Novo episódio de Podcast: juventude, interculturalidade e inclusão

Por: Danielle Menezes, em Português do Brasil

Está no ar o episódio especial sobre o projeto NET IDEA, que ouviu as impressões de três jovens participantes do projeto. Ao longo do programa, falamos sobre a criação e os objetivos do projeto, bem como os eventos relacionados como o Youth Summit, ocorrido em Lublin, na Polônia, a exposição “Diferentes Olhares” realizada em parceria com a cidade de Braga, e a campanha europeia de sensibilização “Be Everything Belong” que culminou com um ação de arte coletiva em Botkyrka, na Suécia. 

 NET IDEA

O NET IDEA, fruto das conexões estabelecidas pela Rede Internacional das Cidades Interculturais, é uma iniciativa destinada a fortalecer o papel das autoridades locais na promoção da diversidade, interculturalidade e inclusão das minorias. Sob a coordenação do ICEI, uma ONG italiana especializada nesses temas e coordenadora da Rede das Cidades Interculturais Italiana. O projeto reuniu cidades de diversos países europeus, incluindo Portugal, Espanha, Itália, Suécia, Alemanha e Polónia.

Youth Summit

O Youth Summit, realizado em outubro de 2023 na cidade de Lublin, na Polónia, foi um marco histórico. Pela primeira vez a nível europeu, jovens de 24 cidades e 7 países se reuniram para debater e comprometer-se com uma cultura anti-rumores e anti-discriminação. Entre as pessoas  participantes estavam três jovens portugueses, incluindo Kelvin Kamara, que compartilhou conosco sua experiência enriquecedora.

A boa notícia é que o evento está previsto acontecer anualmente, oferecendo uma oportunidade única para jovens das cidades aderentes à rede portuguesa de cidades interculturais. 

Diferentes Olhares

Após o encontro em Lublin, a RPCI, em parceria com as três cidades portuguesas de Braga, Vila Verde e Santa Maria da Feira e seus parceiros (Escola Profissional de Braga, Centro Comunitário de Vila de Prado e Escola Básica e Secundária de Arrifana, respetivamente) em cada uma destas cidades, fez uso de uma metodologia de investigação participativa conhecida como PHOTOVOICE, que utiliza fotografias tiradas pelas pessoas envolvidas para acessar as suas necessidades, reflexões, narrativas e ideias para melhorar a comunidade. O resultado desses workshops foi ilustrado em 3 exposições em cada uma das cidades. Em Braga, a exposição “Diferentes Olhares”, amplificou a voz da juventude local sobre assuntos como sentimento de pertença, inclusão e identidade. 

Victor Guimarães, da Escola Profissional de Braga, foi um dos participantes da atividade e dividiu conosco, as suas opiniões sobre a experiência.

Be Everything Belong

A culminação do Projeto NET IDEA ocorreu em abril de 2024, na Suécia, com uma ação coletiva de arte pública celebrando a Campanha Europeia de Sensibilização ‘Be Everything Belong’. Mais de 100 retratos de jovens ativistas que participaram no projeto foram exibidos, simbolizando o compromisso com uma sociedade europeia mais inclusiva e livre de discriminação.

As iniciativas do NET IDEA não param por aí. Atividades continuam sendo desenvolvidas pelas cidades participantes, incluindo formações em competências interculturais para técnicos municipais e exposições locais em diferentes pontos da cidade. Junte-se a nós nessa jornada de inclusão e diversidade, construindo juntos uma Europa mais unida e acolhedora para todos.

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25 de Abril: A Revolução que Mudou Portugal

Por: Danielle Menezes, em Português do Brasil

No dia 25 de abril de 1974, o mundo foi testemunha de um dos momentos mais significativos da história de Portugal: o fim da ditadura mais antiga da Europa que durou 48 anos, e resistiu à onda redemocratizante do pós-Segunda Guerra. 


Fonte: MST

O evento que ficou conhecido como a Revolução dos Cravos ou a Revolução de 25 de abril carrega um renovado senso de justiça, democracia e esperança para o povo português. Hoje, 50 anos depois, a data tornou-se feriado nacional, conhecido como “dia da liberdade” e ainda é capaz de levar milhares de pessoas à rua para lembrar e celebrar com orgulho e gratidão a luta de inúmeros portugueses e portuguesas. 

Por isso, no texto de hoje, falaremos um pouco mais sobre a Revolução e os motivos pelos quais continua sendo inspiração para o País. Confira! 

Os cravos de abril: como a Revolução aconteceu

“Grândola, Vila Morena
 Terra da fraternidade
O povo é que mais ordena
Dentro de ti, ó cidade”
Canção de José Afonso

A Revolução dos Cravos foi um movimento militar liderado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) que culminou na queda do regime ditatorial do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar e, posteriormente, Marcelo Caetano (1968). Durante décadas, Portugal viveu sob um regime autoritário que reprimia a liberdade de expressão, limitava os direitos políticos e econômicos e mantinha uma política colonialista opressiva em suas colônias africanas. O país estava mergulhado em um clima de repressão e estagnação.

Assim, na madrugada de 25 de abril de 1974, “Grândola, Vila Morena” , composição de José Afonso, serviu como aviso aos jovens militares do MFA que havia chegado a hora de derrubar a ditadura. Diversos locais estratégicos do país foram ocupados e ao nascer do dia, as ruas estavam inundadas por uma multidão que clamava por liberdade e democracia. O movimento foi marcado pela ausência de violência, com os soldados oferecendo cravos vermelhos aos civis, simbolizando a paz. Daí o nome “Revolução dos Cravos”.


Fonte: BBC

Marcello Caetano foi pego totalmente de surpresa e, acuado, renunciou ao cargo por telefone tendo se exilado no Rio de Janeiro até o fim da sua vida, em outubro de 1980. 

Fonte: Toda Matéria

O que mudou depois de 1974

A Revolução dos Cravos não apenas derrubou um regime opressivo, mas também abriu as portas para uma nova era de democracia e progresso em Portugal. Após a queda do Estado Novo, o país passou por um período de transição para a democracia, marcado pela realização de eleições livres e pela elaboração de uma nova Constituição, promulgada em 1976.

Assim, foram estabelecidos os princípios fundamentais da democracia portuguesa, garantindo direitos individuais, liberdade de expressão e igualdade perante a lei. Houve também avanços significativos na área dos direitos humanos, com a abolição da pena de morte e a promoção da igualdade de gênero e dos direitos LGBTQIAPN+.

Além disso, a abertura democrática teve um impacto profundo na sociedade portuguesa, promovendo uma série de transformações sociais e culturais. O país passou por um processo de descolonização, concedendo independência às suas antigas colônias africanas e promovendo uma política de cooperação e solidariedade entre eles. A de Guiné-Bissau foi reconhecida por Portugal em setembro de 1974; a de Moçambique, em junho de 1975 e Angola em novembro de 1975.

Em relação à abertura cultural, o historiador Rodrigo Pezzonia nos conta que a sociedade portuguesa passou a ter muito mais acesso à música, teatro, cinema e toda a diversidade artística que eram, até então, censuradas. Foi nesse mesmo período que a primeira telenovela brasileira aportou no país “Gabriela, Cravo e Canela”, obra do escritor Jorge Amado. 

Por outro lado, a Revolução dos Cravos inspirava pessoas no mundo todo. Chico Buarque, importante cantor e compositor brasileiro, chegou a escrever uma canção de homenagem, que foi censurada no Brasil e veiculada apenas em Portugal.

Fonte: Centro de estudos das literaturas e culturas de língua portuguesa – fflch

A importância de lembrar

Além de ser uma fonte de orgulho nacional, o 25 de abril também serve como um lembrete das responsabilidades e desafios que acompanham a democracia. É importante reconhecer que a liberdade e a democracia são conquistas frágeis, que exigem vigilância e engajamento contínuos. A data é, portanto, uma oportunidade para refletir sobre o progresso alcançado e os desafios que ainda enfrentamos como sociedade, renovando nosso compromisso com os ideais de liberdade, igualdade e justiça para todas as pessoas.

Em suma, o 25 de abril é muito mais do que uma simples data no calendário português; é um símbolo de resistência, esperança e renovação. É uma lembrança poderosa do poder do povo para promover mudanças positivas e construir um futuro melhor para as gerações futuras. Que possamos continuar a honrar o legado da Revolução dos Cravos, celebrando a liberdade e defendendo os valores democráticos que tornam Portugal uma nação verdadeiramente especial.

A existência da Cooperativa RPCI e de todas as ações desenvolvidas por sua equipe e parceiros só é possível porque o 25 de abril aconteceu. Somos guiadas pelos princípios da democracia, diversidade e inclusão e para quem quiser acompanhar mais sobre o nosso trabalho basta acessar o nosso Instagram, Facebook, LinkedIn e o podcast Portugal Plural. 

Mais de 130 ativistas de toda a Europa juntam-se em ação coletiva de arte pública para promover a inclusão e a interculturalidade

BE EVERYTHING, BELONG é o mote desta campanha para promover a Inclusão e o Sentimento de Pertença!

O dia 17 de abril de 2024 foi uma data memorável! Mais de 130 ativistas de toda a Europa participaram numa grande ação coletiva internacional de arte pública apoiada pelo Inside Out Project em nome da interculturalidade e inclusão, contra todas as formas de ódio e discriminação.

Jovens de 16 cidades e 6 países da Europa, envolvidos no projeto NET IDEA (Rede de Cidades Europeias para o Interculturalismo, Diversidade, Igualdade e Anti-Discriminação), coordenado pelo ICEI (Instituto para a Cooperação Económica Internacional), e do qual a RPCI é parceira, decidiram “dar a cara”, literalmente, para expressar o direito e a vontade de todas as pessoas serem parte integrante das suas comunidades, com todas as suas identidades: sendo 100% quem são- ser tudo o que somos e pertencer!

O projeto foi financiado pela Comissão Europeia e é apoiado pelo Programa Cidades Interculturais do Conselho da Europa.

Centenas de jovens de 16 cidades europeias – incluindo Vila Verde, Santa Maria da Feira, Braga, Turim, Modena, Erlangen e Botkyrka – participaram no flashmob “Be Everything Belong”, uma grande ação coletiva de arte pública apoiada pela Inside Out, plataforma criada pelo artista JR.

Mais de 130 retratos (tamanho 90 x 130 cm) de jovens foram afixados nas paredes do Hallunda Folkets Hus, um dos maiores centros culturais da Suécia localizado na cidade de Botkyrka, perto de Estocolmo, que se tornou um modelo a nível mundial para as boas práticas em termos de inclusão social e intercultural.

O flashmob foi o momento final do projeto NET IDEA, financiado pela Comissão Europeia e promovido pelo ICEI, uma ONG italiana sediada em Milão. O objetivo é reforçar o diálogo com as autoridades locais no que diz respeito à diversidade, à interculturalidade, ao combate à discriminação e à inclusão de minorias.

No entanto, a conferência final do NET IDEA não foi apenas um momento de discussão e de celebração, mas também uma oportunidade para reunir todas as propostas e insights que surgiram durante o projeto e escrever – durante um workshop colaborativo – um livro com histórias, boas práticas, e sugestões sobre como desenvolver conjuntamente espaços de interação intercultural e narrativas positivas para a construção de um novo sentimento de pertença. Este documento está a ser produzido e será em breve editado, impresso e distribuído em toda a rede NET IDEA de países e cidades.

Este evento internacional representa o culminar do projeto NET IDEA e de todo o trabalho desenvolvido pelas 16 cidades europeias envolvidas, nomeadamente: o evento “Juventude Anti-Rumores 2023”, realizado em Outubro de 2023 em Lublin, Polónia; posteriores atividades de photovoice realizadas com jovens, em parceria com as escolas locais, onde, através desta metodologia participativa recorrendo à fotografia, se procurou encontrar os pontos de pertença na comunidade, tal como os locais onde esta pertença é menos sentida; e exposições locais, públicas e gratuitas, onde foram exibidas as fotos tiradas por jovens (realizadas entre março e abril de 2024). Pretendeu-se, assim, contribuir para uma reflexão local sobre identidade e como se pode promover uma cidade à qual todas as pessoas sentem que pertencem.

Algumas das iniciativas deste projeto vão ter continuidade através de atividades que cada uma das cidades está já a desenvolver, tais como: formação interna em Competências Interculturais a técnicos das Câmaras Municipais e mais iterações das exposições locais em outros sítios da cidade. Para não falar do evento “Juventude Anti-Rumores” que está previsto acontecer todos os anos a partir de agora.

Para mais informações sobre esta campanha, visite o seguinte site: https://www.insideoutproject.net/en/explore/group-action/we-are-100-us-and-we-belong-here

Para saber mais sobre o Projeto NET IDEA e as atividades desenvolvidas pela Rede Portuguesa das Cidades Interculturais, podem entrar em contacto através do seguinte endereço de e-mail: geral@cidadesinterculturais.pt 

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Inauguração da Exposição “O Poder Através das Fotos” na Escola Básica e Secundária da Arrifana

Esta quarta feira dia 10 de abril 2024, no âmbito do Projeto NET-IDEA (Network of European Towns for Interculturalism, Diversity, Equality & Anti-Discrimination), foi inaugurada a exposição “O poder através das fotos” que dá voz ao que um grupo de jovens tem a dizer sobre o seu sentimento de pertença, inclusão e identidade. 

Esta exposição resulta de um trabalho de vários meses com jovens nesta escola, usando a metodologia PhotoVoice, como meio de promover a diversidade e a inclusão.

A mesma teve lugar na Escola Básica e Secundária da Arrifana, onde quase 40 alunos trabalharam para organizar e expor trabalhos fotográficos com motes como “O que me faz sentir em casa”, “O que não me faz sentir em casa” e “algo que adoro nesta cidade” . Através da fotografia pretendeu-se dar voz às expressões identitárias e sentimentos de pertença e de exclusão vividos por cada jovem.

A abertura desta exposição ficou a cargo da Professora Cristina Leite, que contou ainda com a presença de dois representantes da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira: a Chefe de Departamento Catarina Bento e o Técnico Superior Roberto Carlos. Estiveram presentes também a Professora Fátima Soares,co-coordenadora da iniciativa junto das duas turmas envolvidas, e o grupo de jovens que participaram no projeto.

Esta atividade e decorrente exposição inspiraram-se nos resultados do evento “Juventude Anti-Rumores 2023” em parceria com a Escola Básica e Secundária de Arrifana procurando encontrar pontos de pertença na comunidade, tal como os locais onde esta pertença é menos sentida. Pretendeu-se, assim, contribuir para uma reflexão local sobre identidade e como se pode promover uma cidade à qual todas as pessoas sentem que pertencem. O grupo de jovens aprendeu e aplicou uma metodologia de investigação participativa onde, através das suas fotografias, podemos aceder a necessidades, reflexões, narrativas e ideias para melhorar a comunidade.  

“O poder através das fotos” é uma exposição de fotografia única, realizada pelos alunos da Escola Básica e Secundária de Arrifana, do 10.º e do 11º ano do Curso de Técnico de Juventude.” adianta a professora Fátima Soares.

O município de Santa Maria da Feira associou-se a este projeto, deixando claro o seu compromisso para com o fomento da inclusão e relações Interculturais e o combate à discriminação. Esta missão foi bem conseguida, através do trabalho de cooperação com jovens do município a quem foi pedido para escrever novas narrativas dignas de uma sociedade europeia mais inclusiva.

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‘Be Everything Belong’ celebra o Projeto NET-IDEA que juntou 16 Cidades Europeias em nome da interculturalidade e contra todas as formas de Ódio e Discriminação

DOWNLOAD do kit de imprensa

No dia 17 de Abril de 2024, em Botkyrka, Suécia, uma espetacular ação coletiva de arte pública – apoiada pela Plataforma Inside Out criada pelo artista francês JR – celebrará a conclusão da Campanha Europeia de Sensibilização ‘Be Everything Belong’ e representará o momento final do Projeto NET-IDEA – Rede de Cidades Europeias para o Interculturalismo, Diversidade, Igualdade e Anti-Discriminação.

NET-IDEA é um projeto financiado pelo Programa CERV da Comissão Europeia e promovido e coordenado pelo ICEI – Istituto Cooperazione Economica Internazionale, uma ONG italiana sediada em Milão, em parceria com DIVERSIT / Red Española Ciudades Interculturales, RPCI – Rede Portuguesa Cidades Interculturais, Interkulturella Stader Sverige (Suécia) e os municípios de Lublin (Polónia) e Erlangen (Alemanha), num total de 16 municípios em 6 países europeus (Itália, Espanha, Portugal, Suécia, Alemanha e Polónia), todos membros do Programa Cidades Interculturais (ICC) do Conselho Europeu.

O Projecto NET-DEA visa reforçar o papel das autoridades locais no domínio da promoção da diversidade, interculturalismo, anti-discriminação e inclusão de minorias, com base numa parceria transnacional de 4 Organizações da Sociedade Civil (OSC) e Municípios.

A Campanha de Sensibilização ‘Be Everything Belong‘ envolveu centenas de jovens activistas nestas 16 cidades europeias que – literalmente – deram a cara na tentativa de imaginar uma sociedade europeia mais inclusiva e que combate rumores e discriminações.

Mais de 100 retratos (90x130cm) de jovens ativistas serão pendurados nas paredes do Hallunda Folkets Hus, um dos maiores centros culturais da Suécia localizado na cidade de Botkyrka, perto de Estocolmo, que se tornou num modelo mundial no que diz respeito a práticas de inclusão social e interculturalidade.

Será um momento emocionante, aquele em que, em parceria com o artista JR, se irá revelar um grande mosaico com os rostos de dezenas de ativistas que trabalham todos os dias para reclamar o seu direito a pertencer e transformar as cidades onde vivem em lugares sem barreiras. Será um momento em que a arte dará voz a quem pode promover a mudança.

AQUI poderá aceder à página oficial da campanha ‘Be Everything Belong’ na plataforma Inside Out

Quem é o artista JR e o Inside Out – mais informações  

Acerca da campanha ‘Be Everything Belong’

A ação é o resultado de grupos focais e workshops entre ativistas, associações locais, escolas (em Portugal: Escola Básica e Secundária de Arrifana e Escola Profissional de Braga), centros juvenis (em Portugal: Centro Comunitário de Vila de Prado) e autarquias (em Portugal: Câmara Municipal de Braga, Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e Câmara Municipal de Vila Verde) que participaram do NET-IDEA de 2022 a 2024.

Nas 16 cidades europeias (Barcelona, Bilbao, Castellon de la Plana, Donostia, Tenerife em Espanha, Erlangen na Alemanha, Lublin na Polónia, Turim, Modena, Pontedera e Reggio Emilia em Itália, Santa Maria da Feira, Vila Verde e Braga, em Portugal e Linkoping e Botkyrka na Suécia), foram criados espaços de reflexão sobre o conceito de identidade e de construção de um novo sentido de pertença baseado no valor positivo da diversidade, na cultura da anti-discriminação e no direito à inclusão .

Dentro destes caminhos de reflexão e capacitação, foram desenhadas ações de sensibilização local com impacto em cada participante, onde a fotografia se tornou a ferramenta para dar voz às necessidades da comunidade, ao mesmo tempo que testemunham o orgulho de fazer parte de um mundo diversificado e de uma sociedade sem barreiras.

Depois de uma série de exposições e instalações temporárias e itinerantes das fotografias e retratos que cobriram edifícios emblemáticos e espaços públicos nas comunidades envolvidas, os emocionantes retratos da Campanha de Conscientização ‘Be Everything Belong’ chegaram agora a Botkyrka, uma cidade ao sul de Estocolmo, que, tal como as outras cidades da rede NET-IDEA, faz parte do Programa de Cidades Interculturais (ICC) do Conselho da Europa.

Acerca do NET-IDEA

O NET-IDEA – Rede de Cidades Europeias para o Interculturalismo, Diversidade, Igualdade e Anti-Discriminação é um projeto financiado pelo Programa CERV da Comissão Europeia e promovido e coordenado pelo ICEI – Istituto Cooperazione Economica Internazionale em parceria com DIVERSIT / Red Española Ciudades Interculturales, Rede Portuguesa Cidades Interculturais, Interkulturella Stader Sverige e os municípios de Lublin (Polónia) e Erlangen (Alemanha), todos membros do Programa Cidades Interculturais (ICC) do Conselho da Europa.

O NET-IDEA reforçou o papel dos governos locais e do activismo juvenil na promoção da diversidade, interculturalismo, cultura anti-discriminação e inclusão de minorias.

O projeto, que pode ser descrito como um foco de ativismo, proporcionou a vários setores da administração pública (da área da juventude, assistentes sociais, funcionários municipais, decisores políticos, professionais de educação e de serviços integradores) e a jovens ativistas em toda a Europa, a oportunidade de aprofundar a cooperação transnacional e desenvolver competências específicas e práticas altamente eficazes para enfrentar os desafios a nível local nas áreas de competências interculturais/políticas e concepção de serviços, ativismo juvenil anti-rumores a nível local e europeu, e sensibilização para a diversidade, inclusão e anti-rumores, bem como questões de discriminação.

Em todas as cidades envolvidas – 16 cidades, em 6 países da UE – (Barcelona, Bilbao, Castellon de la Plana, Donostia, Tenerife para Espanha, Erlangen para a Alemanha, Lublin na Polónia, Turim, Modena, Pontedera e Reggio Emilia para Itália, Santa Maria da Feira, Vila Verde e Braga para Portugal e Linkoping e Botkyrka, para a Suécia), o NET-IDEA promoveu formas de cooperação que terão impacto na concepção e divulgação de novas narrativas para combater a discriminação e assim construir uma sociedade europeia mais inclusiva.

Mais informação acerca do NET-IDEA e da ICEI 

Seminário de encerramento do NET-IDEA: um dia de debate e celebração

No dia 17 de abril de 2024, a conferência final do Projeto NET-IDEA será realizada no Hallunda Folkets Hus, um dos maiores centros culturais da Suécia localizado na cidade de Botkyrka.

Por quê Botkyrka? Botkyrka é uma das cidades emblemáticas do Programa ICC: o município tem vindo a promover a abordagem intercultural nas suas estratégias e políticas públicas há muitos anos, com foco em questões de igualdade de género, direitos humanos e liberdade da opressão e da violência. Este laboratório de ideias e políticas é, portanto, o espaço mais adequado para a organização da última fase do projeto, criando também oportunidades de partilha de práticas e processos para as restantes cidades envolvidas.

Durante um dia inteiro, jovens activistas de toda a Europa reunir-se-ão, portanto, na ‘Casa do Povo’, a Hallunda Folkets Hus, para trocar e discutir formas de interagir e construir uma nova narrativa sobre o sentido de pertença.

A conferência final culminará com a Ação Coletiva ‘Be Everything Belong’, batizada em homenagem à Campanha de Sensibilização NET-IDEA homónima nas diversas cidades do projeto e apoiada pela Plataforma Inside Out criada pelo Artista Francês JR.

Da conferência final a um livro com Melhores Práticas

A conferência final do NET-IDEA não será apenas um momento de discussão e celebração, mas também uma oportunidade para reunir todas as propostas e insights que surgiram durante o projeto e escrever – durante um workshop colaborativo – um livro contendo histórias, boas práticas, e sugestões sobre como desenvolver conjuntamente espaços de interação intercultural e narrativas positivas para a construção de um novo sentimento de pertença. Este documento será editado, impresso e distribuído em toda a rede NET-IDEA de países e cidades muito em breve.

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Jovens Reforçam Luta pela Igualdade e Inclusão Intercultural, em Vila Verde

Por: Eva Calado (em colaboração com o Município de Vila Verde)

Exposição “Vozes Visuais: Retratos de Pertença” juntou 150 participantes em Vila Verde

Mais de 150 pessoas participaram ontem, em Vila Verde, na exposição “Vozes Visuais: Retratos de Pertença”, resultado do projeto internacional Projeto NET-IDEA que levou um conjunto de jovens a expressarem-se sobre a discriminação e as desigualdades sociais.

Devido às alterações climatéricas, o evento – que estava previsto para a Praça de Santo António – decorreu no espaço da Adega Cultural de Vila Verde, contando com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal, Manuel Lopes, e da representante da Rede Portuguesa das Cidades Interculturais, Eva Calado.

“É muito importante, para o progresso da nossa comunidade e para o bem-estar de todos nós, continuar a dar voz às pessoas da nossa comunidade e lutar pelo direito de igualdade e inclusão de todos os cidadãos”, defendeu Manuel Lopes, na abertura da exposição.

Dando voz ao que jovens de Vila Verde têm a dizer no que diz respeito ao seu sentimento de pertença, inclusão e identidade, cada fotografia apresentada está acompanhada de um código QR, onde se pode ouvir a explicação de cada jovem sobre aquela mesma fotografia.

Entrada da Exposição “Vozes Visuais: Retratos de Pertença” em Vila Verde

Conforme notícia publicada anteriormente, esta exposição surge no âmbito do Projeto NET-IDEA (Network of European Towns for Interculturalism, Diversity, Equality & Anti-Discrimination) e inspirou-se nos resultados do evento “Juventude Anti-Rumores 2023” e de uma posterior atividade de photovoice realizada com jovens do concelho de Vila Verde, em parceria com o Centro Comunitário de Vila de Prado, da Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa.

O objetivo foi o de encontrar os pontos de pertença destes jovens na comunidade, tal como os locais onde esta pertença é menos sentida. Pretendeu-se, assim, contribuir para uma reflexão local sobre identidade e ilustrar como se pode promover uma cidade à qual todas as pessoas sentem que pertencem.

No lançamento da exposição estiveram também presentes o presidente da Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa, Armando Osório; o Comandante da GNR de Vila Verde, Sargento Silva Pereira, e o diretor da Escola Técnica Superior Profissional (IPCA), Filipe Chaves.

Estiveram ainda representadas instituições como o Município de Barcelos, a APPACDM, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Vila Verde e a Casa do Povo de Ribeira do Neiva.

O projeto chega assim à reta final, seguindo-se duas exposições semelhantes (uma em Braga e outra em Santa Maria da Feira, entre os dias 9 e 10 de abril) e o evento de encerramento que acontecerá em Botkyrka, na Suécia, nos dias 16 e 17 de abril, com a participação dos municípios de Vila Verde, Braga e Santa Maria da Feira.

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Município de Vila Verde promove a exposição “Vozes Visuais: Retratos de Pertença” que dá voz aos jovens da comunidade

Dia 27 de março, às 11:00, na Praça de Santo António, em Vila Verde 

No âmbito do Projeto NET-IDEA (Network of European Towns for Interculturalism, Diversity, Equality & Anti-Discrimination), e inserida na campanha de comunicação e sensibilização do mesmo, o Município de Vila Verde promove a exposição “Vozes Visuais: Retratos de Pertença” que dá voz ao que um grupo de jovens de Vila Verde tem a dizer no que diz respeito ao seu sentimento de pertença, inclusão e identidade

A Campanha de Comunicação e Sensibilização deste projeto gira em torno dos conceitos de IDENTIDADE (BE-EVERYTHING) e do SENTIMENTO DE PERTENÇA (BE-LONG).

As cidades estão em constante mudança e a crescente diversidade torna necessário que acolhamos o mosaico cultural como parte essencial da nossa identidade coletiva. Ainda mais se torna necessária esta abordagem quando persistem situações de desigualdade e Discriminação. O município de Vila Verde associou-se a este projeto, deixando claro o seu compromisso para com o fomento da inclusão e relações Interculturais e o combate à discriminação. Esta missão foi bem conseguida, através do trabalho de cooperação com jovens do município a quem foi pedido para escrever novas narrativas dignas de uma sociedade europeia mais inclusiva.

Esta exposição inspira-se nos resultados do evento “Juventude Anti-Rumores 2023” e de uma posterior atividade de photovoice realizada com jovens do concelho de Vila Verde, em parceria com o Centro Comunitário de Prado, da Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa, procurando encontrar os seus pontos de pertença na comunidade, tal como os locais onde esta pertença é menos sentida. Pretende-se, assim, contribuir para uma reflexão local sobre identidade e como se pode promover uma cidade à qual todas as pessoas sentem que pertencem.

O que é o Photovoice?

É uma metodologia de investigação participativa onde através de fotografias tiradas pelas pessoas envolvidas podemos aceder às suas necessidades, reflexões, narrativas e ideias para melhorar a comunidade.

Para realizar a atividade de Photovoice, foi necessário selecionar um grupo de jovens com quem trabalhar; a equipa de Vila Verde sentiu que fazia sentido envolver os jovens com quem já fazem um trabalho de desenvolvimento das competências interculturais e, inclusive, que já haviam participado noutras atividades deste projeto. A partir daí, organizou-se um briefing com jovens onde se introduziu o projeto, o tema e os detalhes sobre esta atividade. Aqui foram lançadas as 3 perguntas-chave que guiaram toda a atividade: O que te faz sentir em casa, na tua cidade? O que te faz sentir não aceite pelo que realmente és ou algo que não te faz sentir em casa, na tua cidade? O que adoras particularmente acerca da tua vida nesta cidade?

A segunda parte do processo passou por dar as rédeas a cada jovem, dando-lhes a liberdade de tirarem as fotografias com os seus próprios equipamentos, no seu próprio tempo.

De seguida, reuniu-se o grupo de jovens para uma análise das fotos. Cada jovem selecionou as 3 fotos favoritas para esta sessão. A discussão centrou-se na razão pela qual as fotografias foram escolhidas, o que as torna significativas e o que pensam sobre as fotografias dos restantes membros do grupo. Nesta sessão, foram recolhidas as expressões e palavras que cada jovem partilhou sobre a sua identidade.

Finalmente, ao grupo de jovens foram tirados retratos com um fotógrafo profissional e estes retratos vão ter como pano de fundo as expressões e palavras sobre a sua identidade. Os retratos vão também fazer parte da campanha internacional do projeto, que é uma parceria com o artista JR, e que culminará no evento final nos dias 16 e 17 abril 2024, na Suécia.

Nesta exposição será possível ver tanto os retratos como as fotografias tiradas pelo grupo de jovens. 

Mais sobre o projeto:

O Projeto NET-IDEA (Network of European Towns for Interculturalism, Diversity, Equality & Anti-Discrimination) surgiu das relações criadas no âmbito da Rede Internacional das Cidades Interculturais, um programa do Conselho da Europa, com vista a reforçar o papel das autoridades locais no domínio da promoção da diversidade, da interculturalidade, da antidiscriminação e da inclusão das minorias. O projeto, coordenado pelo ICEI – Istituto Cooperazione Economica Internazionale, uma ONG italiana especializada em projetos em matéria de interculturalidade e anti-discriminação, reúne a Rede Portuguesa das Cidades Interculturais, a rede análoga espanhola e italiana, uma associação sueca e as cidades de Lublin (Polónia) e Erlangen (Alemanha), envolvendo um total de 16 cidades europeias. Tem duração prevista de 2 anos, terminando em abril de 2024, e é financiado pela Comissão Europeia no âmbito do Programa CERV. 

No âmbito deste projeto, foi também realizado, em Lublin (capital europeia da juventude 2023), nos dias 6, 7 e 8 de outubro de 2023 o evento internacional “Juventude Anti-Rumores 2023”, que contou com a participação de 3 jovens portugueses e do qual resultou um Manifesto intitulado «Jovens pela Diversidade e Pensamento Crítico». Este Manifesto parte do pressuposto de que as novas gerações são o futuro e que estas têm a capacidade de transformar o mundo num lugar onde a diversidade e a verdade são valorizadas enquanto aspetos fundamentais das sociedades democráticas. O Manifesto foi criado por jovens e para jovens. Conscientes dos danos da desinformação e dos rumores, eles criaram uma mensagem de direitos humanos que encoraja todos a agir contra estereótipos, preconceitos e discriminação. O Manifesto propõe que sejam envidados esforços assentes em quatro pilares: Educar e Empoderar; Construir Pontes Interculturais; Agir para a Mudança; Quebrar a Cadeia de Rumores.

Para mais informações sobre o Projeto NET-IDEA e as atividades desenvolvidas pela Câmara de Vila Verde, podem entrar em contacto através do seguinte endereço de e-mail: rede-social@cm-vilaverde.pt

#beeverything #belong #ICCities #cidadesinterculturais #Photovoice

Cidades RPCI reunidas em Barcelos para encontro anual

Todos os anos a RPCI convida as cidades membro da sua rede para se reunirem presencialmente num dia cheio de partilha onde se anuncia a proposta de projeto conjunto para esse ano. Este ano, a cidade de Barcelos (membro recente da rede) quis acolher este evento e fez-nos o convite que aceitámos com muito prazer.

Esta Reunião Nacional da RPCI decorreu assim no dia 7 de fevereiro de 2024, na Casa da Criatividade, em Barcelos. Um espaço muito interessante que estreou recentemente, onde se organizam eventos e workshops para artistas artesãos locais.

Com a Direção da Cooperativa estiveram reunidas as cidades do Porto, Oeiras, Famalicão, Braga, Barcelos, Vila Verde, Viseu, Loures, Santa Maria da Feira e a freguesia de Paranhos. Faltaram as cidades de Lisboa, Cascais, Amadora, Setúbal, Coimbra, Beja, Albufeira e Portimão que, estando presentes, completariam esta rede que já conta com 18 cidades.

A sessão foi aberta pela Vereadora da Cultura de Barcelos, Dra. Maria Leite Braga, que acolheu os convidados e apresentou sucintamente o lugar onde a reunião decorreu. De seguida, a Presidente da Rede e Cooperativa RPCI, Carla Calado, tomou a palavra e guiou a sessão da parte da manhã onde apresentou a Cooperativa, um balanço dos resultados de 2023 e planos para o futuro próximo.

Relativamente aos projetos de 2023, primeiro, a Presidente da RPCI sintetizou os objetivos e resultados do projeto comum Intercultural Ecosystems, e de seguida apresentou também as atividades realizadas e ainda por realizar nos dois projetos europeus que se encontram ainda em curso, o projeto NET-IDEA e o projeto DiverCities. Foi dado particular destaque ao primeiro, tendo partilhado as suas experiências cada uma das três cidades envolvidas no projeto, Vila Verde, Santa Maria da Feira e Braga, muito em especial, em relação às formações multimédia e não discriminação e aos workshops Photovoice – ambos realizados com grupos de jovens.

De seguida, Carla Calado apresentou a proposta do projeto anual de 2024 – a que demos o nome de “Escolas Interculturais” -, os seus objetivos, atividades e orçamento. Pretende-se realizar atividades em escolas selecionadas, das cidades que participarem ativamente no projeto, no sentido de sensibilizar pais, funcionários e crianças para a inclusão intercultural.

Da parte da tarde, o município de Barcelos apresentou o trabalho desenvolvido localmente no âmbito da interculturalidade. Ouvimos da parte de quatro parceiros locais (Intercultural Association For All, Mobility Friends, Associação SOPRO, GaloArtis) e, depois, da parte do próprio Município (tendo-se centrado nos projetos FAMI 102 e 103 e nos projetos da Educação, Cultura e Desporto).

Por último, a sessão contou com o encerramento por parte do Vereador da Ação Social de Barcelos, Dr. António Ribeiro, que agradeceu a presença de todas as pessoas e reiterou a importância de trabalharmos os temas ligados à interculturalidade junto da população local e nacional.

#cidadesinterculturais #encontroanual

Celebrando o Dia Internacional das Migrações

Por: Danielle Menezes, em português brasileiro

O Dia Internacional das Migrações, celebrado em 18 de dezembro, é uma oportunidade para refletir sobre a contribuição valiosa das pessoas migrantes no desenvolvimento econômico, social e cultural em todo o mundo. Além disso, também é uma ocasião oportuna para avaliarmos os avanços e as dificuldades encontradas no processo de tornar a nossa sociedade mais segura e igualitária sem que o lugar de nascimento de alguém seja um problema. 

Em mensagem divulgada nesta segunda-feira (18), o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu a necessidade urgente de uma gestão segura das migrações, com base na solidariedade e no respeito pelos direitos humanos e afirmou que a “a migração é um fato da vida e uma força para o bem. Ela promove o intercâmbio de conhecimentos e ideias e contribui para o desenvolvimento econômico.”

Mulher indígena mostra cartaz em manifestação intercultural.
Fonte: CPERS / Sindicato
Fonte: CPERS / Sindicato

A criação da data

A data foi instituída em 18 de dezembro de 2000, pela Assembleia Geral da ONU em comemoração aos 10 anos de assinatura da Resolução 45/158 que adotou a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros de suas Famílias. Até então, 58 países aderiram ao Tratado, sendo que a maioria vem do continente africano ( um total de 28 países). Na América Latina, apenas o Brasil e o Suriname não fazem parte, e na Europa, só dois países ratificaram a Convenção, sendo que  Portugal não é um deles.

O panorama atual das migrações

De acordo com o “Relatório Mundial sobre Migração 2022” da Organização Internacional para as Migrações (OIM), o número de pessoas migrantes internacionais cresceu de 84 milhões (1970) para 281 milhões em 2020. No entanto, levando em consideração o aumento da população mundial, a proporção de migrantes internacionais, no mesmo período, foi de 2,3% para 3,6%. Ou seja, ao contrário do que possa parecer, a intensidade de deslocamento internacional se mantém estável, sendo que a maioria das pessoas (96,4%) continuam a viver no país em que nasceu. 

Com o apoio da tecnologia, o documento desenvolvido pela OIM, tornou-se uma importante ferramenta para a verificação de fatos capazes de refutar notícias falsas que apenas servem para desinformar e reforçar estereótipos negativos em relação à migração.  

A inclusão e seus benefícios

A migração não apenas enriquece a diversidade cultural, mas também funciona como uma força motriz para o progresso, promovendo a compreensão e a valorização mútua. Mas, para que os resultados positivos sejam alcançados é fundamental saber incluir. E mesmo que a pauta da diversidade e inclusão esteja cada vez mais em alta, muita gente ainda não entendeu a diferença entre os conceitos. Então, para isso, trazemos a citação de Vernã Myers: “diversidade é convidar para a festa, inclusão é chamar para dançar”. 

Essa frase simples, que viralizou na internet, nos ensina que não adianta apenas ter grupos diferentes em um mesmo espaço (nesse caso, no país) e esperar que eles se entendam. O anfitrião ou anfitriã tem a tarefa de promover a integração, estimulando conversas e a troca de interesses genuína de forma a potenciar verdadeira interação intercultural. E não podemos partir do princípio de que essas trocas serão naturais e fáceis. Cada um carrega a sua história de alegria ou de dor e suas próprias características. Há quem seja mais extrovertido e faça novas amizades até na fila da padaria, há quem sinta medo de sair daquilo que é conhecido.

Portanto, incluir é aprender a respeitar as diferenças, mas também o tempo de cada grupo e de cada indivíduo. Somente assim, trilharemos um caminho tranquilo, amoroso e efetivo em relação aos processos migratórios. 

A construção de políticas públicas inclusivas

Para maximizar os benefícios da migração, é fundamental implementar políticas inclusivas que protejam os direitos das pessoas migrantes, promovam a igualdade e incentivem a integração. Isso envolve o aumento da participação popular (inclusive das pessoas deslocadas), criação de sistemas de educação e saúde acessíveis, bem como a eliminação de barreiras burocráticas que causam entraves na regularização e contribuição plena das pessoas migrantes.

A Cooperativa RPCI desenvolve diversos projetos que valorizam a diversidade e inclusão de pessoas de diferentes nacionalidades, religiões, gêneros, sexualidade, idades, com deficiência, entre outros. Para conhecer mais sobre o nosso trabalho, acesse a aba de ferramentas no nosso site, nos acompanhe nas redes sociais (Instagram, Facebook e LinkedIn) e ouça o nosso podcast.

Acolhimento de pessoas refugiadas em Portugal – uma entrevista com Mónica Farinha

Por Danielle Menezes, em português brasileiro

Em nosso novo episódio do podcast Portugal Plural, conversamos com Mónica Farinha, Presidenta da Direção do Conselho Português para os Refugiados (CPR), para entender melhor como tem sido a experiência de acolhimento em Portugal no que diz respeito às pessoas refugiadas.

Confira a seguir, os principais pontos de nossa entrevista. 

O que é o Conselho Português para os Refugiados

O Conselho Português para os Refugiados (CPR), fundado em 1991, é atualmente uma organização consolidada com mais de 60 colaboradores e projetos financiados por várias entidades. O CPR atua como parceiro operacional do Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) em Portugal, representando essa organização desde 1998. Além disso, estabeleceu protocolos com o governo português para projetos relacionados ao acolhimento de pessoas requerentes de asilo e à integração de pessoas refugiadas.

A Organização recebeu reconhecimento por seu trabalho, incluindo o “Prémio Direitos Humanos” da Assembleia da República em 2000 e a Medalha de Mérito e Dedicação da Câmara Municipal de Loures em 2012. A Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana também homenageou o CPR por seu apoio a pessoas refugiadas.

Diferenças entre os estatutos

No dia a dia, as pessoas costumam se referir apenas às “pessoas migrantes voluntárias ou espontâneas” e às “pessoas refugiadas”. No entanto, Portugal conta com outros estatutos, como é o caso da proteção temporária (utilizada na situação atual das pessoas ucranianas) ou subsidiária. Mónica nos explica, de uma maneira breve, qual a diferença entre elas. 

Processo de pedido de refúgio

Mónica aproveita para nos explicar a respeito do processo de pedido de refúgio e as fases que ele deve atravessar, falando sobre os elementos objetivos e subjetivos pelos quais a análise será realizada.

Projeto patrocínio comunitário

Pensado como uma solução complementar de proteção, permite que a comunidade acolha pessoas em situação de refúgio. É um projeto já desenvolvido em outros países e que encontra-se em fase inicial em Portugal. Quem tiver interesse em participar, basta enviar um e-mail para o seguinte endereço: monica.farinha@cpr.pt.

Este foi o terceiro e último episódio do projeto “Intercultural Ecosystems” de 2023 apoiado pelo Conselho da Europa e pelas cidades de Lisboa, Oeiras e Cascais. É possível ouvi-lo na íntegra aqui.

Acompanhe as redes sociais da Cooperativa RPCI para conhecer mais do nosso trabalho: basta procurar por “cidadesinterculturais”

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