e projeto anual), bem como refletir sobre os melhores momentos e propor melhorias ao funcionamento da Rede de Cidades Interculturais. Neste momento são ainda recolhidas propostas das cidades para o tema do projeto anual do ano seguinte, que será a prioridade a trabalhar.
O encontro em Oeiras no dia 10 iniciou-se pelas 14h por uma visita guiada ao território, com direito a guia turística e paragem em vários lugares de relevo, incluindo um passeio pelo Jardim dos Poetas e pelos jardins do Marquês e uma prova de vinhos na adega do munícipio, culminando num jantar de cachupa, confeccionada com suporte da comunidade local e animado por um maravilhoso duo de músicos no Centro Comunitário Alto da Loba. Pelo meio, foram apresentadas as iniciativas da cidade no âmbito da Interculturalidade, por parte da equipa técnica da Câmara de Oeiras e do Sr. Diretor do Departamento Desenvolvimento Social, Luís Afonso.
Dia 11 os trabalhos iniciaram pela manhã, sendo este momento dedicado à RPCI, após as boas vindas da Sra. Vereadora Teresa Bacelar, vereadora dos pelouros de Desenvolvimento Social e Saúde e Responsabilidade Social – Programa municipal “Oeiras Solidária” que nos enquadrou sobre a importância da temática da Diversidade e da Interculturalidade para o território, onde coexistem múltiplas nacionalidades e identidades e dos investimentos da munícipio na criação de uma cidade onde todas as pessoas possam prosperar.
A maioria das cidades propôs, na reunião de final de ano de 2024, que a prioridade de 2025 fosse uma continuidade dos trabalhos do ano transato, pelo que a RPCI preparou uma proposta de projeto anual centrado novamente na educação intercultural e no trabalho com escolas. Esta proposta foi apresentada e debatida, e foi colocada à consideração das cidades presentes quais desejariam fazer parte do consórcio deste projeto. O projeto anual, apesar de abranger todas as cidades da RPCI, tem tido por hábito acolher 3 a 4 cidades como parte do consórcio de parceria, que participarão de uma forma mais próxima nas tomadas de decisão do mesmo. Em breve daremos mais notícias!
De seguida, foram apresentados os desenvolvimentos dos projetos europeus em que a RPCI está envolvida, nomeadamente:
EPIC_IDEA: um projeto iniciado em setembro 2024 e que se propõe a trabalhar com jovens e profissionais de juventude, encontrando-se em fase de diagnóstico e preparação do Encontro nacional de profissionais de Juventude em Santa Maria da Feira, a decorrer entre 13 e 14 de março. As metodologias Antirrumores e Futures Thinking serão usadas neste contexto. Estão envolvidas neste projeto as cidades de Cascais, Santa Maria da Feira e Vila Verde.
STAND: iniciado em janeiro de 2025, encontra-se na fase inicial de diagnóstico. O projeto pretende trabalhar com profissionais e jovens para uma Co construção de narrativas alternativas. Fazem parte do consórcio deste projeto as cidades de Barcelos, Loures, Vila Verde e Viseu.
Por fim, deu-se um momento de reflexão e aprendizagem sobre a temática das Narrativas e Narrativas Alternativas, liderados por Carla Calado, coordenadora da RPCI e presidente do conselho de administração da cooperativa RPCI.
Finalizada com um almoço volante gentilmente oferecido pelo munícipio de Oeiras, a reunião foi descrita como um sucesso pela maioria das pessoas participantes, tendo o formato de dois meios-dias sido elogiado e recomendado como norma daqui para a frente.
Obrigada Oeiras pela maravilhosa recepção e a todas as cidades e associações pela entusiástica participação e contributos!
No passado dia 20 de dezembro, pelas 9h30, a Rede Portuguesa das Cidades Interculturais (RPCI) realizou a habitual reunião anual de balanço. Esta reunião, para a qual todas as 18 cidades aderentes em Portugal foram convidadas, teve por objetivos principais realizar um ponto de situação dos resultados obtidos no trabalho desenvolvido no ano de 2024 e traçar as prioridades para o ano de 2025. A reunião foi dirigida pela coordenadora da Rede, diretora geral e presidente da Cooperativa RPCI, Carla Calado, e acompanhada pela diretora técnica da RPCI, Teresa Leitão, e a coordenadora de projetos, Inês Granja. Marcaram presença nesta reunião anual um total de 14 pessoas e 9 Cidades – Barcelos, Cascais, Loures, Oeiras, Paranhos, Porto, Santa Maria da Feira e Vila Verde.
Este encontro com as Cidades permitiu partilhar designadamente que:
-as atividades desenvolvidas pela RPCI em 2024 envolveram mais de 500 pessoas;
-foram implementados quatro projetos: NET_IDEA (terminado em abril), DiverCities (terminado em junho), Escolas Interculturais (de abril a novembro) e EPIC (iniciado em setembro);
-as atividades contaram com o envolvimento de dez cidades;
-foram realizadas quatro novas candidaturas a fontes de financiamento;
-foram realizados dois webinars e cinco workshops (no âmbito do projeto Escolas Interculturais;
-contamos com três novos parceiros;
-foram realizadas três reuniões da RPCI, uma presencial em Fevereiro (Barcelos), uma online temática com partilha de práticas na área da educação (projeto Escolas Interculturais) e a presente reunião;
-foram apresentadas e publicadas no site ICC quatro boas práticas reportadas por 3 cidades;
-um INDEX foi submetido (Oeiras);
– A RPCI recebeu a visita de uma comitiva de cidades e membros do governo da Finlândia, que se inspiraram nas práticas de Cascais, Lisboa e Loures;
Visita delegação Finlandesa em Loures, Fonte: Conselho da Europa, Intercultural Cities
– Braga e Vila Verde receberam a reunião anual de coordenadores do Programa Intercultural Cities de todo o mundo em Novembro
Reunião anual de coordenadores do programa Intercultural Cities, Fonte: Conselho da Europa
A reunião permitiu também abordar questões administrativas, relativas à possível alteração do formato de adesão à RPCI, fruto de futuras alterações a serem introduzidas em breve pelo Programa de Cidades Interculturais, do Conselho da Europa. As Cidades partilharam as suas preocupações práticas, não deixando de realçar as vantagens da adesão. Loures pronunciou-se a este respeito, ressaltando o conjunto de vantagens sentidas pelo Município na contratualização de serviços no âmbito da interculturalidade à RPCI: a Cidade tem beneficiado de projetos de forma gratuita, como parceiro não financeiro (como é o caso do DiverCities) o que beneficia a sua intervenção nas comunidades locais.
Foram apresentados pela equipa da RPCI os resultados dos projetos NET IDEA, DiverCities e Escolas Interculturais, tendo representantes das diferentes cidades dado feedback tendo em conta o seu envolvimento nos projetos em questão.
Relativamente ao projeto NET IDEA, Alexandrina Cerqueira, de Vila Verde, referiu que a metodologia Photovoice permitiu envolver e projetar a voz de jovens que por regra não é ouvida, sobretudo jovens de etnia cigana; e, ainda, que a formação em competências interculturais criada pelo projeto está a ser replicada pelo município, com staff municipal e profissionais da educação locais.
Exposição Photovoice e retratos, Vila Verde, projeto NET IDEA
Quanto ao DiverCities, Nelson Araújo, de Loures, afirmou que foi muito importante promover as assembleias participativas no Bairro da Apelação e lamentou que não tivesse sido possível realizar o projeto noutros bairros, devido ao ponto de situação das associações que podiam ser envolvidas. Defendeu que o projeto foi essencial para a mobilização das comunidades, de pessoas com diferentes contextos culturais e desafios; que foram tratados temas relevantes para quem habita o bairro e requalificado um jardim que é muito usado atualmente pela comunidade. A continuidade destas iniciativas devia ser assegurada, pela sua relevância. Sandra Carvalho, de Loures, comentou que a motivação de quem mora no bairro foi visível; que permitiu juntar as pessoas a discutir aspetos da vida em comum.
Inauguração da requalificação do Jardim da Paz, Loures, projeto DiverCities
No referente ao projeto Escolas Interculturais, Tânia Carvalho, de Barcelos, pronunciou-se sobre as repercussões do projeto: a Escola Gonçalo Nunes realizou uma feira intercultural na sequência dos workshops e webinars; a Escola de Lijó convidou o Município a discutir sobre o valor da diversidade e sobre o acolhimento de pessoas recém-chegadas ao país, nomeadamente nas escolas; a cantora Gisela João foi convidada e aceitou ser madrinha para a Interculturalidade em Barcelos. Sobre o mesmo projeto, Cristina Ribeiro, de Oeiras, referiu que os resultados têm sido extremamente positivos: sobretudo os Webinars e o Guia que tem vindo a disseminar pela restante comunidade educativa e deu mais exemplos de como o impacto local pode ser potenciado. Patrícia Teixeira, da JF de Paranhos, por sua vez, referiu que seria muito bom dar continuidade ao projeto.
Guia desenvolvido no âmbito do projeto Escolas Interculturais
Depois da discussão dos projetos, houve espaço para ouvir as Cidades acerca do que seu balanço relativo a 2024 e prioridades para 2025.
De entre estas, destacamos:
reforçar o trabalho no âmbito do antirracismo e antirrumores, com jovens e no contexto escolar;
assegurar a formação de pessoal municipal em competências interculturais, por forma a que desenvolvam ferramentas para prestarem formação e assim aumentar o impacto, bem como continuar a trabalhar diretamente com crianças e adultos de outros setores da sociedade;
aprofundar o tema narrativas alternativas/antirrumores com a imprensa local;
realizar uma iniciativa conjunta para todas as cidades RPCI no âmbito da Diversidade;
desenvolver atividades que sensibilizem o setor empresarial;
desenvolver projetos de inclusão de minorias e pessoas migrantes associados à participação;
dar mais visibilidade aos resultados e produtos;
envolver auxiliares da ação educativa nos processos formativos;
fortalecer o papel das Artes como ferramenta para promover diálogo intercultural.
Cumprido este momento, foi possível reunir consenso em torno da importância da interculturalidade na Escola, pelo que este foi definido como o tema central a desenvolver no projeto anual, numa lógica de continuidade. Em breve teremos novidades pois o nosso projeto anual será apresentado e finalizado em fevereiro, na próxima reunião de Cidades RPCI, que terá lugar em Oeiras.
A RPCI pode informar as cidades presentes de duas novas candidaturas internacionais em preparação e recolher manifestações de interesse. As cidades foram, ainda, convidadas a fazer propostas de partilha de práticas fora do projeto anual, a qualquer altura do ano.
A reunião terminou com a preparação da reunião de Cidades em Oeiras. Esta reunião acontecerá dias 10 e 11 de Fevereiro e será um momento onde se privilegiará a partilha de conhecimentos e práticas, com momentos formativos, de networking e visitas de terreno.
É com entusiasmo que nos aproximamos do final do ano e partilhamos o progresso do projeto EPIC_IDEA e o seu logótipo! – O EPIC é um projeto transformador que capacita os jovens (com idades entre os 12 e os 24 anos) a liderar a mudança e a moldar o futuro da Europa!
Envolvendo Itália, Espanha, Portugal, e Hungria, esta iniciativa irá:
Promover a participação de pessoas jovens na vida cívica e democrática
Reforçar os valores da UE, a inclusão e a igualdade de género
Amplificar as vozes de pessoas jovens para influenciar políticas e construir comunidades mais diversificadas e inclusivas
O projeto começou em setembro 2024, está em curso até agosto de 2026 e foi lançado em Fuenlabadra, Espanha, em outubro de 2024, por um consórcio de organizações liderado pelo ICEI (Itália) em parceria com a Diversit (Espanha), a Rede Portuguesa de Cidades Interculturais (Portugal) e a UNITED (Hungria), com a participação de autoridades locais, organizações juvenis e instituições internacionais, incluindo o Conselho da Europa.
Isto é apenas o começo!
Siga a hashtag #EPICYouth e entre em contacto para obter atualizações do projeto, oportunidades de envolvimento e histórias inspiradoras de jovens agentes de mudança em toda a Europa.
SÊ EPIC! Envolve-te localmente, defende globalmente.
No episódio mais recente do podcast Portugal Plural, Elisabete Pinto da Costa, diretora do Instituto de Mediação da Universidade Lusófona e especialista em mediação intercultural, discutiu o papel da mediação em contextos educacionais para construir uma sociedade mais inclusiva e justa.
A conversa trouxe insights importantes sobre a mediação intercultural em Portugal, abordando desafios e oportunidades para promover inclusão e respeito à diversidade. Acompanhe!
O desenvolvimento da mediação intercultural em Portugal
Elisabete começou explicando o surgimento da mediação intercultural em Portugal, que inicialmente se concentrou na integração da comunidade cigana. Com o tempo, a prática se expandiu para apoiar pessoas migrantes e em situação de refúgio, acompanhando a crescente diversidade demográfica do país. Nesse cenário, as pessoas que atuam com mediação intercultural se tornaram fundamentais para garantir que serviços públicos e políticas sociais considerem as particularidades culturais de diferentes comunidades.
A criação de uma entidade governamental para promover a mediação intercultural é um reflexo do reconhecimento do papel desses profissionais. Inspirada por modelos internacionais (anglo-saxônicos, francófonos e ibéricos), a mediação em Portugal adquiriu características próprias, adaptando-se às complexidades da sociedade portuguesa.
Mediação intercultural: Desafios e potencial transformador
Elisabete destacou a mediação como uma ferramenta para desconstruir preconceitos e estereótipos, promovendo uma comunicação autêntica. Essa abordagem permite que as partes envolvidas expressem suas perspectivas, reforçando o entendimento cultural mútuo. Segundo ela, a mediação transforma conflitos em oportunidades de aprendizado, especialmente em escolas, onde a diversidade impacta diretamente a convivência.
Mediação nas escolas: Um olhar inclusivo
Na entrevista, Elisabete enfatizou a importância da mediação intercultural em escolas onde estudantes têm origens diversas. Ela destacou como a prática ajuda não só a resolver conflitos entre estudantes, mas também facilita a comunicação entre escolas e famílias de diferentes referências culturais, promovendo um ambiente de confiança. A mediação, assim, auxilia na inclusão das famílias no processo educacional e no desenvolvimento das crianças e adolescentes.
Outro ponto abordado foi a necessidade de uma comunidade docente com competências interculturais, uma área ainda pouco contemplada na formação destes profissionais. A globalização trouxe para o espaço escolar uma diversidade que deve ser vista como oportunidade de aprendizado, fomentando o respeito e a empatia entre estudantes.
Mediação e construção de uma sociedade inclusiva
A mediação, segundo Elisabete, é essencial para criar canais de participação cidadã e diálogo, especialmente em sociedades marcadas por polarizações e conflitos de identidade. Ela defendeu que a prática precisa ser incentivada em diferentes contextos – não apenas nas escolas, mas também em locais de trabalho e em serviços públicos – para que as interações interculturais possam ser construtivas e promover a cidadania.
No entanto, Elisabete também expressou uma preocupação com o reconhecimento profissional de profissionais de mediação intercultural. Embora a mediação esteja crescendo e a profissão seja cada vez mais demandada, ainda falta uma estrutura formal que permita a sua plena profissionalização em Portugal.
Segundo ela, o reconhecimento oficial desta classe profissional poderia fortalecer o impacto da mediação na sociedade e criar mais oportunidades para quem deseja atuar na área.
Pós-Graduação em mediação intercultural em contexto escolar na Universidade Lusófona
Elisabete é coordenadora do programa de Pós-Graduação em Mediação Intercultural em Contexto Escolar da Universidade Lusófona e nos conta que é um programa que visa capacitar profissionais para atuar em contextos interculturais, especialmente em áreas onde há crescente diversidade, como educação, saúde, serviços sociais e comunidades locais.
A pós-graduação oferece uma formação teórica e prática, abrangendo temas como comunicação intercultural, resolução de conflitos, políticas de integração e os desafios enfrentados em sociedades multiculturais. As pessoas participantes têm acesso a ferramentas e técnicas de mediação adaptadas ao contexto português, mas também exploram modelos internacionais que inspiraram o desenvolvimento da prática em Portugal.
O programa é ideal para quem busca praticar mediação em setores públicos e privados, bem como para profissionais que desejam aprimorar suas habilidades em gestão de conflitos interculturais e na promoção de um ambiente inclusivo e respeitoso em diferentes contextos sociais.
Se você se interessou pelo assunto, acesse aqui o episódio completo e envie para aquela sua amiga ou amigo que deve conhecer o nosso trabalho.
“Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo” Paulo Freire.
No mais recente episódio do Podcast Portugal Plural, Evalina Gomes Dias, fundadora e presidente da Djass – Associação de Afrodescendentes, compartilha insights sobre o Centro Sankofa, uma iniciativa que visa trazer a história e cultura africanas para as escolas de Portugal, promovendo um aprendizado mais diverso e inclusivo.
Nesta entrevista, nossa convidada aborda temas importantes como identidade cultural, representatividade e a luta contra o racismo. Acompanhe!
Sankofa: Resgatando a identidade para avançar
O conceito de Sankofa, originário dos povos Akan da África Ocidental, é representado por um pássaro voando para frente com a cabeça voltada para trás, carregando no bico um ovo – símbolo do futuro. Na tradição Akan, Sankofa significa “voltar atrás e buscar o que foi perdido”.
Imagem retirada do site Ciência Hoje das Crianças – CHC
Essa ideia norteia a missão do Centro Sankofa, que procura resgatar as raízes africanas e valorizar a identidade afrodescendente, possibilitando uma educação que reforce o senso de pertencimento e empodere crianças e jovens.
A necessidade do Projeto Centro Sankofa nas escolas
Evalina destaca que, nas escolas portuguesas, o ensino sobre a África e suas culturas ainda é superficial, perpetuando uma visão limitada e eurocêntrica. Ela alerta que essa ausência impacta a autoestima e identidade de estudantes afrodescendentes, reforçando estereótipos negativos e, em alguns casos, levando à evasão escolar.
O Centro Sankofa busca preencher essa lacuna, oferecendo uma abordagem decolonial e inclusiva que ilumina as contribuições africanas e promove a empatia e a compreensão intercultural nas escolas.
Educação e a inclusão das diversas histórias africanas
Evalina aponta a importância de incluir a história do continente africano na educação para combater o racismo. No episódio, Danielle Menezes cita o exemplo brasileiro, onde a Lei 10.639, de 2003, tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, depois ampliada para incluir a história indígena.
Apesar de sua importância, a implementação da lei ainda enfrenta dificuldades, o que reflete uma realidade global: sem comprometimento e recursos, iniciativas como o Sankofa podem se tornar simbólicas, sem impacto concreto.
Evalina observa que é preciso reformar o sistema educacional para que realmente reflita a diversidade cultural da sociedade.
Desmistificando a visão generalizada sobre a África
Outro ponto relevante abordado é a visão simplista de que “África é um país”. Evalina relata que muitos jovens se surpreendem ao saber que o continente africano abriga 54 países e 7 territórios independentes, cada qual com línguas, culturas e tradições únicas.
Essa visão generalista, comum no Ocidente, prejudica a compreensão da diversidade africana e reforça estereótipos. Ao desmistificar essa visão, o Sankofa promove uma consciência mais profunda e respeitosa sobre a complexidade do continente africano.
A música como ferramenta educacional e cultural
A música, uma parte essencial das culturas africanas, é outra ferramenta educacional no Centro Sankofa. Evalina compartilha que o próximo encontro abordará diversos ritmos africanos incluindo o rap e ritmos angolanos, como forma de destacar as influências africanas no cenário musical global.
O projeto valoriza a música como expressão cultural e resistência, promovendo a apreciação e compreensão das tradições afrodescendentes.
Combate ao racismo por meio da educação
Uma das missões centrais do Sankofa é enfrentar o racismo diretamente em ambientes escolares. O projeto envolve tanto estudantes quanto professores e familiares, oferecendo atividades que buscam conscientizar sobre o racismo e promover uma mudança de mentalidade.
Evalina reforça que esse trabalho é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e empática, onde todas as histórias culturais são respeitadas e representadas.
Apoio internacional e reconhecimento
O projeto ultrapassou fronteiras e foi reconhecido por uma premiação internacional dos Estados Unidos, que destacou seu papel transformador em prol da educação inclusiva e na construção de uma sociedade mais intercultural.
Próximos passos: Expansão do Sankofa
Com o atual projeto programado para encerrar em janeiro, Evalina e sua equipe já planejam expandir o Sankofa para outras escolas secundárias, visando continuar a educação antirracista e fortalecer a sensibilização sobre diversidade. Ela acredita que, ao expandir o Sankofa, será possível construir uma base sólida e garantir que as futuras gerações recebam uma educação mais inclusiva, que represente a diversidade social de Portugal.
Evalina também aproveita para reforçar que a Associação Djass está aberta para o contato de escolas que desejarem receber o projeto. O e-mail é associacao.djass@gmail.com.
Ouça o episódio e participe dessa transformação
A entrevista com Evalina Gomes Dias é um convite inspirador para refletir sobre o papel da educação na construção de uma sociedade inclusiva e empática. O Centro Sankofa vai além de ser um projeto educativo: é um movimento de valorização das identidades afrodescendentes que promove uma transformação positiva nas escolas portuguesas.
Acesse o episódio completo no Podcast Portugal Plural para explorar mais sobre o projeto e sobre como a educação pode ser uma ferramenta de inclusão e respeito à diversidade.
No mais recente episódio do podcast Portugal Plural, tivemos a honra de entrevistar a professora Maria José Veloso Costa, da Escola Gonçalo Nunes, para discutir os avanços e desafios do projeto Escolas Interculturais. Financiado pelo Conselho da Europa, o projeto trabalha com autarquias para promover diversidade e inclusão em ambientes escolares, construindo uma educação que reflita o valor das diferenças culturais.
Durante a conversa, Maria José compartilhou a experiência da Escola Gonçalo Nunes, que se destaca pelo envolvimento profundo em práticas interculturais, abrigando estudantes de cerca de 24 nacionalidades. Com 44% do corpo estudantil formado por pessoas estrangeiras, principalmente oriundas do Brasil, a escola é uma vitrine de diversidade e um exemplo no combate ao preconceito racial e à discriminação. Esse contexto multicultural torna a implementação de atividades de acolhimento e inclusão um desafio transformador, e a Professora enfatizou como esse cenário abre oportunidades valiosas de crescimento para toda a comunidade escolar.
Um dos pontos altos discutidos foi o recente workshop antirracista, onde jovens estudantes participaram ativamente, quebrando expectativas ao debaterem temas complexos como a discriminação racial. Questionários e debates incentivaram uma reflexão profunda sobre preconceito e reforçaram o compromisso da escola em criar um ambiente seguro e igualitário para todas as pessoas, independente de origem e cor da pele.
Maria José também destacou a importância de mudanças estruturais nas escolas para ampliar o apoio a estudantes e suas famílias, como o suporte na documentação, essencial para a adaptação, e a criação de um ambiente acolhedor.
No episódio, ela enfatiza que a sensibilização intercultural e o intercâmbio de experiências culturais são passos fundamentais para que as escolas possam enfrentar os desafios da diversidade de forma integrada e enriquecedora. A Professora comentou que a presença de nacionalidades diversas na escola reflete o que ela acredita ser a “mais-valia da gestão intercultural” – uma estratégia que beneficia não apenas estudantes, mas a sociedade como um todo.
Maria José acredita que, ao promover a igualdade de oportunidades e o respeito mútuo, estamos formando pessoas com mais empatia para enfrentar um mundo globalizado. Sua visão sobre o futuro das escolas interculturais deixa uma mensagem inspiradora sobre o potencial das instituições de ensino como espaços de inclusão e mudança social.
Ficou curioso para saber mais? Ouça agora a entrevista completa com Maria José Veloso no Portugal Plural e conheça a fundo o impacto do projeto Escolas Interculturais na vida dos alunos, alunas e das comunidades onde atuam!
Depois de no passado dia 30 de setembro o projeto Intercultural Schools/ Escolas Interculturais ter estreado o Workshop Anti-Racista em Barcelos, no dia 20 de outubro a RPCI esteve na Escola Passos Manuel, em Lisboa, para levar a mesma oportunidade de aprendizagem a mais jovens do ensino básico. Esta sessão, coorientada pela coordenadora de projetos Inês Granja e pela consultora Mab Marques, destinou-se a uma turma de 3.º ciclo. No período de uma aula, foi realizado um debate substancial acerca de conceitos, percepções e práticas através da resposta ao Quiz Anti-Racista, criado no âmbito do projeto pela RPCI com a consultoria da Perita Paula Cardoso.
A RPCI congratula-se por desta forma contribuir para que as comunidades educativas valorizem a interculturalidade, com impacto direto sobre uma educação mais inclusiva.
O próximo Workshop Anti-Racista do projeto terá lugar em Oeiras, no dia 15 de novembro, na Escola dos Navegadores. Até já, Oeiras!
Este livro é um produto da criatividade e colaboração coletivas, elaborado durante o segundo dia da conferência final da NET-IDEA em Botkyrka, Suécia, em abril de 2024. Em pouco menos de quatro horas, 60 participantes trabalharam em conjunto para criar o seu conteúdo. Através de grupos temáticos – como o envolvimento de jovens, a anti-discriminação e o desenvolvimento de políticas – participantes partilharam as suas experiências e conhecimentos sobre o projeto NET-IDEA e não só. Este processo inovador, conhecido como “Collaborative Book Crowdsourcing”, incentivou a flexibilidade, a criatividade e o trabalho de equipa, resultando num diálogo vibrante sobre interações interculturais e construção de comunidades.
Guiado pelo lema do NET-IDEA, “BE EVERYTHING. BELONG.”, o livro reúne as melhores práticas, histórias pessoais e recomendações práticas destinadas a inspirar profissionais, decisores políticos e ativistas a promover a inclusão e a pertença. Constitui um recurso prático, oferecendo ideias para melhorar as competências interculturais, promover a diversidade e a inclusão e construir comunidades coesas através de abordagens colaborativas e de base.
Este livro é um produto do Projeto NET-IDEA (Network of European Towns for Interculturalism, Diversity, Equality & Anti-Discrimination), que visou capacitar as autoridades locais para a promoção da diversidade, do interculturalismo, da anti-discriminação e da inclusão de minorias. A decorrer de 2022 a 2024, o projeto reuniu uma parceria transnacional que envolveu organizações da sociedade civil e 16 municípios de seis países europeus: Itália, Espanha, Portugal, Suécia, Alemanha e Polónia. Financiado pela Comissão Europeia através do Programa CERV, o NET-IDEA foi também apoiado pelo Programa Cidades Interculturais do Conselho da Europa.
É possível descarregar o livro do projeto NET-IDEA aqui: